Este blog descreve momentos da vida da banda portuguesa de rock "Os Tubarões" de Viseu, entre 1963 e 1968. This blog describes rock portuguese band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, between 1963-1968. Os Tubares, Viseu
16 de Julho de 2009

 

No Fontelo de outros desígnios sonhados
Pássaros alegres vagueando em lentas danças
Ouvem-se águas cristalinas a jorrar
Soa o sinal de partida e já avanças
Com a pressa de quem primeiro quer chegar
 
Guarda à mão o bush mills da bonança
Que não dispenso de comigo partilhares
Na sã ternura dos afectos e na lembrança
Da cumplicidade e provação noutros lugares
 
Inocentes folguedos de menino na Pinheira
Paixões ardentes nas noites cálidas da Figueira
Pelo meio, o apelo da terra pode esperar
Porque outros ventos, outros amores, andam no ar
 
Your hurt belongs to me, / my hurt belongs to you, / because I love you…
 
Come back, A Girl for me, Old Lady
 
E mais poemas que da alma relampejam
Dois acordes e já no ar tu os trauteias
Com o Vitó as notas certas todos solfejam
E o palco, logo à noite, já incendeias
 
Os Tubarões andam aí.
É tempo de boémia, de Yé-Yé, de Sheiks, de Beatles, de Animals de Shadows, de Hardy, de Aretha, de Celentano
Mas também tempo de Brel que, mais tarde, me ensinaste
 
Ne me quitte pas , / il faut oublier / tout peut s’oublier …
 
Tempos suspensos e adiados… oh vã quimera
Tudo pára, ou quase tudo…
E por um tempo o tempo tem de esperar.
 
Noutras latitudes, o ar queima e o sol inflama
Dizem que é de lá que o dever chama.
 
P’ra lá da sombra das mangueiras da Lumbala
Torpe realidade diversa já te espera
Solta-se a rebeldia que o fel da alma gera
Acolhe-te a norte o pôr-do-sol da chã Muconda
Onde nasce a esperança do dia novo, de outra era
 
 
 
Lembra Lewu, Galiano, os Fiéis e tantos outros
Eles também no adverso mergulhados
Noite fora em tédio e álcool afogados
Juntos, à superfície, nossas mágoas serenámos
Juntos, enganando a alma, a paz dos sonhos comungámos
…Mon’ami kutundé / Kutundé ngoe, / Mon'ami zeka-ié  / Mungu ngu moné        
Ai! Mon'ami nzambi iami-e!...
 
Já a saudade corroeu por dentro a alma
Quando, por fim, os deuses acordam lá no Olimpo
E ordenam a Adamastor e a Éolo p’ra se unirem
E num sopro de bonança o caminho abrirem
Lá de longe, do torpor e da agonia dos sentidos
Ao porto de abrigo dos amores adormecidos.
 
Desperta a fé do incrédulo convertido
Renasce o desejo que o infortúnio fez esquecido
Expia-se a falta que alguém já perdoou,
Abre-se o abraço que nunca se fechou,
Funde-se o beijo num olhar que perdurou,
Agarra-se o colo que o coração não olvidou,
Assume-se o gesto que o medo censurou
Do tempo, cessa a espera que o tempo então parou
 
Por aí chegou Cupido e seu arco encordoou  
E com um tiro apurado desferiu
A flecha mágica, sedutora e bem certeira
Qu’ à doce Teresa o coração fez vibrar
Ao som de loas e juras d’amor ao luar.
 
De mão dada, encetastes a caminhada
Aos ombros, o fardo imenso partilhado
Legado de futuro, testemunho vivido,
Três vezes amado,    
Três vezes contado,
Três vezes cumprido.
 
Nos nossos corações a tua voz,
Com timbres que o tempo modelou,
Entoa hinos de paz e de saudade
Senti-los, a teu lado, é felicidade
É entrar no tempo sem idade
É o eterno que do alto nos tocou.
                                                  A gente vê-se por aí…
                                                  José Melo da Cruz
publicado por os tubaroes, Viseu às 12:43
música: A Girl like you
Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
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