Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
28 de Novembro de 2017

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            Decorria o ano de 1967, talvez o mais intenso da nossa carreira musical. Começou com o baile de Finalistas em Viseu a 7 de Janeiro partilhando o palco com o Quinteto Académico e terminou no final do ano no grande Hotel da Figueira da Foz com passagem de modelos Woolmark e noite de fim do ano. Era a seguinte a formação do conjunto: Carlos Loureiro, teclados; Eduardo Pinto, bateria; José Merino, vocalista; Luis Dutra, v.baixo; e Victor Barros, viola ritmo. 

 

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 A 22 de Julho, após as festas de S.Pedro do Sul estreámo-nos no Casino da Figueira com o conjunto João Paulo, e por lá ficámos a tocar até ao final de Setembro com 2 matinées por semana e soirées todos os dias com o descanso às 2ªs feiras. Em meados de Agosto começámos a sentir algum cansaço e ponderámos a necessidade de reforçarmos o conjunto com mais um elemento. Na Figueira da Foz conhecíamos o Vató que convivia connosco no dia a dia, tocava viola tendo contactos musicais com “Os Chinchilas”, tinha gostos musicais próximos dos nossos e também cantava. Começou um namoro que se concretizou em Setembro de 1967.

             Em Outubro vieram as aulas e nós iniciámos o trabalho musical no nosso estúdio em Viseu na Rua Alexandre Herculano. Além da viola Guild Starfire e do amplificador Vox 730 do Vató ainda adquirimos um amplificador Baldwin que era um primor nos agudos.TUB INST 1967 1 c.jpg

 

Ensaiávamos em todos os tempos livres só interrompidos pelas necessidades logísticas de alfaiates e fotos para novos cartazes. Sr. Aires da Foto Aires manifestou muito interesse em fazer fotos do conjunto que, entre outras, deram origem ao cartaz azul.

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Ensaio no Estúdio de Os Tubarões: (e-d): Carlos Loureiro (fora da caixa), teclados; Luis Dutra, viola baixo; Valdemar Ramalho (Vató), viola solo; Victor Barros, viola ritmo, José Merino, vocalista e Eduardo Pinto, baterista.

 

        Continuavam os contactos com as Editoras relativos à gravação do disco. Os grandes activistas desta azáfama eram o Toninho Matos (António Matos) e o seu primo Fernando Pascoal de Matos que concretizaram um contrato exclusivo por 2 anos com a etiqueta Alvorada.

Tínhamos vários originais possíveis de gravação mas a Editora recomendou a inclusão de um tema com letra em português. Esta opção despertou a veia criadora do Vató que musicou o Poema do homem-rã (o 1º Poeta português consagrado a ser musicado por uma banda pop (*). Embora com temas originais suficientes o José Merino, muito inspirado nos últimos temas dos Beatles, criou ainda o Lucky day, e o Baby it hurts, este último bebendo alguma influência nos coros do Holiday, êxito dos Bee Gees.

Foram assim seleccionados os quatro originais, que pode ouvir aqui: 

A gravação foi marcada para o dia 29/11 a partir das 09H30 num Estúdio Alvorada na Calçada de Santana. 

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(e-d) D.Urraca, no Bar do Estúdio e cartaz 1967(4) (Tip.Eden).

 

Seguimos a 28 pela tarde para Lisboa com a D.Urraca carregada com os instrumentos e no dia seguinte, manhã cedo, toca a carregar e montar os instrumentos para um 2º andar sem elevador para o estúdio. Muito curioso foi ter aparecido à porta do estúdio um tal Sr. Barata, da empresa Feira do Disco, empresa que já nos tinha contactado e que queria que anulássemos o compromisso com a Alvorada para assinarmos com eles, opção impossível de satisfazer naquela hora. 

Apesar de muito apressada a gravação não correu mal. Começámos pelo instrumental após o qual fizemos um pequeno intervalo para um café que deu muito geito pois possibilitou a finalização da letra do “Você vai chorar”. Gravámos a parte vocal, foram anotados os detalhes de pós-produção fundamentais no Poema do homem-rã que muito entusiasmaram a equipe do Moreno Pinto e que no essencial deveriam incluir sons de mar e de mergulhadores em três partes da música compostas propositadamente para tal fim. O disco ficou com 4 títulos originais completamente desconhecidos do público, o que naquele tempo não era vulgar pois as práticas dos conjuntos como o nosso era editarem “covers” de êxitos internacionais. O exposto releva a importância que para nós tinha este trabalho cuidado de pós-produção.

