Quarta feira dia 21 de Fevereiro de 1968 alguém nos avisa que o nosso disco estava nas montras da Casa Torres e Torres na Rua Alexandre Lobo, Viseu. E largámos tudo para o ir ver e ouvir.
Gravado em Novembro de 1967 num Estúdio na Calçada de Santana estranhávamos nunca termos sido chamados para ouvirmos as provas com a pós-produção acordada, nem darem informações sobre o lançamento do disco. A Editora invocava o trabalho de inclusão dos efeitos especiais em algumas músicas como razões para o atraso. Pretendia-se alguma pós-produção cuidada já que as gravações feitas em Lisboa, pressuponham uma revisão e mistura cuidadas e também previam a inclusão de sons externos, essencialmente no Poema do Homem-rã. O Vató, Autor da música, pretendia que fossem incluídos sons do mar, e sons de um mergulhador a entrar na água a descer ao fundo misturados no refrão balanceado da música, nas partes onde, na gravação editada, se podem ouvir assobios e pequenos gritos. E é de notar que o disco era composto por 4 títulos originais completamente desconhecidos do público, o que naquele tempo, era completamente original pois as práticas correntes dos conjuntos como o nosso era editarem “covers” de êxitos internacionais. O exposto releva a importância que para nós tinha este trabalho de pós-produção, devidamente explicado aos Técnicos do Estúdio, pois iria ser uma inovação adicional que seguramente provocaria alguma reacção no público e nas Rádios (principal veículo de promoção naquele tempo).
No Carnaval o disco aparece nas montras, sem qualquer publicidade e, para grande espanto nosso, sem a pós-produção combinada, facto que causou grande perplexidade e desagrado.
E foi assim a 1ª audição do nosso disco. Ouvimos exactamente o que gravamos directamente para a Tape. Nada foi feito, mexido ou corrigido.
Eduardo Pinto
