Este blog descreve momentos da vida do Conjunto Académico "Os Tubarões", de Viseu, entre 1961 e 1968.
08 de Dezembro de 2009

     Homem de paixões, de exageros, de deveres e de obrigações, na família, na amizade, no trabalho, na lealdade e até no seu lazer.

Nada tinha meio termo. Nem o mau feitio.
Cresceu e viveu na Quinta da Pinheira, em Santo Estêvão, Viseu, seguramente a sua primeira paixão, e daí lhe ficou o seu amor à terra e à natureza, que sempre o acompanhou durante a vida.
No Liceu de Viseu encontrou-se com a música, a sua segunda paixão, os Beatles e as cantorias, e nos amores encontrou inspiração para as muitas melodias que criou, e cujas letras efectivamente sabia.
A tropa interrompeu o seu curso na Escola Agrícola de Coimbra e levou-o até Angola onde criou novos e bons Amigos, outra paixão que perdurou.
Cedo se assumiu responsável, cumpridor, honesto, trabalhador, intransigente na defesa dos mais fracos, sempre ao lado dos seus, e muito sensível às injustiças.
Autodidacta na Arquitectura revelou um traço único em vários e meticulosos projectos para os Amigos, a que se dedicou.
A quinta era a sua Amante e a ela dedicou todo o seu tempo, talento e tanta energia, que à noite recuperava em boa companhia e sempre com a melhor gastronomia.
Leu bastante, escreveu alguma coisa, e nada divulgou. Ficou em projecto.
Nobre no carácter, teimoso, possessivo, fértil e fiel na amizade e no amor.
Zé, Fazes falta.
eduardo
publicado por ostubaroes às 22:10
07 de Dezembro de 2009

Conheci o Zé em Janeiro de 1972, quando ele e o Carvalheira acompanharam o nosso pelotão de Nova Lisboa para Nova Chaves, enquanto terminava o "curso" de minas e armadilhas em Luanda.
   Confesso que na altura o achei distante, formal e até um pouco frio. Nos 12 ou 13 meses seguintes forjamos uma sólida amizade que se manteve inalterada durante 37 anos.
   Durante o serviço militar no Leste formamos um grupo de combate unido, e  sou sincero quando digo que ele era o maior dos elementos aglutinadores, dada a relação que estabeleceu com os soldados e especialmente com os cabos do pelotão. O Mutenga e o Paulo Farias simplesmente o idolatravam e em operações os três, sem menosprezo de ninguém, organizavam impecávelmente todos os aspectos de segurança. O Lewu, chefe do GE 318, era tão amigo dele que lhe emprestava, o amuleto anti-balas, nas raras operações em que não nos acompanhava.
   Posso dizer, sem receio de errar, que a alegria quase permanente que era a marca registada dele, atenuou a todos nós a dureza daqueles tempos muito dificeis. 
   Sempre o incluí no meu restrito grupo de amigos indefectíveis. Com o desaparecimento físico dele perdi um dos meus grandes amigos, mas a profunda amizade que sempre nos uniu, não desaparecerá.

                                                                                                                               Até sempre Zé Merino.

                                                                                                                                          António Baptista

publicado por ostubaroes às 23:50
16 de Julho de 2009

 

No Fontelo de outros desígnios sonhados
Pássaros alegres vagueando em lentas danças
Ouvem-se águas cristalinas a jorrar
Soa o sinal de partida e já avanças
Com a pressa de quem primeiro quer chegar
 
Guarda à mão o bush mills da bonança
Que não dispenso de comigo partilhares
Na sã ternura dos afectos e na lembrança
Da cumplicidade e provação noutros lugares
 
Inocentes folguedos de menino na Pinheira
Paixões ardentes nas noites cálidas da Figueira
Pelo meio, o apelo da terra pode esperar
Porque outros ventos, outros amores, andam no ar
 
Your hurt belongs to me, / my hurt belongs to you, / because I love you…
 
Come back, A Girl for me, Old Lady
 
E mais poemas que da alma relampejam
Dois acordes e já no ar tu os trauteias
Com o Vitó as notas certas todos solfejam
E o palco, logo à noite, já incendeias
 
Os Tubarões andam aí.
É tempo de boémia, de Yé-Yé, de Sheiks, de Beatles, de Animals de Shadows, de Hardy, de Aretha, de Celentano
Mas também tempo de Brel que, mais tarde, me ensinaste
 
Ne me quitte pas , / il faut oublier / tout peut s’oublier …
 
Tempos suspensos e adiados… oh vã quimera
Tudo pára, ou quase tudo…
E por um tempo o tempo tem de esperar.
 
Noutras latitudes, o ar queima e o sol inflama
Dizem que é de lá que o dever chama.
 
P’ra lá da sombra das mangueiras da Lumbala
Torpe realidade diversa já te espera
Solta-se a rebeldia que o fel da alma gera
Acolhe-te a norte o pôr-do-sol da chã Muconda
Onde nasce a esperança do dia novo, de outra era
 
 
 
Lembra Lewu, Galiano, os Fiéis e tantos outros
Eles também no adverso mergulhados
Noite fora em tédio e álcool afogados
Juntos, à superfície, nossas mágoas serenámos
Juntos, enganando a alma, a paz dos sonhos comungámos
…Mon’ami kutundé / Kutundé ngoe, / Mon'ami zeka-ié  / Mungu ngu moné        
Ai! Mon'ami nzambi iami-e!...
 
Já a saudade corroeu por dentro a alma
Quando, por fim, os deuses acordam lá no Olimpo
E ordenam a Adamastor e a Éolo p’ra se unirem
E num sopro de bonança o caminho abrirem
Lá de longe, do torpor e da agonia dos sentidos
Ao porto de abrigo dos amores adormecidos.
 
Desperta a fé do incrédulo convertido
Renasce o desejo que o infortúnio fez esquecido
Expia-se a falta que alguém já perdoou,
Abre-se o abraço que nunca se fechou,
Funde-se o beijo num olhar que perdurou,
Agarra-se o colo que o coração não olvidou,
Assume-se o gesto que o medo censurou
Do tempo, cessa a espera que o tempo então parou
 
Por aí chegou Cupido e seu arco encordoou  
E com um tiro apurado desferiu
A flecha mágica, sedutora e bem certeira
Qu’ à doce Teresa o coração fez vibrar
Ao som de loas e juras d’amor ao luar.
 
De mão dada, encetastes a caminhada
Aos ombros, o fardo imenso partilhado
Legado de futuro, testemunho vivido,
Três vezes amado,    
Três vezes contado,
Três vezes cumprido.
 
Nos nossos corações a tua voz,
Com timbres que o tempo modelou,
Entoa hinos de paz e de saudade
Senti-los, a teu lado, é felicidade
É entrar no tempo sem idade
É o eterno que do alto nos tocou.
                                                  A gente vê-se por aí…
                                                  José Melo da Cruz
publicado por ostubaroes às 12:43
música: A Girl like you
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Falando do Café Rossio e dos bilhares não se pode ...
Que belas noitadas para n... Ver maisós os mais no...
Olá Tubarões!Que belos momentos vividos, e como se...
Obrigada Carapito. O Zé também tinha um grande car...
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