Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
26 de Agosto de 2013

A 26 de Agosto de 1966 AMÁLIA foi a grande atracção da noite no Casino da Figueira da Foz com lotação esgotada.

 

 No Palco do Salão de Café,(e-d) José Merino, Carlos Alberto Loureiro, Eduardo Pinto, Victor Barros e Luis Dutra.
(foto José Santos, Coimbra)

  
 
Programa do Casino de 26 de Agosto 1966  
 
  
 
Licença da Inspecção Geral dos Espectáculos 
 
No camarim onde se preparava para actuar, localizado mesmo por baixo do palco do Salão de Café, onde nós tocávamos, AMÁLIA ouviu-nos, quis conhecer-nos e sugeriu as fotos que o ZÈ GORDO, Fotógrafo do CASINO, registou.
 
(e-d) José Merino, Carlos Alberto Loureiro, Eduardo Pinto, Victor Barros e Luis Dutra.
(foto José Santos, Coimbra.)
 
 "Na época alta de Verão, aos fins de semana, o programa do Casino variava um pouco com a apresentação de uma atracção especial que actuava no Salão Nobre a partir das 00H30. Para 26 de Agosto foi anunciada a presença de Amália Rodrigues.
Num ano em que Amália Rodrigues recebeu o Prémio Pozal Domingos o Casino teve uma das maiores enchentes, mesmo com as entradas a 60$00. Após as variedades no Salão de Café o Casino teve de abrir, excepcionalmente, os dois Salões de Baile, Salão Nobre e Salão de Café, para o público dançar pois as pessoas não cabiam num só. O conjunto de Shegundo Galarza tocava no Salão Nobre e nós no Salão de Café. E mesmo assim ambos estavam cheios. Até nas galerias do Salão do Café se dançava.

Foi uma grande prova de fogo para nós pois tivemos de tocar toda a noite num dos Salões em concorrência com o Shegundo Galarza que tocava no Salão Nobre.

Tocámos a primeira parte entre o final das Variedades do Salão do Café e o início do concerto da Amália (23H15 às 00H30) e depois do concerto de Amália, já que a noite se prolongou até madrugada.

 

 

 Os Tubarões no palco do Salão de Café do Casino da Figueira a 26/8/1966

(e-d) Carlos Alberto Loureiro, José Merino, Eduardo Pinto, Victor Barros e Luis Dutra.

 

 A partir desta noite e até ao final da época, por sugestão da Administração do Casino, com o acordo de todos, passámos a tocar todas as noites alternando de hora a hora com o conjunto de Shegundo Galarza, facto que nos honrou. Atingimos a maioridade musical.

 

Os camarins do Casino situavam-se mesmo por baixo do palco do Salão de Café, onde Amália se preparava para a sua actuação às 00H30. Ouviu-nos tocar e manifestou agrado a quem a acompanhava de querer saber quem éramos. Quando subiu para entrar em cena, momentos antes da sua actuação, nós tínhamos acabado o nosso primeiro take e ainda nos encontrávamos no Palco do Salão do Café. Então Amália convidou-nos a tirar uma foto. Foi interessante, pois a Amália, nervosíssima, fumava cigarro atrás de cigarro, e nós estávamos incrédulos com tão honroso convite. E lá estávamos nós à frente da objectiva do Zé Gordo, fotógrafo oficial do Casino, simpático fanático da Briosa que logo descobriui o ramo de flores, e a Amália, virando-se para nós, "… vamos lá rapazes, isto é muito simples, eu abro os braços, e... já está". E ficaram as fotos para a nossa história.

 

 Muito simpática e conversadora quis saber mais sobre nós, conversou, tiramos outras fotos, e quando chegou a hora foi para o Salão Nobre para mais uma noite de retumbante sucesso. Surpreendeu-nos a simplicidade e franqueza, o tabaco e o nervoso de tão grande estrela. Marcou-nos, claro!

Nos anos seguintes de novo Amália voltou a esgotar o Casino com as suas empolgantes actuações, como em 1968.

   

 

Actuação de AMÁLIA no Salão Nobre do Casino da Figueira a 9 de Agosto de 1968. Lotação completamente esgotada, pista de dança invadida por espectadores sentados no chão e nem o Palco escapou à presença de espectadores que se juntaram aos músicos. Visível no Palcoo José Merino, Eduardo Pinto e Pascoale e outros elementos do Conjunto Pasquale con Franco Etti.
Noite de mais um triunfo de AMÁLIA.
  
in porViseu'60s
porep
 
 
publicado por os tubaroes, Viseu às 00:33
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20 de Dezembro de 2011

 

O nosso Bem Haja a Carlos Menezes.

 

Aprendemos muito com Carlos Menezes .

Em Julho de 1966 conhecemos o Carlos Menezes como viola do Conjunto de Shegundo Galarza. 

Surpreendeu-nos a sua simplicidade, a entrega total e diária ao estudo da sua viola, a disponibilidade e humildade.

Convivemos mais de um mês. Todos os dias. Ensaiava todos os dias, sózinho ou acompanhado.

