Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
25 de Abril de 2017

Joaquim Guimarães dos Santos (Quim Guimarães)

(C.V. Musical, Viseu anos'60s)

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- Do Avô herdou uma guitarra portuguesa mas a sua inspiração e admiração vieram do Pai, visto que o via e ouvia horas sem par a dedilhar a sua viola, e pelos 10 anos já o acompanhava em harmónica de boca.

Este dueto, Pai e Filho, chegou a gravar melodias que aos domingos iam para o Ar na antena da Rádio Caramulo com um repertório baseado no folclore nacional. A fama alastrou pelo bairro com a vizinhança a sintonizar bem alto a Rádio Caramulo e as transmissões dos arranjos musicais do Senhor Abel e seu filho Quinzinho. Aos 12 anos, ensinado pelo Pai, aprendeu os primeiros acordes na viola mas o que verdadeiramente despertou o seu talento foi o filme “Rock Around the Clock” do Bill Haley and his Comets, que viu da Geral do nosso AVENIDA TEATRO na Avenida Emídio Navarro (sensívelmente onde hoje está o Restaurante Casablanca).

 


"Teria uns doze/treze anos qundo pedi ao meu pai para me ensinar a tocar viola. Ele disse-me: olha Quim, eu ensino-te os tons e tu praticas... vai ser difícil ao principio e tens que ter os dedos da mão esquerda calejados. Ensinou-me a colocar a mão esquerda e a posição do pulso no braço da viola para abranger as cordas todas, e deu-me instruções para colocar os dedos da mão direita nas cordas para tocar. O que ninguém sabe é que aprendi a pôr os dedos da mão direita na viola de uma maneira incorreta... assim o dedo que deveria ser na corda mi pu-lo na corda sol e troquei a posição. Na viola eléctrica tocava com palheta mas na viola acústica sempre toquei técnicamente incorreto... ainda hoje!!!!" (... QG)


 

 

Não mais largou a viola e em 1960 foi convidado a participar no acampamento da Mocidade Portuguesa actividade incluída no evento da inauguração do monumento aos Descobrimentos em Belém. Neste encontro da juventude da Mocidade Portuguesa de todos os Continentes, os serões musicais eram encontros geracionais que animavam e uniam os jovens portugueses vindos de todos os cantos do Mundo.

Em 1961 num Sarau dos Alunos da Escola Comercial e Industrial de Viseu (actual Escola Secundária Emídio Navarro) teve a primeira formação musical com Gualter, que cantava “You are my destiny” e “Diana” grandes êxitos de Paul Anka, com o Fausto que tocava acordeão e o Quim Guimarães que já solava êxitos dos Shadows como “Os Cavaleiros do Céu” e o “Apache”.

 

- Anunciados como o Conjunto “Os Petas” a sua actuação foi considerada um grande sucesso e o início de uma carreira musical destes três jovens músicos que durante alguns anos animaram várias festas em Viseu em vários grupos musicais.

 

    (Os Petas) com (e-d) Desconhecido, Fausto, Gualter, Quim Guimarães e Desconhecido.

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 01 00 FB 539021_10200184076183227_133086078_n b.jpA evolução da música ligeira atraía cada vez mais a juventude e apareciam duos como “The Kings", trios vocais a cantar tirolês, Paul Anka, Conchas e, no Liceu, o Beto Gonçalves a cantar Elvis Presley. O Quim Guimarães passou a ser o “Viola” de serviço acompanhando todos eles na sua viola acústica, até que um jovem colega com muito geito para a electrónica inventou um microfone para a viola criando assim a sua primeira viola eléctrica inaugurada num famoso Sarau do Liceu.

 

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Ao tempo Viseu tinha um grande Mestre da música ligeira, Mário Costa, conhecido e apreciado a nível nacional que além de uma prestigiada Escola Musical de Acordeãos, desde os anos 50’s dirigia a Orquestra Cine JAZZ a qual, além de animar as festas e bailes que se realizavam pela cidade e arredores, acompanhava as grandes vedetas da Canção Nacional que muitas vezes actuavam no nosso famoso Avenida Teatro, acima referido. A idade de alguns elementos do Cine Jazz e os ventos da nova onda musical levaram Mário Costa a formar o seu próprio conjunto convidando o Quim Guimarães, o Gualter e o Fausto a juntarem-se ao Carlinhos da Sé, voz e bateria e alguns elementos vindos da Orquestra Cine Jazz.