O resto da tarde estava reservada para uma sessão fotográfica mas o mau tempo obrigou ao seu adiamento para a manhã seguinte. Este adiamento permitiu dar apoio aos desalojados das cheias em Alverca com a Associação dos Estudantes de Económicas, da qual o Fernando Pascoal de Matos, nosso representante em Lisboa, era membro.

Na manhã de 30/11 fomos até à beira rio em Belém tirar as fotos para a capa do disco. A foto seleccionada foi uma das tiradas junto ao Monumento dos Descobrimentos, coladinhos à sua base, com o Victor com os joelhos encolhidos para todos aparentarmos a mesma estatura. Com a excepção do Vató (1º esquerda) e do Luis Dutra (penúltimo), vestíamos as nossas casacas inspiradas no modelo do Sargeant Peppers.

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 (e-d) Vató, Eduardo Pinto, José Merino, Victor Barros, Luis Dutra e Carlos Loureiro.

 

         Regressámos a Viseu sexta-feira 1 de Dezembro confiantes no entusiasmo da equipa técnica que bem anotou o que pretendíamos na pós-produção e no resultado que a inclusão dos sons do mar no “Poema do homem-rã” iria provocar.

Pretendia-se que o disco viesse a ser editado no Natal mas tal só veio a acontecer no Carnaval de 1968. Quando o ouvimos a 1ª vez o disco numa casa de discos de Viseu constatámos, com grande tristeza, o incumprimento contratual da Editora no pós-produção do disco. Disco B.jpg

 

Andámos sempre bem acompanhados. O nosso Bem Haja aos amigos:

Alberto Martins Carrilho, António Matos, António Xavier de Sá Loureiro, Camané Serpa, Fernando Pascoal de Matos, José Sacadura, Maurício de Sousa e Rogério Dourado.

porep

fonte: (*) Blog IÉ-IÉ

publicado por os tubaroes, Viseu às 23:42
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27 de Novembro de 2017

 

Sarau de Finalistas: 27/1/1968 

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 No ano lectivo de 1967-1968 dois dos elementos do conjunto eram finalistas do Liceu Nacional de Viseu: O José Merino (vocalista) e o Victor Barros (viola ritmo). Esta circunstância levou à sua participação nas festas do fim de curso e, por arrasto, o conjunto foi também envolvido em tais actividades, facto que já acontecera, pelos mesmos motivos, na edição anterior (1966-1967).

As festas dos finalistas tinham várias ocasiões importantes: A eleição da Comissão de Finalistas; a colagem dos cartazes; a serenata às colegas de curso e namoradas; o Baile de Finalistas e o Sarau. O Baile e a Matinée tinham ocorrido a 6 e 7 de Janeiro de 1968 com o Sheiks e Os Tubarões, restando o último grande evento, o Sarau de Finalistas, marcado para Sábado, dia 27 de Janeiro e que envolvia todos os alunos procurando cada um deles demonstrar as suas qualidades artísticas.

 

Vivia-se a 2ª metade dos 60’s. Diversos movimentos despontavam pelo Mundo: Os hippies contra a guerra fria e a guerra do Vietname, a favor dos negros vivia-se o movimento black power, experiências com drogas, a minissaia, os movimentos estudantis invadiam as ruas em contestação e vivia-se o apogeu da influência universal da música dos Beatles com Dylan e os Stone’s por perto, entre outros.

Mesmo numa cidade do interior como Viseu vivia-se uma atmosfera de mudança com reflexos numa juventude mais participativa e o envolvimento de jovens Professores com uma postura de maior proximidade com os seus alunos, como veio a acontecer nesta edição das festas estudantis.

 

Liderados pelo professor Dr. Gustavo Barosa que tinha a seu lado o Dr.José Coelho dos Santos e a D.Sílvia Ribeiro Simões foi preparado um grande Sarau com um enorme cartaz que incluiu:

  • Teatro: “O Doido e a morte”, peça em 1 acto de Raul Brandão;
  • A Poesia de Fernando Pessoa;
  • Dança;
  • Variedades;
  • Fados de Coimbra.

Veja aqui o Programa do Sarau:

 

 Como se pode constatar o programa era ambicioso e foi um sucesso que teve repercussões.

