Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
25 de Abril de 2017

 

Sarau de Finalistas: 27/1/1968 

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 No ano lectivo de 1967-1968 dois dos elementos do conjunto eram finalistas do Liceu Nacional de Viseu: O José Merino (vocalista) e o Victor Barros (viola ritmo). Esta circunstância levou à sua participação nas festas do fim de curso e, por arrasto, o conjunto foi também envolvido em tais actividades, facto que já acontecera, pelos mesmos motivos, na edição anterior (1966-1967).

As festas dos finalistas tinham várias ocasiões importantes: A eleição da Comissão de Finalistas; a colagem dos cartazes; a serenata às colegas de curso e namoradas; o Baile de Finalistas e o Sarau. O Baile e a Matinée tinham ocorrido a 6 e 7 de Janeiro de 1968 com o Sheiks e Os Tubarões, restando o último grande evento, o Sarau de Finalistas, marcado para Sábado, dia 27 de Janeiro e que envolvia todos os alunos procurando cada um deles demonstrar as suas qualidades artísticas.

 

Vivia-se a 2ª metade dos 60’s. Diversos movimentos despontavam pelo Mundo: Os hippies contra a guerra fria e a guerra do Vietname, a favor dos negros vivia-se o movimento black power, experiências com drogas, a minissaia, os movimentos estudantis invadiam as ruas em contestação e vivia-se o apogeu da influência universal da música dos Beatles com Dylan e os Stone’s por perto, entre outros.

Mesmo numa cidade do interior como Viseu vivia-se uma atmosfera de mudança com reflexos numa juventude mais participativa e o envolvimento de jovens Professores com uma postura de maior proximidade com os seus alunos, como veio a acontecer nesta edição das festas estudantis.

 

Liderados pelo professor Dr. Gustavo Barosa que tinha a seu lado o Dr.José Coelho dos Santos e a D.Sílvia Ribeiro Simões foi preparado um grande Sarau com um enorme cartaz que incluiu:

  • Teatro: “O Doido e a morte”, peça em 1 acto de Raul Brandão;
  • A Poesia de Fernando Pessoa;
  • Dança;
  • Variedades;
  • Fados de Coimbra.

Veja aqui o Programa do Sarau:

 

 Como se pode constatar o programa era ambicioso e foi um sucesso que teve repercussões.

 

Imprensa da época - Jornal da Beira de 2/2/1968

 

 Com a devida vénia transcrevemos excertos reportagem do Jornal da Beira a 2/2/1968:


" Assinalando o centenário do nascimento de Raul Brandão, ocorrido em 1967, foi apresentada a curiosa e divulgada peça “O Doido e a Morte”, em que bem se patenteia o talento polifacetado do autor, que nos legou múltiplas produções literárias, quer como romancista, jornalista e historiador, quer como dramaturgo.A encenação e direcção da mesma peça deve-se à reconhecida competência e dedicação do Prof. Dr. Gustavo Barosa; os ensaios estiveram a cargo de outro mestre, o Sr. Dr. José Coelho dos Santos.

Particularmente boa a interpretação do papel de Milhões, a cargo de José Merino. José Girão, na figura de Governador, ressentiu-se bastante dos trabalhos de preparação, traíndo-o, por vezes, a entoação da voz.

Não quiseram os Finalistas deixar de consagrar um momento de poesia ao grande génio que foi Fernando Pessoa. Numa cuidada selecção, a assembleia foi brindada com a audição de algumas das melhores produções do grande poeta. Disseram-nos: Aurora, Conceição, Isabel, Guida, Natércia, Tita e José Rui. Pouco antes, já os mesmos jovens haviam apresentado produções poéticas de A. Herculano, Florbela Espanca e José Régio.

Uma classe de dança, sob a direcção da Profª. D. Sílvia Simões exibiu-se seguidamente e colheu fortes aplausos.

Na rubrica Variedades, actuou um “respeitável conjunto de bigodes”, com Abel Boavida em vocalista. A parte musical continuou com a actuação de “Os Tubarões” (conjunto académico yé-yé, bem conhecido em Viseu e mesmo fora) e de um grupo de meninas (Raquel, Romy, Luzia e Lucy), vindo o espectáculo a terminar com Fados de Coimbra, em que se exibiram Victor e Luis Gonçalves, à guitarra e à viola, e Abel Boavida, como cantor-solista." 


 

 Nós, "Os Tubarões", estivemos envolvidos nos ensaios e preparação do Sarau além de uma actuação própria. Ensaiámos com três bonitas finalistas a interpretarem outros tantos êxitos da época:

          Na foto (e-d): Luzia Sampaio, Rosa Figueiredo Lopes e Lúcia Vasco.

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No Palco do Ginásio do Liceu, Rosa Figueiredo Lopes interpreta ADIOS AMORE,

 podendo ver-se ainda na foto o Victor Barros (v.ritmo) e o Luis Dutra (v.baixo)

 

 Na nossa actuação apresentámos pela primeira vez em público dois temas inéditos de nossa autoria e que integram o nosso disco EP-60-999, o qual só sairia para o mercado no mês de Fevereiro seguinte: Foram eles BABY IT HURTS e o POEMA do HOMEM RÃ, sendo este tema o 1º poema de um Poeta português consagrado a ser musicado por um conjunto POP.

 

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Fados de Coimbra no encerramento do Sarau: Abel Boavida acompanhado à guitarra pelo Victor Gonçalves e à viola Luis Gonçalves e com a presença no Palco do Ginásio dos Finalistas com as sua Cpas e Batinas.