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 Conjunto de Mário Costa com (e-d): Gualter (contra-baixo), Quim Guimarães (viola), António Correia (violino), Fausto (acordeão) e Mário Costa ao piano.

 

Em Janeiro de 1962 o famoso baile de finalistas do Liceu de Viseu teve como principal atracção o Conjunto italiano Andrea Tosi alternando com o Conjunto de Mário Costa. Para o Quim Guimarães foi a sua noite de sonho musical pois além de muito andar a aprender com os ensaios do Mário Costa pôde assistir ao vivo a uma actuação de outros músicos de grande craveira com quem também muito aprendeu. Motivos particulares levaram Mário Costa a sair da cidade. Camilo Costa, seu filho, ficou à frente da Escola de Acordeãos e o Conjunto Mário Costa deu origem a dois novos conjuntos em Viseu: Os Condes liderados por Camilo Costa e os Diamantes formados por Quim Guimarães (viola), Gualter (voz e contra-baixo), Fausto (piano e acordeão) e o Carlinhos da Sé (voz e bateria).

01 04 Diamantes copy.jpgOs Diamantes com (e-d): Norton, Fausto, Carlinhos da Sé e Gualter (Clube de Viseu, 1965).

 

Entretanto os Pais do Quim Guimarães deram-lhe um valioso presente: uma viola eléctrica.

Foi o momento da grande viragem da sua vida musical sentindo em definitivo que os seus verdadeiros companheiros de vida eram a música e a sua nova viola. Como perfeccionista que era, sempre se preocupou com o rigor da interpretação e a temática do som, uma disciplina não muito cuidada na região. Com a sua nova viola eléctrica entregou-se aos seus ensaios solitários, diários e de horas a fio. Objectivo: a perfeição !

 


"Nessa altura eu ensaiava muito, sózinho em casa. Por vezes passava horas a tocar viola e a praticar escalas. O Assunção, grande amigo meu, emprestou-me um gravador de fita com músicas novas, algumas do grupo francês "Les Chats Sauvages". Eles e outros grupos da altura inspiraram-me a adaptar "O Voo do Moscardo". Passei horas e dias a ensaiar sem parar, fiz muitos calos nas mãos, e finalmente usei o dedo mindinho que me ajudou muito na execução do Voo do Moscardo. A partir daí era capaz de executar qualquer música... não havia obstáculos para nada!!!”(... Q.G.)


  

E a sua interpretação do “Voo do moscardo” começou a ser muito famosa e apreciada pois era a mostra do seu virtuosismo e um momento alto nas suas actuações. Só a interpretava quando sentia motivação e ambiente para tal.

Os Diamantes lideraram as festas da cidade de Viseu e arredores entre 1962 e 1964 actuando por todo o Distrito de Viseu com uma playlist de músicas de baile composta por música tradicional portuguesa, brasileira e sul-americana, italiana e francesa. "Os Diamantes" evoluiram muito nesses dois anos e já se preocupavam com a sua apresentação cuidando a roupa com que actuavam e também a sua postura em palco.


“Tocámos muito, sempre juntos e aprendemos muito também, mas a nova música estava a chegar de Inglaterra... os guedelhudos!!! “Os Beatles!!!!! Twist and Shout”. Essa era a música que eu queria tocar. E um dia ouvi tocar um grupo novo de Viseu... “Os Tubarões”, e eles tocaram o Twist and Shout!!!!!!!!!!! Claro nessa altura “Os Tubarões” estavam a começar, mas notei logo muito potencial...” (... Q.G.)


 

Em meados de 1965, perante o desafio do Grande Concurso IÉ-IÉ, o Quim Guimarães foi convidado a integrar “Os Tubarões” como viola solo, missão que aceitou com alegria pois além de músicas dos consagrados Beatles e Rolling Stones "Os Tubarões" tocavam muitos êxitos dos conjuntos do momento destacando-se a música dos "The Animals", conjunto de Eric Burdon e Alan Price que se aventuravam em novos desafios instrumentais assentes nos blues e folk.