 

Imprensa da época - Jornal da Beira de 2/2/1968

 

 Com a devida vénia transcrevemos excertos reportagem do Jornal da Beira a 2/2/1968:


" Assinalando o centenário do nascimento de Raul Brandão, ocorrido em 1967, foi apresentada a curiosa e divulgada peça “O Doido e a Morte”, em que bem se patenteia o talento polifacetado do autor, que nos legou múltiplas produções literárias, quer como romancista, jornalista e historiador, quer como dramaturgo.A encenação e direcção da mesma peça deve-se à reconhecida competência e dedicação do Prof. Dr. Gustavo Barosa; os ensaios estiveram a cargo de outro mestre, o Sr. Dr. José Coelho dos Santos.

Particularmente boa a interpretação do papel de Milhões, a cargo de José Merino. José Girão, na figura de Governador, ressentiu-se bastante dos trabalhos de preparação, traíndo-o, por vezes, a entoação da voz.

Não quiseram os Finalistas deixar de consagrar um momento de poesia ao grande génio que foi Fernando Pessoa. Numa cuidada selecção, a assembleia foi brindada com a audição de algumas das melhores produções do grande poeta. Disseram-nos: Aurora, Conceição, Isabel, Guida, Natércia, Tita e José Rui. Pouco antes, já os mesmos jovens haviam apresentado produções poéticas de A. Herculano, Florbela Espanca e José Régio.

Uma classe de dança, sob a direcção da Profª. D. Sílvia Simões exibiu-se seguidamente e colheu fortes aplausos.

Na rubrica Variedades, actuou um “respeitável conjunto de bigodes”, com Abel Boavida em vocalista. A parte musical continuou com a actuação de “Os Tubarões” (conjunto académico yé-yé, bem conhecido em Viseu e mesmo fora) e de um grupo de meninas (Raquel, Romy, Luzia e Lucy), vindo o espectáculo a terminar com Fados de Coimbra, em que se exibiram Victor e Luis Gonçalves, à guitarra e à viola, e Abel Boavida, como cantor-solista." 


 

 Nós, "Os Tubarões", estivemos envolvidos nos ensaios e preparação do Sarau além de uma actuação própria. Ensaiámos com três bonitas finalistas a interpretarem outros tantos êxitos da época:

          Na foto (e-d): Luzia Sampaio, Rosa Figueiredo Lopes e Lúcia Vasco.

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No Palco do Ginásio do Liceu, Rosa Figueiredo Lopes interpreta ADIOS AMORE,

 podendo ver-se ainda na foto o Victor Barros (v.ritmo) e o Luis Dutra (v.baixo)

 

 Na nossa actuação apresentámos pela primeira vez em público dois temas inéditos de nossa autoria e que integram o nosso disco EP-60-999, o qual só sairia para o mercado no mês de Fevereiro seguinte: Foram eles BABY IT HURTS e o POEMA do HOMEM RÃ, sendo este tema o 1º poema de um Poeta português consagrado a ser musicado por um conjunto POP.

 

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Fados de Coimbra no encerramento do Sarau: Abel Boavida acompanhado à guitarra pelo Victor Gonçalves e à viola Luis Gonçalves e com a presença no Palco do Ginásio dos Finalistas com as sua Cpas e Batinas.

 

  Foi um agradável Sarau do Liceu que mobilizou de forma entusiasmante os jovens da época e até serviu de inspiração para a criação de um Movimento cultural chamado Geração de 60 que chegou a publicar um Jornal.

 

 

 

  

 Pelo nosso lado mal poderíamos imaginar que a nossa agradável participação no Sarau de Finalistas do Liceu Nacional de Viseu de 1967-1968 viria a ser a nossa última actuação pública em Viseu. Estreámos o nosso disco e nunca mais actuámos na nossa cidade. Continuámos a nossa intensa actividade musical em festas de finalistas, espectáculos, no Casino da Figueira da Foz durante o Verão e, em Setembro, no Baile da Festa das Vindimas em Nelas, anunciámos o fim da carreira musical de “Os Tubarões” pois começámos a ser chamados para cumprirmos o Serviço Militar Obrigatório.

E nós, como tantos outros, lá fomos … e por lá andámos: por África e não só ...

 

porep

Agradecimentos: Rosa Figueiredo Lopes e Jorge Vicente.

publicado por os tubaroes, Viseu às 12:51
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04 de Janeiro de 2016

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 (Fotos da Foto Germano)

 

O nosso Verão musical em 1964 foi passado nas Termas de S.Pedro do Sul. Foram umas férias fantásticas de convívio, muita amizade e um verdadeiro estágio musical. Tocámos em 3 Palcos: Na FNAT em espectáculos de encerramento dos turnos quinzenais, no Casino Rainha D. Amélia onde realizámos os nossos primeiros bailes com cachet, e na MÓ, a 1ª e mais original Boîte das Termas que se localizava na cobertura de um velho moinho na margem norte do Rio Vouga no início da ponte.

