Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
23 de Abril de 2015

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Os Tubarões no palco do Cine-Rossio a 23/4/1967 (e-d): Carlos Loureiro, Victor Barros, José Merino, Luis Dutra e Eduardo Pinto.

 

1967 foi um dos melhores anos da carreira musical dos Tubarões quer na vertente musical, projecção nacional e número de concertos/actuações. E dele haveremos de contar alguns dos episódios mais significativos.

Após a Passagem do Ano no Grande Hotel da Figueira da Foz seguiu-se o Baile de Finalistas do Liceu de Viseu em que partilhámos o palco com o Quinteto Académico a 7 de Janeiro no Cine Rossio.

O CINE-ROSSIO era a única casa de espectáculos em funcionamento em Viseu: cinema, alguns espectáculos e bailes no salão de festas localizado no piso -1, salão que foi também a nossa sala de ensaios durante os anos de 1965 e 1966 a troco de uma permuta com a realização de alguns espectáculos.

Durante a matinée dos finalistas, a 8 de Janeiro, o Sr. Severo, Gerente do Cine-Rossio, abordou o Sr. António Xavier de Sá Loureiro, nosso Produtor, manifestando o desejo para a concretização de mais um espectáculo respondendo às inúmeras solicitações que lhe chegavam do público da cidade.

Ponderadas várias alternativas e tendo em conta a nossa agenda musical programámos um espectáculo de variedades comemorando o nosso de 3º aniversário no mês de Abril. Decidimos convidar para cabeça do cartaz a grande atracção nacional do momento TONICHA que tínhamos conhecido no Casino da Figueira da Foz e estava no auge da sua carreira.

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Para a primeira parte do espectáculo só convidámos Artistas de Viseu:

A apresentação e condução do espectáculo ficou a cargo do Jorge Martins (família Antas de Barros), profissional da Rádio, locutor do Clube Asas do Atlântico (Santa Maria Açores) que se encontrava em Viseu e convivia muito connosco no Snack-Bar Alvorada. Convidámos também o Rui Correia, (o irmão mais novo da Família Correia proprietária da Tinturaria Belcor), nosso benjamim que arrebatava o público a declamar o "Cântico Negro" e não só como aconteceu num Sarau do Liceu, o Conjunto “Os Corsários” e Viçoso Caetano (o poeta de Fornos de Algodres), recém chegado de Moçambique onde viveu um grande êxito da sua carreira musical com a versão portuguesa da Balada dos Boinas Verdes (Ballad of the Green Berets) hino das Forças Especiais Norte Americanas e que passou a ser o hino oficioso dos Paraquedistas portugueses, de que foi Autor. 

 

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Rui Correia a declamar com Luis Dutra na viola baixo.

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   Viçoso Caetano - Com a devida vénia a "No Bairro do Vinil"

 

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Os Tubarões na 1ª parte da festa do 3º aniversário (e-d) Victor Barros, Luis Dutra e Eduardo Pinto

 

Na 2ª parte actuámos nós e a grande atracção TONICHA, que encerrou o espectáculo com muito sucesso e dois "encore".

 

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 Tonicha 1967.JPG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

        Com a devida vénia ao Clube de fãs da Tonicha 

 

Quando contactámos a Tonicha levantou-se a questão de quem a iria acompanhar musicalmente, pois era uma estrela e estava habituada a ser acompanhada por orquestras conhecidas. Como nos conhecia musicalmente de nos ouvir no Casino da Figueira da Foz enviou-nos pelo correio as partiruras das músicas que pretendia cantar e nós comprámos os discos com tais músicas para as tirarmos de ouvido, pois de pautas, só conhecíamos as do Liceu quando íamos saber as notas…

A 23 de Abril realizou-se um grande espectáculo no Cine-Rossio, completamente esgotado e que deu brado na cidade.

Foi assim a comemoração do nosso 3º Aniversário que culminou reunindo todos os Artistas num um fantástico jantar no Hotel Avenida.

 

 


Rui Correia 2.jpg(Testemunho de RUI CORREIA):

“Desse famoso dia 23 de Abril recordo-me:

- Da ternura com todos vocês me rodearam.

- Da importância que o pai do Loureiro me deu. Ele achava que era um jovem promissor...

- De ter entrado, sem querer, e talvez num momento impróprio, no camarim da Tonicha...

- Daquele famoso jantar no Hotel Avenida.

- De as minhas colegas me gozarem pelo meu 3º aniversário. (Veja-se o Cartaz...)

Mas, sobretudo, de ser considerado um parceiro próximo dos Tubarões...”


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 Os Tubarões agradecem os aplausos do público que esgotou o Cine-Rossio a 23/4/1967 (e-d): Carlos Loureiro, Victor Barros, José Merino, Luis Dutra e Eduardo Pinto.

publicado por os tubaroes, Viseu às 02:43
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18 de Dezembro de 2011

 

Sérgio Borges

(do livro porViseu60s - Informações em porviseu@sapo.pt )

 

Singela homenagem a Sérgio Borges, vocalista do Conjunto Académico João Paulo, oriundos da Ilha da Madeira, com quem nos cruzámos em diversos palcos nos anos de 1966, 67 e 68 e que, infelizmente e cedo de mais, nos acaba de deixar.