 


“... ... Começámos a ensaiar no Cine Rossio preparando a nossa participação no IÉ-IÉ. Nos ensaios, sempre que alguma música ou som não fosse do agrado do Quim, ele parava de tocar, saía do Palco e ia para a assistência ouvir-nos, esmiuçava todos os instrumentos e sons e obrigava-nos a repetir até perceber e levar-nos a corrigir o pormenor que não lhe soava bem. Com ele começámos a interpretar músicas de uma craveira musical mais exigente quer na vertente instrumental quer na vertente de vozes.” (...porViseu’ 60s.)


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Os Tubarões nos ensaios no Cine Rossio para Concurso IÉ-IÉ: Foto da esq.: 1ª Eliminatória (Out.1965); Foto dir.: 2: Semi-Final (Jan.1966). Formação: Voz: José Merino; Teclas: Carlos A. Loureiro; Viola Solo: Quim Guimarães; Viola Ritmo Victor Barros; Viola Baixo: Luis Dutra; Bateria: Eduardo Pinto.  


 

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A estreia de “Os Tubarões” com o Quim Guimarães ocorreu no “Jantar à Americana” no Grande Hotel Lisboa nas Termas de S. Pedro do Sul no final do mês de Setembro de 1965. 

 

 

 

Os Tubarões no Grande Hotel Lisboa- (e-d) Luis Dutra (Baixo), Victor Barros (Ritmo) e Quim Gui,marães (Solo) e José Merino (Vocalista).

 

 

A 9 de Outubro Os Tubarões apresentaram-se na 7ª Eliminatória do Grande Concurso IÉ-IÉ com “Os Sheiks” (Lisboa), “Os Galãs” (Porto), “Os Kzares” (Aveiro) e “Os Jovens do Ritmo” (Seixal). Juntamente com “Os Sheiks”, “Os Tubarões” foram apurados para a fase seguinte, as semi-finais.

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Concurso IÉ-IÉ: Os Tubarões no Palco do Teatro Monumental, Lisboa

 

 

- Entretanto em Portugal corria a moda dos Festivais IÉ-IÉ e também em Viseu se realizou uma tarde IÉ-IÉ numa matinée de domingo no Cine-Rossio com a participação de “Os Corsários” um conjunto também de Viseu e “Os Tubarões”, que as imagens documentam.

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Festival IÉ-IÉ em Viseu (1965): (e-d): Os Corsários (José Figueiredo, Carlos Assunção, Norton e Fernando Dias) e Os Tubarões (Luis Dutra, Quim Guimarães, José Merino, Eduardo Pinto e Carlos Lureiro.

 

- Em Dezembro os Tubarões foram notificados da sua passagem às meias-finais do IÉ-IÉ marcada para o dia 15 de Janeiro de 1966.


“Concurso IÉ-IÉ: Semi-final.

… Fomos chamados para a 2ª semi-final que se realizou a 15 de Janeiro no Teatro Monumental com os seguintes conjuntos: os Saints (futuros Claves), que vieram a ganhar na final do Concurso, os Jets, os Cometas Negros de Castelo Branco, os Kímicos, e os Boys de Coimbra.