Retomadas as aulas entrou para o Conjunto o Carlos Alberto Loureiro (teclados) e saiu o António Fernandes (viola solo) por ter ido estudar para Lisboa. O Pai do Carlos Alberto, o Senhor António Xavier de Sá Loureiro, passou a ser o nosso Empresário gerindo a nossa carreira. A nossa sede para contactos era na Rua 5 de Outubro, 103-2º, casa do Alberto Carrilho nosso Relações Públicas.

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Estava acordado irmos animar as festas do Clube de Viseu – Baile de fim do ano e matinée dançante no dia 1.

Naquele ano, 1964, tinha sido inaugurado o Hotel Grão Vasco o que foi um grande acontecimento na cidade.

 

" Em 1964 Viseu tinha como oferta turística hoteleira várias Pensões: André (hoje Rossio/Parque), Central (muito popular por ter lançado o primeiro snack bar na cidade, A Gruta, com o famoso prego com ovo a cavalo), Ramboia, Bocage, Ideal, Passarinho, S. Lázaro, Preto, Viriato, Lusitana, Parreira do Minho, e eventualmente outras. Mas Hotel só havia o Avenida justificando-se plenamente um novo Hotel na cidade. Pertencente à Família Ferreira dos Santos, Família muito conhecida e de prestígio na cidade, donos da Estalagem Viriato localizada junto à Ponte de Fagilde a caminho de Mangualde, o Hotel Grão Vasco foi construído no espaço do antigo Quartel e tinha como seu Director Geral o João Ferreira dos Santos que quis organizar uma festa no 1º fim de ano do Hotel ...".

 

João Ferreira dos Santos entrou em contacto com o Sr. António Xavier Loureiro para nos contratar para irmos animar o fim do ano no Hotel. O contrato com o Hotel foi fechado pelo cachet de 4.000$00.

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O Baile do fim de ano realizou-se no Salão do Hotel frontal à recepção e o nosso Palco ficou instalado por baixo da zona das escadas para o 1º piso. Foi a nossa prova de fogo na cidade. Começámos pelas 23H00 e foi até às 04H00 da manhã, só nós, com poucos intervalos pois não havia outro sistema de som. Salão esgotado com a presença dos hóspedes do Hotel e também muitas famílias da cidade que não quiseram faltar a tão importante evento no lugar mais chique de Viseu. Para nós foi a primeira apresentação pública na cidade e, como é natural nestas situações, fomos alvo de um apertado escrutínio com todos os presentes a opinarem sobre o nosso desempenho: “São geitosos” deve ter sido a frase mais ouvida na noite a nosso respeito.

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 A formação que actuou no Hotel Grão Vasco no fim do ano de 1964 (e-d): Victor Barros, viola ritmo, José Merino, voz, Luis Dutra, viola baixo, Eduardo Pinto, bateria e Carlos Alberto Loureiro, teclados.

 

A partir de 1965 o Hotel Grão Vasco passou a ser uma verdadeira sala de visitas da cidade de Viseu. Davam-se os primeiros passos no fomento do Turismo em Portugal e, com o novo Hotel Grão Vasco, a cidade passou a ser incluída nos roteiros turísticos de Portugal. Começaram a chegar autocarros com excursões de turistas de várias origens, com preponderância para os Franceses e os Brasileiros. Geralmente chegavam às 3ªs ou 4ªs feiras pelas 19H00, instalavam-se, jantavam e dormiam. Na manhã do dia seguinte visitavam a cidade (a Rua Formosa, Mercado 2 de Maio, Rua do Comércio e Centro Histórico e Rua Direita) e seguiam para outras paragens.

Em 1966, após a final do Concurso IÉ-IÉ, o nosso amigo Germano fez um conjunto de fotografias no átrio do Hotel e de uma delas, um postal ilustrado que era vendido nos Agostinhos, no Café Rossio e em várias tabacarias da cidade e consta que foi um sucesso comercial.

 

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Em 1967 voltámos a actuar no Hotel Grão Vasco dando suporte a uma série de passagens de Modelos da Woolmark que acompanhámos em várias partes do País.

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Hotel Grão Vasco, 1967 (e-d): José Merino, voz; Carlos Loureiro, teclados, Victor Barros, viola ritmo, Eduardo Pinto, bateria e Luis Dutra, viola baixo. 

