

O Carnaval de 1968 foi a 27 de Fevereiro. Fomos contratados para fazermos o Canaval na Neve pelo Clube Nacional de Montanhismo. Foi um óptimo contrato objecto de leilão entre as várias propostas que nos surgiram, e que se fechou com um
cachet no valor de 30.000$00 mais a estadia.
Saímos de Viseu no Sábado de manhã à frente de uma grande comitiva com vários carros e muitos amigos. Estava um dia muito frio, chovia muito, e por isso optámos pelo trajecto Viseu, Guarda, Covilhã, Torre. Nevava quando chegámos à Covilhã, onde nos concentrámos e almoçámos. A subida para a Serra foi muito difícil porque caía um grande nevão e havia uma grande fila de trânsito nos dois sentidos. Na frente seguia a D. Urraca (a nossa carrinha VW pão de forma) com o Rogério Dourado e o Victor Barros, carregada com os instrumentos. Subia muito lentamente e começou a patinar. As horas passavam e não se avançava. Pedimos ajuda à GNR que, com dois jeeps, conseguiu fazer chegar a D. Urraca ao Clube de Montanhismo, já rebocada e com o motor gripado.
Com o Salão completamente esgotado, nessa noite a festa começou pouco mais tarde mas animou muito e foi até às tantas.
Foi o Carnaval mais divertido da história do Conjunto.
Cá fora a neve caía incessantemente e as estradas continuavam bloqueadas. O Carnaval da Neve realizava-se nas Penhas da Saúde na Colónia Infantil da Montanha, um edifício grande que além do Salão da Festa tinha várias camaratas. Como ninguém podia sair a Organização disponibilizou as camaratas, divididas em feminina e masculina com os tradicionais beliches, separadas por meias paredes que não chegavam ao tecto. Muito tarde e a más horas, depois de o Baile acabar, começavam os diálogos entre os casais separados na busca dos artigos de higiene, que propiciavam comentários cruzados, oportunos, com muito humor e a gargalhada era geral. O Vató andava muito inspirado e saía-se com cada àparte que não deixava ninguém dormir. E como era Carnaval …
Foi de morrer a rir!
Na foto, da tarde de 25 de Fevereiro de 1968, o José Merino, o Carlos Assunção (Os Corsários) e o Carlos Alberto Loureiro brincam na neve frente à Colónia. Pode ainda ver-se o Cooper do Assunção estacionado junto à Colónia.
Por Eduardo Pinto, extracto das memórias de Os Tubarões.
os.tubaroes.viseu@gmail.com http://ostubaroesviseu.blogs.sapo.pt/
www.facebook.com/tubaroes www.myspace.com/tubaroes
Imprensa em 1968
A imprensa comenta o nosso disco:
“Eles são seis. Carlos Alberto, Vitor Barros, Luis Dutra, José Alexandre, Valdemar António e Eduardo Pinto formam «Os Tubarões». Viseu orgulha-se do seu jovem conjunto. E eles sabem prestigiar a cidade onde vivem. O seu primeiro disco, agora editado pela Alvorada, tem atrás de si quatro anos de preparação, que foi o tempo que «Os tubarões» deram a si próprios para estruturar o conjunto. E o disco, o EP-60-999, com dois trechos em inglês e outros dois em português da autoria dos elementos do sexteto, dá conta do nível atingido pelo conjunto de Viseu."
Letra de António Gedeão, Musica de Valdemar António (Vató) que também é o Intérprete. Gravado para a Alvorada em Outubro de 1967 num Estúdio que ficava na Calçada de Santana em Lisboa. Para a Pós-Produção estava acordado a inclusão de sons marinhos e os ruídos de um mergulhador na fase de refrão e coros, o que não aconteceu. O Disco foi publicado no Carnaval de 1968, quando estava acordado sair no Natal. Teve 5 edições e hoje não há. Procuram-se os Masters !!!