Um exemplo de um grande profissional que nos marcou.

 

 

 

Carlos Menezes

 

(do livro porViseu60s - Informações em porviseu@sapo.pt )

 

 

"(1966, Julho)

...

.segundo.galarza.

 

Era compreensível o nosso nervoso e a responsabilidade que sentimos quando começámos a alternar com um dos melhores conjuntos portugueses como era o de Shegundo Galarza. O quarteto era composto pelo Maestro, pelo Carlos Menezes, mestre em viola, pelo José Manuel (o Baby Rock) no Baixo e pelo Eduardo Esteves, um figueirense, na bateria. Eram uns Senhores e muito aprendemos a vê-los, a ouvi-los e a assistirmos aos seus ensaios.

 

O mais trabalhador era sem dúvida o Carlos Menezes que chegava sempre uma hora mais cedo para aquecer os dedos, fosse para o ensaio, actuação ou mesmo que não tivesse nada para fazer. Estava sempre a “estudar” viola, como dizia com a sua simpatia e simplicidade. E também aprendemos com estes profissionais que para se tocar bem é preciso ensaiar muito. E isso nunca seria esquecido e foi um bom exemplo que procurámos seguir, de forma menos regular do que eles, é certo. O Conjunto de Shegundo Galarza passou a ser uma referência musical para nós. Voltámos a cruzar-nos numas Festas de Tondela e ainda em outros lugares.

... "

 

Carlos Menezes, um pioneiro na introdução da guitarra elétrica em Portugal, morreu no domingo 2011/12/18 em Lisboa, aos 91 anos.

 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 23:04
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26 de Agosto de 2010

 

A 30 de Abril de 1966 realizou-se a Final do Concurso Ié Ié que teve a presença de 8 conjuntos: 4 de Lisboa (Claves, Ekos, Jets e Chinchilas), os Espaciais do Porto, os Rocks de Angola, os Night Stars de Moçambique e os Tubarões de Viseu. Foi uma longa jornada após 7 meses de eliminatórias onde nos cruzámos com alguns dos melhores conjuntos da época: Sheiks, Galãs, Kzares, Jovens do Ritmo, Químicos, Jets, Claves, Cometas Negros, Monstros e Krawas. Muito trabalho, muitos ensaios, muitas canseiras, e uma grande alegria: A Final !

O Grande Casino Peninsular voltou a chamar-nos em 66, animado que ficou com os resultados do ano anterior e com a recuperação do público jovem, que tão arredado andava das suas salas. Assim a 15 de Maio lá fomos fazer a Matinée de apresentação da Época de 1966, e que anunciava os Conjuntos contratados: Shegundo Galarza, Orquestra de José Santos Rosa e o Trio Juan Ferret.

 

E nós, logo que nos libertámos dos compromissos escolares e após três noites de sucesso na Boîte “A Cabana” nas Festas de S.Pedro do Sul, iniciámos nova época no Grande Casino Peninsular da Figueira da Foz.

A logística da estadia e alimentação ficou a cargo de um dos fornecedores habituais do Casino, a Residencial “O Júlio”, com óptima cozinha regional, muito cúmplice e tolerante com os nossos horários sempre desregrados.

O Casino tinha um programa de Animação geral muito variado que procurava atingir todos os públicos. Todas as noites apresentava Variedades no Salão de Café e Baile no Salão Nobre, por vezes animados com a Eleição de Misses, Tômbolas e outras promoções. As tardes eram destinadas aos públicos mais Jovens com Matinées Dançantes, Garraiadas, Matinées Infantis, Teatro Infantil, Concursos, etc. e ainda organizava Torneios de Bridge e outros, além das Exposições na sua Galeria de Arte.

 

 

ORQUESTRA de JOSÉ SANTOS ROSA - As Variedades começavam às 22H30 no Salão de Café após as quais abria o Baile no Salão Nobre. No ano de 1966 as Variedades tiveram o suporte musical da Orquestra de José Santos Rosa composta por excelentes músicos profissionais, alguns deles elementos de Bandas Militares, ao tempo grandes escolas de músicos. Além do excelente Maestro, lembramo-nos do José Estêvão na bateria, do Floriano Silva no baixo, e do Sousa Galvão que veio a ter o seu próprio Conjunto. E a nós impressionava-nos a rapidez e facilidade com que esta Orquestra pegava nas pautas dos Artistas e em pouco tempo ensaiava, compunha ou refazia os arranjos musicais. E à noite tudo saía perfeito. Fantástico, pensávamos nós.

 

Angel Peiró – O Casino tinha também contratado um exímio pianista que tanto tocava peças sózinho como acompanhava alguns Artistas e por vezes integrava a própria Orquestra. Era um Artista de grande qualidade e gosto musical. E foi um grande amigo nosso que procurava sempre ouvir-nos com atenção fazendo várias sugestões que nós considerávamos muito úteis. De aqui o nosso Bem haja Peiró!