 

Agradecimentos: Foto Germano;

Citação: porViseu 60's

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publicado por os tubaroes, Viseu às 19:25
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07 de Maio de 2014

No último trimestre de 1967 um dos mais famosos Alfaiates de Viseu, Álvaro Alfaiate, propôs-se fazer uma indumentária moderna para a qual só teríamos de pagar os tecidos a preço de custo. Em troca teríamos de divulgar a Alfaiataria autora de tais trajes, o que aqui também se faz.

 

 

   

E assim nasceram as famosas casacas à Beatles lançadas na capa do Álbum Sargeant Peppers Lonely Hearts Club Band a 1 de Junho de 1967, e que também foram grande sucesso nas nossas actuações. Eram 7 casacas com as cores Azul claro, Azul escuro, Preta, Rosa, Roxa, Verde e Vermelha que muito animavam a nossa presença em Palco.

Nos intervalos das nossas actuações as Casacas iam para a montra do Álvaro Alfaiate da Rua Alexandre Herculano, 179, acompanhadas de fotos e cartazes nos diversos Palcos por onde nós actuávamos.

 

Duas das Casacas originais, a preta do nosso vocalista José Merino e a vermelha do nosso teclista Carlos Alberto Loureiro, estiveram em exposição no Clube de Viseu no dia 26 de Abril de 2014 devidamente acompanhadas por duas das violas originais do Conjunto de 1966: uma Hofner cor de madeira e uma Vox branca (bacalhau); um microfone  Austríaco AKG original e uma coluna de som Dynacord. Por cima desta estava a maquete que serviu para a foto da capa do disco "Poema do Homem Rã" lançado em Fevereiro de 1968. A foto foi tirada em Novembro de 1967, tendo como fundo a parede lateral direita do Padrão dos Descobrimentos, numa manhã de um domingo encoberto, um dia após a gravação do disco.

 

 

  

Agradecemos o apoio do Fotógrafo José Alfredo

 

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publicado por os tubaroes, Viseu às 23:43
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04 de Maio de 2014

Com o apoio das fotos do Fotógrafo José Alfredo reproduzimos alguns momentos da evocação dos 50 anos da estreia de "Os Tubarões" no Clube de Viseu no dia 26 de Abril de 2014:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

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03 de Maio de 2014

Na busca de novos documentos relacionados com a vida do conjunto batemos à porta do Clube de Viseu para saber se no arquivo daquela instituição existiam algumas fotos ou outros documentos. Nada havia.

 

Decidimos então oferecer o espólio do Conjunto relacionado com as nossas actuações naquela Instituição, o que aconteceu num acto público de entrega que ocorreu a 13 de Dezembro último.

 

No seguimento desta oferta entendeu o Clube de Viseu fazer uma vitrine para a exposição deste material convidando-nos para a sua inauguração pelo Dr. Francisco Mendes da Silva, Presidente do Clube de Viseu, no passado dia 26/4, precisamente 50 anos depois de o conjunto se ter estreado no lindíssimo Salão Nobre daquela instituição.

 

Na vitrine podem ver-se 9 fotos de 1963 a 1967, o disco vinil e a bobine magnética original da gravação ao vivo de Old Lady, de Outubro de 1966, registo em sala (live on tape) dos seguintes originais: Old lady (José Merino), A girl for me (José Merino, Luis Dutra), Come back (José Merino, Victor Barros), e outros adereços do conjunto como carteiras profissionais, miniatura da D.Urraca (a carrinha pão de forma do conjunto onde se transportavam os instrumentos e equipamentos, etc …

  

 

 

 

 

  

 

 

 

- Agradecemos o apoio da CITAC - Iluminação que iluminou a vitrine;

 

- Agradecemos os apoios do Fotógrafo José Alfredo e as fotos do José Tomás;

- Agradecemos o apoio do Clube de Viseu 

porep
publicado por os tubaroes, Viseu às 16:11
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02 de Maio de 2014

No Salão do piano do Clube de Viseu foi montada uma exposição com a Memória do Conjunto “Os Tubarões”, composta por 5 paineis e uma mostra de trajes e instrumentos originais do conjunto nos 60’s.