 

  Foi um agradável Sarau do Liceu que mobilizou de forma entusiasmante os jovens da época e até serviu de inspiração para a criação de um Movimento cultural chamado Geração de 60 que chegou a publicar um Jornal.

 

 

 

  

 Pelo nosso lado mal poderíamos imaginar que a nossa agradável participação no Sarau de Finalistas do Liceu Nacional de Viseu de 1967-1968 viria a ser a nossa última actuação pública em Viseu. Estreámos o nosso disco e nunca mais actuámos na nossa cidade. Continuámos a nossa intensa actividade musical em festas de finalistas, espectáculos, no Casino da Figueira da Foz durante o Verão e, em Setembro, no Baile da Festa das Vindimas em Nelas, anunciámos o fim da carreira musical de “Os Tubarões” pois começámos a ser chamados para cumprirmos o Serviço Militar Obrigatório.

E nós, como tantos outros, lá fomos … e por lá andámos: por África e não só ...

 

porep

Agradecimentos: Rosa Figueiredo Lopes e Jorge Vicente.

publicado por os tubaroes, Viseu às 17:43
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07 de Maio de 2014

No último trimestre de 1967 um dos mais famosos Alfaiates de Viseu, Álvaro Alfaiate, propôs-se fazer uma indumentária moderna para a qual só teríamos de pagar os tecidos a preço de custo. Em troca teríamos de divulgar a Alfaiataria autora de tais trajes, o que aqui também se faz.

 

 

   

E assim nasceram as famosas casacas à Beatles lançadas na capa do Álbum Sargeant Peppers Lonely Hearts Club Band a 1 de Junho de 1967, e que também foram grande sucesso nas nossas actuações. Eram 7 casacas com as cores Azul claro, Azul escuro, Preta, Rosa, Roxa, Verde e Vermelha que muito animavam a nossa presença em Palco.

Nos intervalos das nossas actuações as Casacas iam para a montra do Álvaro Alfaiate da Rua Alexandre Herculano, 179, acompanhadas de fotos e cartazes nos diversos Palcos por onde nós actuávamos.

 

Duas das Casacas originais, a preta do nosso vocalista José Merino e a vermelha do nosso teclista Carlos Alberto Loureiro, estiveram em exposição no Clube de Viseu no dia 26 de Abril de 2014 devidamente acompanhadas por duas das violas originais do Conjunto de 1966: uma Hofner cor de madeira e uma Vox branca (bacalhau); um microfone  Austríaco AKG original e uma coluna de som Dynacord. Por cima desta estava a maquete que serviu para a foto da capa do disco "Poema do Homem Rã" lançado em Fevereiro de 1968. A foto foi tirada em Novembro de 1967, tendo como fundo a parede lateral direita do Padrão dos Descobrimentos, numa manhã de um domingo encoberto, um dia após a gravação do disco.

 

 

  

Agradecemos o apoio do Fotógrafo José Alfredo

 

porep

publicado por os tubaroes, Viseu às 23:43
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21 de Fevereiro de 2011

Quarta feira dia 21 de Fevereiro de 1968 alguém nos avisa que o nosso disco estava nas montras da Casa Torres e Torres na Rua Alexandre Lobo, Viseu. E largámos tudo para o ir ver e ouvir.

Gravado em Novembro de 1967 num Estúdio na Calçada de Santana estranhávamos nunca termos sido chamados para ouvirmos as provas com a pós-produção acordada, nem darem informações sobre o lançamento do disco. A Editora invocava o trabalho de inclusão dos efeitos especiais em algumas músicas como razões para o atraso. Pretendia-se alguma pós-produção cuidada já que as gravações feitas em Lisboa, pressuponham uma revisão e mistura cuidadas e também previam a inclusão de sons externos, essencialmente no Poema do Homem-rã. O Vató, Autor da música, pretendia que fossem incluídos sons do mar, e sons de um mergulhador a entrar na água a descer ao fundo misturados no refrão balanceado da música, nas partes onde, na gravação editada, se podem ouvir assobios e pequenos gritos. E é de notar que o disco era composto por 4 títulos originais completamente desconhecidos do público, o que naquele tempo, era completamente original pois as práticas correntes dos conjuntos como o nosso era editarem “covers” de êxitos internacionais. O exposto releva a importância que para nós tinha este trabalho de pós-produção, devidamente explicado aos Técnicos do Estúdio, pois iria ser uma inovação adicional que seguramente provocaria alguma reacção no público e nas Rádios (principal veículo de promoção naquele tempo).

No Carnaval o disco aparece nas montras, sem qualquer publicidade e, para grande espanto nosso, sem a pós-produção combinada, facto que causou grande perplexidade e desagrado.

E foi assim a 1ª audição do nosso disco. Ouvimos exactamente o que gravamos directamente para a Tape. Nada foi feito, mexido ou corrigido.

 

Eduardo Pinto

os.tubaroes.viseu@gmail.com

publicado por os tubaroes, Viseu às 21:01
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19 de Outubro de 2010

Letra de António Gedeão, Musica de Valdemar António (Vató) que também é o Intérprete. Gravado para a Alvorada em Outubro de 1967 num Estúdio que ficava na Calçada de Santana em Lisboa. Para a Pós-Produção estava acordado a inclusão de sons marinhos e os ruídos de um mergulhador na fase de refrão e coros, o que não aconteceu. O Disco foi publicado no Carnaval de 1968, quando estava acordado sair no Natal. Teve 5 edições e hoje não há. Procuram-se os Masters !!!

publicado por os tubaroes, Viseu às 22:33
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Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
Ler livro aqui
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