Este blog descreve momentos da vida do Conjunto Académico "Os Tubarões", de Viseu, entre 1961 e 1968.
07 de Dezembro de 2009

Conheci o Zé em Janeiro de 1972, quando ele e o Carvalheira acompanharam o nosso pelotão de Nova Lisboa para Nova Chaves, enquanto terminava o "curso" de minas e armadilhas em Luanda.
   Confesso que na altura o achei distante, formal e até um pouco frio. Nos 12 ou 13 meses seguintes forjamos uma sólida amizade que se manteve inalterada durante 37 anos.
   Durante o serviço militar no Leste formamos um grupo de combate unido, e  sou sincero quando digo que ele era o maior dos elementos aglutinadores, dada a relação que estabeleceu com os soldados e especialmente com os cabos do pelotão. O Mutenga e o Paulo Farias simplesmente o idolatravam e em operações os três, sem menosprezo de ninguém, organizavam impecávelmente todos os aspectos de segurança. O Lewu, chefe do GE 318, era tão amigo dele que lhe emprestava, o amuleto anti-balas, nas raras operações em que não nos acompanhava.
   Posso dizer, sem receio de errar, que a alegria quase permanente que era a marca registada dele, atenuou a todos nós a dureza daqueles tempos muito dificeis. 
   Sempre o incluí no meu restrito grupo de amigos indefectíveis. Com o desaparecimento físico dele perdi um dos meus grandes amigos, mas a profunda amizade que sempre nos uniu, não desaparecerá.

                                                                                                                               Até sempre Zé Merino.

                                                                                                                                          António Baptista

publicado por ostubaroes às 23:50
16 de Julho de 2009

 

No Fontelo de outros desígnios sonhados
Pássaros alegres vagueando em lentas danças
Ouvem-se águas cristalinas a jorrar
Soa o sinal de partida e já avanças
Com a pressa de quem primeiro quer chegar
 
Guarda à mão o bush mills da bonança
Que não dispenso de comigo partilhares
Na sã ternura dos afectos e na lembrança
Da cumplicidade e provação noutros lugares
 
Inocentes folguedos de menino na Pinheira
Paixões ardentes nas noites cálidas da Figueira
Pelo meio, o apelo da terra pode esperar
Porque outros ventos, outros amores, andam no ar
 
Your hurt belongs to me, / my hurt belongs to you, / because I love you…
 
Come back, A Girl for me, Old Lady
 
E mais poemas que da alma relampejam
Dois acordes e já no ar tu os trauteias
Com o Vitó as notas certas todos solfejam
E o palco, logo à noite, já incendeias
 
Os Tubarões andam aí.
É tempo de boémia, de Yé-Yé, de Sheiks, de Beatles, de Animals de Shadows, de Hardy, de Aretha, de Celentano
Mas também tempo de Brel que, mais tarde, me ensinaste
 
Ne me quitte pas , / il faut oublier / tout peut s’oublier …
 
Tempos suspensos e adiados… oh vã quimera
Tudo pára, ou quase tudo…
E por um tempo o tempo tem de esperar.
 
Noutras latitudes, o ar queima e o sol inflama
Dizem que é de lá que o dever chama.
 
P’ra lá da sombra das mangueiras da Lumbala
Torpe realidade diversa já te espera
Solta-se a rebeldia que o fel da alma gera
Acolhe-te a norte o pôr-do-sol da chã Muconda
Onde nasce a esperança do dia novo, de outra era
 
 
 
Lembra Lewu, Galiano, os Fiéis e tantos outros
Eles também no adverso mergulhados
Noite fora em tédio e álcool afogados
Juntos, à superfície, nossas mágoas serenámos
Juntos, enganando a alma, a paz dos sonhos comungámos
…Mon’ami kutundé / Kutundé ngoe, / Mon'ami zeka-ié  / Mungu ngu moné        
Ai! Mon'ami nzambi iami-e!...
 
Já a saudade corroeu por dentro a alma
Quando, por fim, os deuses acordam lá no Olimpo
E ordenam a Adamastor e a Éolo p’ra se unirem
E num sopro de bonança o caminho abrirem
Lá de longe, do torpor e da agonia dos sentidos
Ao porto de abrigo dos amores adormecidos.
 
Desperta a fé do incrédulo convertido
Renasce o desejo que o infortúnio fez esquecido
Expia-se a falta que alguém já perdoou,
Abre-se o abraço que nunca se fechou,
Funde-se o beijo num olhar que perdurou,
Agarra-se o colo que o coração não olvidou,
Assume-se o gesto que o medo censurou
Do tempo, cessa a espera que o tempo então parou
 
Por aí chegou Cupido e seu arco encordoou  
E com um tiro apurado desferiu
A flecha mágica, sedutora e bem certeira
Qu’ à doce Teresa o coração fez vibrar
Ao som de loas e juras d’amor ao luar.
 
De mão dada, encetastes a caminhada
Aos ombros, o fardo imenso partilhado
Legado de futuro, testemunho vivido,
Três vezes amado,    
Três vezes contado,
Três vezes cumprido.
 
Nos nossos corações a tua voz,
Com timbres que o tempo modelou,
Entoa hinos de paz e de saudade
Senti-los, a teu lado, é felicidade
É entrar no tempo sem idade
É o eterno que do alto nos tocou.
                                                  A gente vê-se por aí…
                                                  José Melo da Cruz
publicado por ostubaroes às 12:43
música: A Girl like you
Abril 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
25
26
27
28
29
30
mais comentados
mais sobre mim
pesquisar
 
últ. comentários
ja tenho o livro que comprei na FOTO GERMANO..está...
Eduardo vou com certeza partilhar a tua obra, pare...
O livro será posto à venda a 26 de Setembro de 201...
como se pode comprar o livro
Obrigado, vou por este blog nos meus favoritos, Jo...
Falando do Café Rossio e dos bilhares não se pode ...
Que belas noitadas para n... Ver maisós os mais no...
Olá Tubarões!Que belos momentos vividos, e como se...
Obrigada Carapito. O Zé também tinha um grande car...
blogs SAPO