Os 4 primeiros paineis retratavam a vida do conjunto nos anos 1964 a 1968 com a composição do Conjunto, fotografias, programas, cartazes e outros documentos originais de cada ano:

 

1964 e 1965

Os Tubarões 1964 e 1965:

Fotos da estreia do conjunto no Salão Nobre do Clube de Viseu a 26/4/1964. A rodagem nas Termas de S.Pedro Sul. A inauguração do Restaurante/Bar O Tubarão na Figueira da Foz; O Casino da Figueira, as carteiras profissionais. A entrada do Quim Guimarães e a participação no Concurso IÉ-IÉ:

 

1966

Nomeados Embaixadores de Viseu, a final do IÉ-IÉ, os espectáculos em Viseu, Brasil em Viseu, a Figueira da Foz, as fotos do Germano, o Verão no Casino, a foto com Amália, programas do Casino, a gravação do disco Old Lady no Clube de Viseu, a D.Urraca, o Estúdio na Alexandre Hercularo:

  

 

1967

Bailes de Finalisttas; Festa do III aniversário com Tonicha e os Corsários, actuação na Boite "O Caruncho" em Lisboa, o Verão no Casino, a gravação do disco, programas, minuta de contrato. Fotos com Simone de Oliveira e Nicolau Breyner no Casino Figueira. Recortes de imprensa.

 

 

1968

Bailes de Finalistas, o Carnaval na Neve, a saída do disco, de novo o Verão no Casino com Juan Manuel Serrat, Duo Dinãmico, o nosso Estúdio, Playlist, entrevistas, etc ...

 

 

IÉ-IÉ:

Eliminatoria de 10 de outubro de 1965; Meia Final a 15 de Janeiro de 1966 e Final a 30 de Abril 1966.

 

 

 Trajes e Instrumentos:

Casacas à Beatles de 1967, Viola Hofner de 1964 e viola Vox de 1965. microfone AKG, coluna Dynacord e maquete da capa do disco Poema do Homem Rã".

 

 

Com o nosso Bem Haja a José Tomás pelo apoio e fotos.

 

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publicado por os tubaroes, Viseu às 10:08
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12 de Julho de 2013

José Merino

 

José Alexandre Arriaga Merino (1948-2009)

 

O Zé Merino era o mais criativo de todos nós. Tinha uma voz poderosa que tanto cantava Tom Jones, Eric Burdon, Bécaud ou Bee Gees, nunca faltando os seus idolatrados Beatles de quem absorvia tudo, conhecia todas as músicas, e sabia quase todas as letras. E este pormenor muito contribuiu para a sua evolução enquanto vocalista e também fomentou a sua veia criativa. Tudo o inspirava para a criação de novos temas. O Zé, se tivesse tocado um instrumento, teria sido um criador musical único. Dos sete originais que temos registados esteve presente em 6 e foi o principal autor de 5. E mais não fez por se esquecer das muitas criações que lhe surgiam na cabeça e que mais tarde não conseguia reproduzir junto dos restantes membros do conjunto. Seguramente com um instrumento á mão tais criações não seriam esquecidas. O timbre da sua voz era uma das marcas do nosso conjunto.

(in porViseu’60s)

 

Homem de paixões, de exageros, de deveres e de obrigações, na família, na amizade, no trabalho, na lealdade e até no seu lazer.

Nada tinha meio termo. Nem o mau feitio.

Cresceu e viveu na Quinta da Pinheira, em Santo Estêvão, Viseu, seguramente a sua primeira paixão, e daí lhe ficou o seu amor à terra e à natureza, que sempre o acompanhou durante a vida.

No Liceu de Viseu encontrou-se com a música, a sua segunda paixão, os Beatles e as cantorias, e nos amores encontrou inspiração para as muitas melodias que criou, e cujas letras efectivamente sabia.

A tropa interrompeu o seu curso na Escola Agrícola de Coimbra e levou-o até Angola onde criou novos e bons Amigos, outra paixão que perdurou.

Cedo se assumiu responsável, cumpridor, honesto, trabalhador, intransigente na defesa dos mais fracos, sempre ao lado dos seus, e muito sensível às injustiças.

Autodidacta na Arquitectura revelou um traço único em vários e meticulosos projectos para os Amigos, a que se dedicou.

A quinta era a sua Amante e a ela dedicou todo o seu tempo, talento e tanta energia, que à noite recuperava em boa companhia e sempre com a melhor gastronomia.

 

Leu bastante, escreveu alguma coisa, e nada divulgou. Ficou em projecto.

Nobre no carácter, teimoso, possessivo, fértil e fiel na amizade e no amor.

Zé, Fazes falta.

 

porep

 

 

ABRAÇO. Saudades.