... Entrámos em palco vestidos com um bonito fato cinzento de trespasse feito na Alfaiataria Freitas em S. Pedro do Sul e começámos com o Satisfaction, um clássico com aceitação muito generalizada e a adesão foi muito boa. Seguiram-se os primeiros acordes do baixo do We gotta get out o this place, último êxito dos Animals, grupo que tinha uma configuração instrumental muito semelhante à nossa para além do timbre do Zé Merino lembrar o timbre do Eric Burdon. Ainda com os aplausos no ar o Quim arrancou com os inconfundíveis primeiros acordes do “I Feel Fine” e terminámos com uma fortíssima interpretação do Zé Merino no “It’s my life” dos Animals, uma música do final do ano de 1965 especialmente escrita para a voz do Eric Burdon, com uma construção musical forte iniciada pela viola baixo que sincroniza com a viola solo na segunda frase musical, e assim se mantêm durante partes da música, sempre em crescendo, e sobre a qual evolui um timbre forte de voz que nalgumas fases incita ao diálogo com os coros. Sem dúvida uma boa música que nós tocávamos muito bem. E a plateia foi ao rubro. Foi uma tarde memorável. Não conseguíamos sair do palco pois os aplausos não paravam. O público pedia mais uma música e não se cansava de aplaudir. Nós agradecíamos no Palco com o Zé a dizer estar rebentado da garganta. Então o Quim Guimarães virou-se para o Júri algures no Balcão à nossa direita, levantou o indicador direito e interrogou: “só mais uma?” e foi-nos dada autorização. Interpretámos o “voo do moscardo”, um instrumental clássico que o Quim tinha adaptado à viola eléctrica, e em que demonstrava todo o seu virtuosismo. Brilhou com todo o Monumental em pé quando colocou a viola no ombro direito e solava com a viola nas costas. Uma monumental tarde no Monumental! Durante esta música parti uma das baquetas que me feriu um dos dedos jorrando sangue pela bateria. Tocámos até ao final com o público em pé. Foi uma ovação!” (...porViseu’ 60s.)


 

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Concurso IÉ-IÉ: Reportagem Jornal O Século de 16/01/1966 e anúncio dos Finalistas em Abril de 1966.

 


“Gostei imenso de tocar com a malta dos Tubarões... juntos vimos um progresso enorme em execução e adquirimos até fama nacional. Nunca me esquecerei da semi-final do concurso IÉ-IÉ no Teatro Monumental em Lisboa em Janeiro de 1966. Finalmente estávamos a fazer frente aos melhores conjuntos Portugueses da altura... foi um dos melhores dias da minha vida!!!! A gritaria era tanta que deixei de ouvir o que estava a tocar. Foi tudo por instinto... nessa altura não haviam sistemas de feedback. “Os Tubaroes” foram um sucesso enorme!

Foi também um dia muito triste da minha vida ... na audiência estava a minha namorada que me criticou muito porque eu só queria tocar a viola e ignorava os estudos. Foi um balde de água fria.

Assim acabou a minha jornada musical.” (... Q.G.)


Após esta semi-final "Os Tubarões" regressaram a Viseu, animaram o Carnaval do Clube de Viseu tendo sido a última actuação musical do Quim Guimarães que, face às pressões decidiu ir viver para Lisboa terminando assim uma carreira musical muito promissora e empobrecendo o panorama musical da nossa cidade. 

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Os Tubarões no Carnaval de 1966 no Clube de Viseu, última actuação pública do Quim Guimarães.

 

 O Quim Guimarães saiu de Viseu para Lisboa em Março de 1966, em 1967 foi chamado a cumprir o serviço militar obrigatório. Foi mobilizado para a Guiné em 1968 após o que se reuniu à Família em Moçambique. Iniciou a sua vida profissional e familiar, após 1974 radicou-se na Africa do Sul, tirou um curso de Marketing e começou a trabalhar na Coca Cola onde chegou a Director Geral de Vendas. De seguida agarrou uma oportunidade na Coca Cola Americana onde se afirmou atingindo o lugar de Director de Supply Chain na Divisao Corporativa de Marketing. Após uma carreira internacional e muitas viagens o Quim Guimarães, cidadão americano, goza hoje a sua reforma dedicando-se aos 5 filhos, amigos e à fotografia nunca perdendo de vista o piano e a sua inseparável viola. A Viseu tem vindo a espaços para estar com os Amigos que por cá deixou e ainda se lembram, com muitas saudades, do seu “voo do moscardo” do qual não há nenhuma gravação.

 

Porep.

Fontes: Quim Guimarães, porViseu’60s, “Os Tubarões”. (1) - Foto gentilmente cedida por Aires de Matos 

publicado por os tubaroes, Viseu às 16:08
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02 de Maio de 2014

No Salão do piano do Clube de Viseu foi montada uma exposição com a Memória do Conjunto “Os Tubarões”, composta por 5 paineis e uma mostra de trajes e instrumentos originais do conjunto nos 60’s.