 

SHEGUNDO GALARZA   – É compreensível o nervoso e a responsabilidade que sentimos quando começámos a alternar com um dos melhores Conjuntos Portugueses como era o de Shegundo Galarza. Ao tempo o quarteto era composto pelo Maestro, pelo Carlos Menezes, mestre em viola, pelo José Manuel ( o Baby Rock) no Baixo e pelo Eduardo Esteves na bateria. Eram uns Senhores e muito aprendemos a vê-los, a ouvi-los e a assistirmos aos seus ensaios. O mais trabalhador era sem dúvida o Carlos Menezes que chegava sempre uma hora mais cedo para aquecer os dedos, fosse para o ensaio, actuação ou mesmo que não tivesse nada para fazer. Estava sempre a “estudar” viola, como dizia, com a sua simpatia e simplicidade. E também aprendemos com estes profissionais que para tocarem tinham de ensaiar sempre e muito. E isso nunca era esquecido e foi um bom exemplo que procurámos seguir, de forma menos regular do que eles, é certo.

 

AMÁLIA - Aos fins de semana o Casino apresentava uma Atracção especial e o programa variava um pouco com a apresentação de uma 2ª parte de Variedades com a Atracção no Salão Nobre às 00H30. E assim aconteceu a 26 de Agosto de 1966 com a apresentação especial de Amália no Casino da Figueira da Foz. As entradas eram a 60$00 e nessa noite houve uma das maiores enchentes do Casino. Após as variedades no Salão de Café, excepcionalmente foram abertas as duas pistas de Dança, a do Salão Nobre e a do Salão de Café, pois não cabia tanta gente num único Salão. Shegundo Galarza tocava no Salão Nobre e nós no Salão de Café. E neste, até as galerias serviram de pista de dança. Foi uma noite única!</span></p>

Os Camarins do Casino situavam-se mesmo por baixo do palco do Salão de Café, onde Amália se preparava para a sua actuação às 00H30. Ouviu-nos tocar e manifestou agrado a quem a acompanhava. Quando subiu para entrar em cena falou connosco e convidou-nos a tirar uma foto. Foi interessante, pois a Amália, nervosíssima, fumava cigarro atrás de cigarro, e nós um pouco incrédulos com tão honroso convite. E ela, virando-se para nós, "… vamos lá rapazes, isto é muito simples, eu abro os braços, e... já está". E mais um beijinho a cada um e lá foi para o Salão Nobre para mais uma noite de retumbante sucesso. Surpreendeu-nos a simplicidade e franqueza, o tabaco e o nervoso de tão grande estrela. Marcou-nos, claro! 

 O Casino da Figueira: O Grande Casino Peninsular da Figueira da Foz era uma referência apreciada e visitada por muitos turistas nacionais e internacionais. Muito forte no Jogo, o Casino tinha também muito prestígio enquanto montra artística onde todos os Artistas da época procuravam actuar. Com uma Direcção muito dinâmica liderada pelo Senhor Mendes Pinto, o Casino era um pólo de atracção para os milhares de turistas que nos meses de Julho, Agosto e Setembro passavam pela Figueira da Foz. Nos bastidores do Casino sentia-se muita energia, e um ritmo constante de mudança de cenários e ambientes, com o nítido intuito de servir todos os públicos, do Infantil ao adulto, do amador ao jogador profissional. E tudo funcionava a preceito, sem falhas nem contratempos, e com um ritmo impressionante. Às quintas-feiras, no Salão de Café, era montado um Redondel com todos os atributos de uma Praça de Touros para a realização das Garraiadas Infantis, com gravita no chão, escotilhas, e valentes garraios que os mais jovens e atrevidos, durante a tarde, tentavam pegar. Mas à noite, à hora marcada, o Salão de Café estava de novo impecável para as Variedades que iam começar.

 

A Figueira da Foz estava na moda. Além dos habituais Conimbricenses por ali passavam comunidades das várias cidades do interior do País, de Norte a Sul, e uma grande comunidade Lisboeta. A maior Comunidade internacional era a Espanhola, língua das mais ouvidas no dia a dia e em todas as ruas, e nos anos 60 apareceram muitos holandeses, para além de turistas de todo o Mundo destacando-se os de língua francesa.

 

Artistas: Em 1966, além das Vedetas já referidas, cruzámo-nos no Casino da Figueira com os seguintes Artistas: José Viana, Paula Ribas, Anita Guerreiro, Tony de Matos, Valério Silva e Os Dinâmicos, Tonicha, Mara Abrantes, Florbela Queiroz, Ouro Negro, Os Espaciais, Natércia Maria, Ana Mónica, Badaró, Orquestra Sinfónica do Porto, Cidália Meireles, Lenita Gentil, Trio Guadiana, Cantinflas Junior, Alice Amaro, e muitos outros internacionais que não cabe aqui referir.

Por esta lista se vê a importância do Casino da Figueira para os Artistas portugueses, em 1966.

A 18 de Setembro o Salão Nobre encerrou a época de Verão e a 31 de Outubro foi a Festa de encerramento da Época de 1966.

Com muitas saudades e o nosso Bem Haja!

 

por eduardo pinto

 

 

 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 21:09
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Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
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