T&Tubarões.

publicado por os tubaroes, Viseu às 01:18
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27 de Junho de 2013

S. Pedro do Sul foi uma terra importante na carreira de “Os Tubarões” por influência da Família do Vitó (Victor Barros), especialmente dos seus Pais D. Margarida Barros e Sr. Francisco Barros que sempre nos acarinharam e trataram como filhos. A porta da casa de S.Pedro estava sempre aberta e foram inúmeras as vezes que por ali ficámos com cama, mesa e roupa lavada.

 

Pois nos finais de 1963 lá fomos tocar no Clube de S.Pedro com instrumentos emprestados. Tocámos meia dúzia de músicas que todos esqueceram, nem seriam para recordar.

Já em 1964, estagiamos nas Termas, actuámos na FNAT, na MÓ - a primeira discoteca da terra construída no cimo do edifício cilindríco de um antigo moinho localizado mesmo junto do rio com acesso pelo lado direito da ponte em frente à Pensão David e no então chamado Casino – localizado no primeiro andar do Balneário Rainha D. Amélia. Em 1965 e 1966 animámos diversas festas no Hotel Lisboa.

Em 1967, no Cine-Teatro de S.Pedro do Sul demos um concerto de beneficência a favor dos Bombeiros Voluntários e acompanhámos a Lenita Gentil, actuámos nas Festas da Vila em Junho num Arraial Minhoto localizado nos Jardins do Palácio do Marquês de Reriz e em 1968 na Cabana, uma Boîte criada nos jardins da Vivenda Maria José, frontal ao jardim da Câmara Municipal.

As fotos reproduzem a nossa actuação nas Festas do S.Pedro na Cabana.

 

 Legenda (esq-dir): Carlos Alberto Loureiro (teclas), José Merino (voz), Victor Barros (v-ritmo), Eduardo Pinto (bateria) e Luis Dutra(v-baixo). Os exames retiveram o Vató no Colégio do Carregal do Sal, onde estudava, pelo que não participou na festa.

 

Estaríamos sem dúvida no auge da nossa carreira em termos musicais e instrumentais, como se comprova nas fotos.

 

 

Instrumentos: Orgão Farfisa Compact Duo; Violas Fender Stratocaster e Guild Starfire Bass.

 Amplificadores: VOX AC30; VOX UL460; VOX730 e Burns 6X2 120 para as vozes.

 

 E as Festas de S.Pedro em S.Pedro do Sul em 1968 foram um retumbante sucesso ainda hoje recordadas por muitos, como o descreve o Zé Pereira que as organizou e até aliciou o VItó conseguindo não só a nossa presença "Cabeça de Cartaz" como um reduzido cachet (três actuações com o cachet de duas) num lanche negocial animado que ele ainda hoje recorda. 

  

“  ...    V.Exª deverá recordar-se da importância que teve no ano de 1968 o contrato fechado com a famosa discoteca "A CABANA" com o qual esse grupo foi beneficiado a troco de umas cervejas pagas pelo Vitó nas negociações que ocorreram, no Café do ………, no largo frente á sua casa. 

O êxito então verificado ficou a dever-se em grande parte à promoção que fizemos nos meios de comunicação social nacionais e internacionais, o que chegou a ter a intervenção da PIDE e dos nossos amigos Legionários para controlar e fiscalizar o elevado número de entradas. O Comandante era nosso amigo pois diariamente se alimentava de bom vinho de Lafões tendo também ajudado sem problemas. A "grande enchente" feminina foi motivada pelos artistas, belos, garbosos e altamente coloridos, que tocaram e encantaram levando a referida população feminina a manifestar-se estrondosamente…

 

Com a colaboração de Zé Pereira.

 

 

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06 de Julho de 2012

 

Orfeão de Viseu

 

Nas décadas de 1950/60 o Orfeão de Viseu tinha uma grande actividade cultural promovendo o Canto, Teatro, Poesia e Variedades.

Eram famosos os concertos dados pelo Orfeão de Viseu que se deslocava a várias localidade das regiões Centro e Norte do País.

 

Teatro no Orfeão de Viseu, 1950.
 

 

 

     Ulisses Sacramento, viseense de gema, iniciou as suas lides artísticas no Orfeão de Viseu na representação teatral e também no canto, actividade ao tempo orientada pelo Maestro Mário Costa. Ulisses Sacramento salientava-se quer na representação quer no canto e, com o seu grande à vontade, contagiava com a sua boa disposição e laracha todos os que o rodeavam.

 

                 Ulisses Sacramento, 1951.