Os 4 primeiros paineis retratavam a vida do conjunto nos anos 1964 a 1968 com a composição do Conjunto, fotografias, programas, cartazes e outros documentos originais de cada ano:

 

1964 e 1965

Os Tubarões 1964 e 1965:

Fotos da estreia do conjunto no Salão Nobre do Clube de Viseu a 26/4/1964. A rodagem nas Termas de S.Pedro Sul. A inauguração do Restaurante/Bar O Tubarão na Figueira da Foz; O Casino da Figueira, as carteiras profissionais. A entrada do Quim Guimarães e a participação no Concurso IÉ-IÉ:

 

1966

Nomeados Embaixadores de Viseu, a final do IÉ-IÉ, os espectáculos em Viseu, Brasil em Viseu, a Figueira da Foz, as fotos do Germano, o Verão no Casino, a foto com Amália, programas do Casino, a gravação do disco Old Lady no Clube de Viseu, a D.Urraca, o Estúdio na Alexandre Hercularo:

  

 

1967

Bailes de Finalisttas; Festa do III aniversário com Tonicha e os Corsários, actuação na Boite "O Caruncho" em Lisboa, o Verão no Casino, a gravação do disco, programas, minuta de contrato. Fotos com Simone de Oliveira e Nicolau Breyner no Casino Figueira. Recortes de imprensa.

 

 

1968

Bailes de Finalistas, o Carnaval na Neve, a saída do disco, de novo o Verão no Casino com Juan Manuel Serrat, Duo Dinãmico, o nosso Estúdio, Playlist, entrevistas, etc ...

 

 

IÉ-IÉ:

Eliminatoria de 10 de outubro de 1965; Meia Final a 15 de Janeiro de 1966 e Final a 30 de Abril 1966.

 

 

 Trajes e Instrumentos:

Casacas à Beatles de 1967, Viola Hofner de 1964 e viola Vox de 1965. microfone AKG, coluna Dynacord e maquete da capa do disco Poema do Homem Rã".

 

 

Com o nosso Bem Haja a José Tomás pelo apoio e fotos.

 

porep

publicado por os tubaroes, Viseu às 10:08
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28 de Agosto de 2011

No próximo dia 23 de Setembro de 2011, no Montebelo Viseu Hotel & SPA, a partir das 21H30, apresentação do livro porViseu'60s - Retratos de Viseu e da vida musical do conjunto académico "os Tubarões" (1963-1968).

 

                                  Índice geral:

 

- .Viseu’60s.           : memórias dos locais e hábitos de vida de uma cidade nos '60s.

- .’64s – aprender.  : o 1º ano da vida musical do conjunto: Viseu e S.Pedro do Sul

- .’65s – crescer.    : a evolução musical passo a passo: Figueira da Foz e IÉ-IÉ

- .’66s – conquistar.: a projecção nacional após a presença na Final do IÉ-IÉ

- .’67s – consolidar. : a carreira no País: 3ºAniversário, Caruncho e Woolmark

- .’68s – gozar.        : a Guerra Colonial e o final da carreira                    

- .quem.foi.quem.    : quem foi quem no conjunto

- .playlist.                 : playlist parcial dos principais temas interpretados

- .instrumentos.       : principais instrumentos e aparelhagens

- .e.depois.da.música.: a vida depois da música

- .agradecimentos.

- .indice.geral.

 

Num total de 192 páginas o livro está dividido em duas partes: a 1ª parte descreve facetas da vida, costumes e locais de Viseu nos anos 60 e o ambiente que entusiasmou a juventude e propiciou o aparecimento dos Conjuntos Pop.

A 2ª parte descreve a carreira musical do Conjunto Os Tubarões ano a ano; Os Palcos e os Artistas com quem se cruzaram, episódios e evolução musical. Depoimentos de quem viveu alguns dos episódios descritos como Manuel Maria Carrilho, Rui Oliveira e Costa, Serafim Matos Silva, Vitor Pais, João Correia dos Santos, Ledinha e Kinga, António Valarinho, Luis Cunha Matos, Carlos Manuel Serpa, Fernando Pascoal de Matos e Jorge Marques.

 

Não perca. Apareça que será bem Vindo.

