Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
24 de Abril de 2012

 

 

Rancho à Moda de Viseu, em Viseu de 28/4 a 1/5.

 

 

“Reza a história que, aquando da guerra entre liberais e absolutistas (1828-1834), o quartel de Viseu foi escalado para defender a linha do Buçaco e o comandante, consciente das suas responsabilidades, ordenou ao quarteleiro para se dirigir à despensa e, sem grandes economias, fornecer a cozinha com tudo o que tivesse ao dispor. Foi entregue ao cozinheiro carne de galinha, de porco, de vaca, enchidos, grão-de-bico, batatas, macarrão e couves e, com toda a riqueza calórica desta comida, lá partiram as tropas com a moral em grande, levando para o caminho o que do rancho sobrara”.

 

In Região de Turismo do Centro: http://www.turismodocentro.pt/pt/produtos_.4/rancho_a_moda_de_viseu_.a198.html

 

Nos anos 60's o Rancho mais famoso em Viseu era o do Quartel. Por vezes alguns eleitos conseguiam um convite especial para lá ir apreciar a iguaria cujos famosos cozinheiros eram um casal bem típico, ele um velho Cabo com uma vista perdida na Guerra e sua mulher. (Este famoso Casal de Cozinheiros eram também os responsáveis pela cozinha do Salão dos Bombeiros Voluntários durante a Feira de S. Mateus.)

 

Ainda durante os 60's houve um período em que, às 5ªs feiras, dia do Rancho no Quartel, o prato era disponibilizado à população por um preço moderado. Para tal a população deslocava-se ao Quartel pelas 11H00, munidos do necessário vasilhame, e em ordeira fila aguardava pelo fornecimento do prato. O certo é que tal "serviço" começou a ser muito conhecido e a fila a atingir tal comprimento que começou a perturbar os rituais militares e o serviço teve de ser suspenso. Mas pegou a moda do Rancho à quinta-feira.

 

Os Restaurantes mais famosos da cidade a servirem Rancho eram "A Viúva", situado na Rua da Cadeia (hoje Rua D.Duarte) mesmo defronte da Travessa de S. Domingos (liga a Rua do Comércio à Rua D.Duarte), e o Rancho do Caçador.

Durante a Feira de S. Mateus o Rancho mais famoso era o do Zé do Povo.

 

Saudamos esta boa iniciativa.

 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 23:37
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05 de Junho de 2010

Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários

(Feira de S. Mateus, Setembro de 1960)

 

Nos terrenos da Feira de S. Mateus foi construído nos anos 30’s um bonito edifício de arquitectura modernista, cujas traseiras davam para a Central Eléctrica localizada na rua da Ponte de Pau. Tratava-se do Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários de Viseu (BVV), seguramente o maior e o mais bonito edifício, o de maior destaque e prestígio no recinto da Feira de S. Mateus, com um piso único elevado ao estilo de uma “mezzanine”. Tratava-se de um amplo Salão com duas frentes rasgadas para o recinto da Feira de S. Mateus e que durante o período da feira, todo o mês de Setembro até às vésperas da data de início do ano escolar a 6 de Outubro(+-), era utilizado pelos Bombeiros Voluntários de Viseu para a prestação de serviços de restauração servindo o montante apurado como reforço de fundos tão necessários ao suporte das suas actividades totalmente voluntárias.

 

Os Bombeiros Voluntários de Viseu sempre tiveram muito valor, um enorme prestígio na cidade e eram um foco de entusiasmo e adesão de muita juventude que, voluntariamente e com grande orgulho, aderia a tão nobre e justa causa de ajuda à comunidade. Além das suas actividades voluntárias de socorro às populações os BVV tiveram no passado uma grande intervenção cultural nomeadamente através de um Grupo de Teatro Amador que levou à cena no Teatro Viriato várias peças algumas delas acarinhadas pela nossa conterrânea Mirita Casimiro.

 

Pois durante a Feira de S. Mateus, nos anos 60’s, o Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários era o local mais “chique” e mais cobiçado da Feira. O espaço tinha atributos únicos como os disputadíssimos “toilletes” (uma fragilidade no “adn” da Feira que se mantém), as mesas viradas à rua que permitiam observar e comentar os passeantes e visitantes, assistir aos espectáculos, gincanas e outras iniciativas como se se estivesse num camarote de um teatro. Havia serviços de chá com torradas ou farturas, o branco a copo, ou o famosíssimo Caldo Verde com a broa fresca de Vildemoinhos. Além destes serviços directos este Pavilhão também era o mais seguro refúgio sempre que a chuva pregava as suas partidas, o que não era tão raro quanto isso.

Todo o serviço no Salão de chá era feito pelos bombeiros voluntários nos seus tempos livres, com o traje azul de bombeiro e os seus reluzentes botões de latão amarelo. O Salão, à esquerda de quem entrava, tinha um enorme e altíssimo balcão de serviço, com vista e controlo de todo o espaço. À direita deste, no canto frontal à entrada, o estrado para a Orquestra. À esquerda uma entrada que dava acesso aos famosos “toilletes” e ainda a uma Copa mais recatada e só para “Maiores” onde se podia beber um copo (branco, tinto, cerveja, Bussaco ou pirolito), acompanhado por um petisco (pasteis de bacalhau, panados, enguias, empadas ou rissóis, …).

 

Nos dias principais da Feira havia uma cerrada disputa pelas mesas viradas à rua e não era raro assistir-se à marcação presencial com horas de antecipação.

 

E aos Sábados?

Aos Sábados havia “Chá Dançante” no Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários de Viseu (tempos houve que eram às 4ªs e sábados). Eram quatro bailes com grande procura, quase sempre esgotados que punham a cidade numa grande agitação. Os cabeleireiros entupiam, os sapateiros engraxavam, os perfumes esgotavam, e as mais jovens debutavam numa grande comoção. Ir ao Baile dos Bombeiros era uma grande emoção!!!

 Ao princípio os bailes eram animados pelas orquestras locais como a Orquestra do Cine Jazz, a orquestra do Mário Costa, Os Diamantes, entre outras. Na época de maior sucesso já eram as principais Orquestras Nacionais como a de Shegundo Galarza, Toni Hernandez, Costa Pinto, e até o Conjunto Italiano Manino Marini, que fez várias épocas em Portugal com os grandes sucessos românticos e únicos da música italiana.

 

E hoje, Viseu, o que é feito de tamanha animação?

 

 

Os chás dançantes dos Bombeiros Voluntários foram, para mim, uma das fontes de inspiração para o que é hoje o conceito de “Os Melhores Anos”.

 

Eduardo Pinto

www.myspace.com/tubaroes

 

 

(O nosso Bem Haja: F.Matos, B.V.V. e "Foto Germano").

 

 Com a devida vénia ao "Made in Viseu", onde este original foi publicado.

 

 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 18:05
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Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
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