 

 Os Companheiros da Alegria

 

Em 1951 a organização da Volta a Portugal desafia Igrejas Caeiro a organizar um espectáculo em cada localidade onde a Volta a Portugal chegava. Igrejas Caeiro aceitou o desafio e iniciou um projecto cultural de cariz popular muito inovador com o nome de “Os Companheiros da Alegria”.

Começou por ser um espectáculo de variedades de música ligeira com variados concursos que em cada um dos espectáculos procuravam envolver os
locais tornando o espectáculo interactivo. E em simultâneo com o espectáculo Igrejas Caeiro lançou também um programa diário de rádio transmitido pelo Rádio Clube Português.

 

“Os Companheiros da Alegria” tiveram um grande sucesso e formaram-se enquanto Companhia de Teatro que, mesmo após a Volta a Portugal, não parava com os espectáculos por todo o País.

Um grande sucesso nacional que com o passar do tempo enriqueceu o seu formato de espectáculo com a inclusão de rubricas de Teatro, Revista e Opereta, atraindo também os maiores nomes artísticos nacionais da época.

 

Os Companheiros da Alegria, 1953.

 

Os espectáculos integravam variados tipos de concursos, alguns dos quais destinados a descobrir novos Artistas como  “Tem um minuto para mostrar o que vale”. Na primeira vez que a Volta passou por Viseu com “Os Companheiros da Alegria”, Ulisses Sacramento foi desafiado por amigos a ir até ao Avenida Teatro assistir e participar nesse concurso. E a sua prestação foi tão eloquente que foi contratado por Igrejas Caeiro para integrar de imediato o elenco dos “Companheiros da Alegria”.

Ulisses Fernando, seu novo nome artístico, iniciou assim uma carreira profissional nos Companheiros da Alegria com a sua primeira actuação oficial no Cine Teatro da Guarda. Com a sua voz romântica de timbre muito harmonioso e bonito especializou-se na chansonnette francesa, tipo de música que dominava os êxitos da época, com grandes nomes do Musicall Francês como Edith Piaf, Maurice Chevalier, Charles Trenet, Gilbert Bécaud, entre outros.

E foram vários os sucessos interpretados por Ulisses Fernando como Bell Ami, Douce France, Bolero, Mademoiselle de Paris e Pigalle.

 

Ulisses Fernando (Sacramento) com Igrejas Caeiro e outros Artistas dos Companheiros da Alegria.

 

Ulisses Fernando Sacramento fez a sua carreira profissional como elemento efectivo dos Companheiros da Alegria onde fez Teatro, Revista e Opereta, cantou e encantou com as suas interpretações e ouviu muitos aplausos dos quais o que mais o marcaram foi uma das suas actuações no S.Luis onde foi ovacionado de pé por todo o público.

 

Em 1954 Igrejas Caeiro instala “Os Companheiros da Alegria” no Teatro da Trindade em Lisboa.

Com todos os espectáculos esgotados recebe uma nota da Inspecção Geral dos Espectáculos proibindo a continuação da sua actividade teatral. Segundo informações da época este facto deveu-se a uma entrevista de Igrejas Caeiro em que este Artista afirmava que “Nehru era o maior estadista daquela geração”.

Vivia-se em pleno a época salazarista e uma declaração destas era perturbadora para um regime que apreciava pouco tanto sucesso não controlável daquele grupo independente. E assim aproveitou este facto para encerrar as actividades da Companhia levando todos os seus Artistas para o desemprego. Ulisses Fernando foi assim apanhado nesta proibição que também o impediu de ir cumprir um excelente contrato para uma digressão acordada para Angola.

 

Ulisses Fernando regressou de novo a Viseu onde acabou por integrar como vocalista a Orquestra Cine Jazz dirigida pela Maestro Mário Costa vivendo alguns momentos de glória uma vez que além de cantor era um grande entertainer e apresentador que animava todas as festas da Região.

 

Actuação da Orquestra Cine Jazz com Mário Costa ao piano, Ulisses Sacramento vocalista, Carlinhos da Sé na bateria, António Correia no violino, Chaves no saxofone e Manuel Pires no rabecão.

 

              Ulisses Sacramento em palco.

 

Ulisses Fernando Sacramento, Artista ilustre de Viseu, tem hoje 89 anos e vive na sua cidade mais longe do nosso Rossio de que tanto gosta e do qual tem muitas saudades.

 

porep com a devida vénia de porViseu!

 

Com a colaboração de Teresa Merino e Celso Albergaria;

 

Apoios : FOTO GERMANO

              e Luis Costa

publicado por os tubaroes, Viseu às 17:34
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