Em Viseu a 23 de Setembro a partir das 21H30.

publicado por os tubaroes, Viseu às 18:01
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10 de Outubro de 2010

Com a devida vénia a "IÉ-IÉ",

 

"Os Sheiks venceram a 7ª eliminatória do Concurso Yé-Yé que se realizou no Teatro Monumental, em Lisboa, no dia 09 de Outubro de 1965. Obtiveram 43 pontos. Em 2º lugar ficaram os Tubarões, de Viseu, com 26 pontos, e em 3º os Galãs, do Porto, com 21 pontos. O 4º lugar ficou para os Kzares, de Aveiro, com 17 pontos, e o 5º e último para os Jovens do Ritmo, de Amora-Seixal, com 17 pontos. Sobre a apresentação dos Sheiks, escreveu a imprensa da época: Companheiros de paródias, resolveram, há um ano, formar um conjunto yé-yé. Cada um veste conforme o seu gosto. Não se ocupam com a indumentária, mas sim com a qualidade das músicas que interpretam. Apresentaram "Summertime", "You Got Up Truth", "It Only Cust a Dime" e "Ticket To Ride". Foram os grandes vencedores desta sétima eliminatória. Os 43 pontos alcançados mereceram-nos quer individualmente, quer no respeitante ao conjunto. A identidade dos Sheiks é a seguinte: Carlos Mendes, viola acompanhamento e vocalista, 18 anos, estudante, Fernando Chaby Miranda, viola solo, 19 anos, estudante, Eduardo (Edmundo) Brito da Silva, viola baixo, 26 anos, e Paulo de Carvalho, bateria, 18 anos, estudante.

Sobre os Tubarões: Apenas actuam quando isso não causa transtorno aos seus estudos. Revelou-se um conjunto homogéneo, com valores individuais e com vastas possibilidades no futuro. O júri atribuiu-lhes 23 pontos. Apresentaram-se com "Miss Molly", "Eight Days A Week", "Mike", de Trini Lopez, e "Ya Ya". Envergavam fato azul, camisa branca e laço preto. Eis os seus nomes: Luís Alberto Dutra, viola baixo, 18 anos, Joaquim Guimarães, viola solo, 20 anos, José Merino, vocalista, 17 anos, Eduardo Pinto, bateria, 18 anos, e Carlos Alberto, órgão eléctrico, 16 anos.

Esqueceram-se de falar dos Galãs. Organizado pelo Movimento Nacional Feminino a favor das Forças Armadas, o Concurso Yé-Yé realizou-se de 28 de Agosto de 1965 a 30 de Abril de 1966, tendo saído vencedores os Claves."

Post integral retirado do blog IÉ-IÉ: http://guedelhudos.blogspot.com/

 

Corrige-se a formação de Os Tubarões pois na notícia está omitido Victor Barros, viola ritmo.

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 20:34
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23 de Julho de 2009

A semi-final do Concurso Yé-Yé tinha sido extenuante. Correra muito bem e o apoio da claque fora estrondoso. Nem nós o imaginávamos. Das quatro músicas a interpretação do “It’s My Life (The Animals)” fez o delírio da assistência do Teatro Monumental. A tal ponto que o Júri foi obrigado a aceitar um “encore”. Tocámos o “voo do moscardo” numa interpretação em que o Quim Guimarães demonstrava todo o seu virtuosismo com a guitarra poisada nos ombros. Um festival de aplausos intermináveis. Até os membros do Júri aplaudiram! Mas Concurso é concurso, e esta meia-final de 10 de Janeiro de 1966 já incluía conjuntos com nome como The Saints (Os Claves), os Jets, os Kímicos, The Boys, … que traziam boas pontuações das suas primeiras participações e aura de favoritos.