Em 1966 o Conjunto Académico João Paulo fez uma tournée pelo País e passou por Viseu, onde deu um excelente espectáculo no Cine Rossio. Tiveram um problema com algum equipamento e nós demos todo o apoio logístico que necessitaram o que mereceu a cortesia de nos chamarem ao palco manifestando o seu agradecimento público para além de nos dedicarem uma música. Foi uma cortesia simpática.

Foram efectivamente dos melhores conjuntos nos 60’s e, quanto a nós, os primeiros a implementarem em Portugal o verdadeiro conceito de Concerto em Palco de Teatro.

Reproduzimos extractos do livro porViseu’60s numa singela homenagem ao Sérgio Borges, Vocalista e imagem do som do Conjunto.

 

 

“… .playlist.

Nos anos 50/60 os Bailes eram a diversão mais frequente e a principal oportunidade para jovens se conhecerem e iniciarem um convívio que de outro modo nunca seria possível. Havia Bailes em todas as festas e romarias, num terreiro, num largo ou no pátio da freguesia. Por este motivo os Bailes eram o mercado alvo dos Conjuntos onde poderiam actuar e ver o seu trabalho remunerado. Para actuar num Baile os conjuntos tinham de tocar todo o tipo de música pois havia dançarinos para todos os géneros musicais, do tango, rock, twist ao chá-chá-chá. Em Portugal os primeiros concertos em Palco de Conjuntos Pop terão ocorrido no Teatro Monumental em Lisboa. Quanto a nós o primeiro Conjunto Pop português a apresentar um alinhamento de espectáculo/concerto terá sido o Conjunto Académico João Paulo. Concretizou várias tournées pelo país onde se apresentou nos Teatros e Cinemas existentes em cada localidade com um alinhamento específico de espectáculo devidamente montado, com duas partes separadas por um intervalo. …”

 

Com muita estima e admiração aqui prestamos a nossa homenagem com as condolências aos Familiarres e Colegas.

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 20:30
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04 de Dezembro de 2011

 

 

O CINE ROSSIO

(do livro porViseu60s - Informações em porviseu@sapo.pt )

 

 

 

 

 Cine Rossio.

 

 

A partir de 1961 Viseu tinha uma única casa de espectáculos activa: o cinema Cine-Rossio localizado nas traseiras da Câmara, que iniciou as suas actividades em 1952. O edifício dispunha de três pisos e, dizia-se, tinha sido construído para albergar uma garagem: o piso -1, ao nível do actual Mercado, era um Salão de eventos onde se realizavam os bailes de Finalistas; no piso 0 situava-se a sala de cinema em anfiteatro, com um palco com boca de cena a toda a largura da sala mas com uma pequena profundidade de +- 2,5m, o que era uma grande limitação para outros espectáculos, com uns camarins rudimentares. Tinha 2ª e 1ª Plateias, e ao fundo da sala um conjunto de 12 Frisas de 6 lugares extensíveis a 8. No Piso 1 tinha o Bar e a Cabine de Projecção. Havia cinema às 3ªs, normalmente cowboys ou filmes de pancadaria, 5ªs Sábados e Domingos.

 

Embora com grandes limitações de área de palco também se realizavam alguns espectáculos no Salão de Cinema do Cine Rossio. Por ali passaram a Escola de Acórdeãos de Mário Costa, o Carlos do Carmo, o Conjunto Académico João Paulo e a Tonicha, entre outros.

Acompanhando o sucesso crescente da música ligeira dos anos 60's surgiram muitos filmes musicais. E nos Cinemas começou a moda de, aos intervalos da projecção destes filmes, actuarem os novos conjuntos Pop o que também aconteceu no Cine Rossio nos anos de 1965 e 1966 onde nós, Os Tubarões, actuámos inúmeras vezes.

 

 
 
.espectáculo.no.cine.rossio.  

    

 

   Regressámos à nossa linda terra, às aulas, aos ensaios no Cine Rossio, aos bailes, aos espectáculos e aos amigos.

E Viseu recebeu-nos muito bem. Toda a cidade falava connosco. E a nossa vida agitou-se ainda mais.

Aumentaram as solicitações, os contactos, os contratos e o nosso cachet subiu.

Com o fotógrafo Germano, artista impar que retratou a cidade como ninguém e que nos deixou um arquivo de imagens de Viseu que são um património único, fizemos várias provas fotográficas com diversos fins. Uma das fotos, tirada no Hotel Grão Vasco, deu origem a um postal ilustrado, disponível em vários expositores e cafés da cidade, e que foi record de vendas na cidade durante vários anos.

O Sr. Severo queria fazer um espectáculo no Cine Rossio para nos apresentar em Viseu após a nossa participação na final do IÉ-IÉ. O mesmo ficou marcado para 28 de Maio, aproveitando a projecção da comédia musical Every Day’s a Holiday com Freddie and The Dreamers, John Leyton, Mike Sarne, Ron Moody, Liz Fraser entre outros. Foi o nosso 1º Concerto em Viseu depois da final do IÉ-IÉ. O preço dos bilhetes era de 5$50 para a 2ªPlateia, 9$50 para a 1ª Plateia e 12$50 para as poltronas. As Frisas (6 lugares) eram a 57$50. Sessão completamente esgotada com todas as frisas com cadeiras extra. Foi um sucesso que terminou tarde com vários encore, muitos pedidos do Clube de Fãs, e uma dedicatória especial do “E que tudo o mais vá pró inferno” para umas fãs do Brasil que haviam chegado para umas férias em Vil de Soito. Foi um espectáculo muito divertido e animado."

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 21:53
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Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
Ler livro aqui
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