 

Terminada a eliminatória seguimos do Monumental para a Quinta do Tio V. ali para os lados de Sintra onde uma assistência de elite ligada aos bacalhoeiros e outras indústrias aguardava pela nossa actuação. Seriam altas horas quando finalmente conseguimos ir à cama. Domingo foi dia de regresso a Viseu, meios a dormir meios a sonhar com o eco dos aplausos e a possível ida à final. E demorou muito mais do que o normal a publicação da renhida classificação da semi-final com a atribuição de 47 pontos para The Saints, 34,5 para Os Jets, 33,5 para Os Tubarões. Sem dúvida uma boa classificação e a única sessão em que três bandas ultrapassaram os 30 pontos. Restava-nos aguardar pela continuação das eliminatórias e respectivas pontuações.
Só em meados do mês de Março fomos informados dos conjuntos apurados para a final: 6 do Continente em que “Os Tubarões” eram o único conjunto da província, e dois do Ultramar, um de Angola e outro de Moçambique.
Em Viseu a expectativa e o carinho para com o conjunto eram enormes. Todos queriam saber novidades: Os colegas, os amigos e conhecidos, os Professores e todas as entidades da cidade. Vivíamos uma saudável atmosfera junto de todos os conterrâneos. E todos viviam connosco a nossa faceta artística e a comitiva que nos acompanhava nas nossas actuações aos fins de semana aumentava de dia para dia. O snack-bar Alvorada era o nosso escritório oficial e o Sr. Correia, a mulher e sobrinhas, tomavam conta dos inúmeros contactos telefónicos para as festas e contratos.
No início de Abril, dias antes da partida para a final, somos informados de que o Sr.  Governador Civil de Viseu, Engº Engrácia Carrilho, gostaria de nos receber numa audiência oficial no Salão Nobre do Governo Civil. Ficámos admirados por tamanha honra. Chegada a hora lá fomos todos devidamente vestidos com os fatos do conjunto, liderados pelo Sr. António Xavier de Sá Loureiro, pai do Carlos Alberto e nosso “Empresário”. Nunca entráramos naquele edifício na Av. 28 de Maio, hoje Alberto Sampaio. Aguardámos a audiência com o Sr. Engº Engrácia Carrilho. Era uma figura ímpar em Viseu. Muito alto, sempre impecavelmente vestido de fato estilo inglês, casaco sempre abotoado, muito educado e muito simpático para todos com quem se cruzava. Uma pessoa distinta!
Para nós o gigantesco Salão que parecia vazio ficou completamente cheio quando o Engº Carrilho entrou. Iniciada a cerimónia ouvimos em palavras simples, um pouco da história de Viseu, o seu passado, as suas gentes e a importância da cidade no contexto nacional e ibérico. As vias romanas que cruzaram a cidade, a Sé, as Muralhas e todo o passado histórico do qual existem tantos vestígios, os Reis e personalidades ligadas à cidade como D. Afonso Henriques, D. Duarte, Vasco Fernandes (Grão Vasco), João de Barros, Hilário, Emídio Navarro e seguramente muitos outros que já não recordamos. Após tal verdadeira aula de história viva da cidade o Engº Engrácia Carrilho estimulou a nossa presença na finalíssima do Yé-Yé enaltecendo a proeza de termos ultrapassado com tanto mérito as eliminatórias que nos permitiam chegar à final. As palavras de incentivo, de enaltecimento das virtudes das gentes da nossa região, da importância da nossa presença enquanto Viseenses no Monumental, caíram fundo em todos nós, e ainda mais pesaram quando fomos oficialmente nomeados “Embaixadores de Viseu no Yé-Yé”, mandatados para distribuirmos a todos os grupos presentes na final documentação e lembranças da região de Viseu.
Saímos todos muito sérios e muito orgulhosos pela distinção e pelo importante papel que nos fora atribuído naquele acto no Governo Civil de Viseu.
Ainda hoje, 40 anos depois, várias vezes recordamos entre nós este episódio e o quanto nos marcou no amor a Viseu. Todos passámos a ver Viseu com outros e melhores olhos graças à inteligência de uma pessoa que, embora num lugar de grande prestígio, tomou a iniciativa de nos chamar, valorizar o nosso sucesso e transmitir com simplicidade e encanto a importância de se amar Viseu.
 Obrigado Engº Engrácia Carrilho. Nunca o esqueceremos.
Os Tubarões
www.myspace.com/tubaroes
os.tubaroes.viseu@gmail.com
publicado por os tubaroes, Viseu às 20:52
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: Saudades
música: Old Lady
Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
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