Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
28 de Novembro de 2017

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            Decorria o ano de 1967, talvez o mais intenso da nossa carreira musical. Começou com o baile de Finalistas em Viseu a 7 de Janeiro partilhando o palco com o Quinteto Académico e terminou no final do ano no grande Hotel da Figueira da Foz com passagem de modelos Woolmark e noite de fim do ano. Era a seguinte a formação do conjunto: Carlos Loureiro, teclados; Eduardo Pinto, bateria; José Merino, vocalista; Luis Dutra, v.baixo; e Victor Barros, viola ritmo. 

 

TUB 1967 1b.jpg

 

 A 22 de Julho, após as festas de S.Pedro do Sul estreámo-nos no Casino da Figueira com o conjunto João Paulo, e por lá ficámos a tocar até ao final de Setembro com 2 matinées por semana e soirées todos os dias com o descanso às 2ªs feiras. Em meados de Agosto começámos a sentir algum cansaço e ponderámos a necessidade de reforçarmos o conjunto com mais um elemento. Na Figueira da Foz conhecíamos o Vató que convivia connosco no dia a dia, tocava viola tendo contactos musicais com “Os Chinchilas”, tinha gostos musicais próximos dos nossos e também cantava. Começou um namoro que se concretizou em Setembro de 1967.

             Em Outubro vieram as aulas e nós iniciámos o trabalho musical no nosso estúdio em Viseu na Rua Alexandre Herculano. Além da viola Guild Starfire e do amplificador Vox 730 do Vató ainda adquirimos um amplificador Baldwin que era um primor nos agudos.TUB INST 1967 1 c.jpg

 

Ensaiávamos em todos os tempos livres só interrompidos pelas necessidades logísticas de alfaiates e fotos para novos cartazes. Sr. Aires da Foto Aires manifestou muito interesse em fazer fotos do conjunto que, entre outras, deram origem ao cartaz azul.

ESTUDIO 1 a.jpg

Ensaio no Estúdio de Os Tubarões: (e-d): Carlos Loureiro (fora da caixa), teclados; Luis Dutra, viola baixo; Valdemar Ramalho (Vató), viola solo; Victor Barros, viola ritmo, José Merino, vocalista e Eduardo Pinto, baterista.

 

        Continuavam os contactos com as Editoras relativos à gravação do disco. Os grandes activistas desta azáfama eram o Toninho Matos (António Matos) e o seu primo Fernando Pascoal de Matos que concretizaram um contrato exclusivo por 2 anos com a etiqueta Alvorada.

Tínhamos vários originais possíveis de gravação mas a Editora recomendou a inclusão de um tema com letra em português. Esta opção despertou a veia criadora do Vató que musicou o Poema do homem-rã (o 1º Poeta português consagrado a ser musicado por uma banda pop (*). Embora com temas originais suficientes o José Merino, muito inspirado nos últimos temas dos Beatles, criou ainda o Lucky day, e o Baby it hurts, este último bebendo alguma influência nos coros do Holiday, êxito dos Bee Gees.

Foram assim seleccionados os quatro originais, que pode ouvir aqui: 

A gravação foi marcada para o dia 29/11 a partir das 09H30 num Estúdio Alvorada na Calçada de Santana. 

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(e-d) D.Urraca, no Bar do Estúdio e cartaz 1967(4) (Tip.Eden).

 

Seguimos a 28 pela tarde para Lisboa com a D.Urraca carregada com os instrumentos e no dia seguinte, manhã cedo, toca a carregar e montar os instrumentos para um 2º andar sem elevador para o estúdio. Muito curioso foi ter aparecido à porta do estúdio um tal Sr. Barata, da empresa Feira do Disco, empresa que já nos tinha contactado e que queria que anulássemos o compromisso com a Alvorada para assinarmos com eles, opção impossível de satisfazer naquela hora. 

Apesar de muito apressada a gravação não correu mal. Começámos pelo instrumental após o qual fizemos um pequeno intervalo para um café que deu muito geito pois possibilitou a finalização da letra do “Você vai chorar”. Gravámos a parte vocal, foram anotados os detalhes de pós-produção fundamentais no Poema do homem-rã que muito entusiasmaram a equipe do Moreno Pinto e que no essencial deveriam incluir sons de mar e de mergulhadores em três partes da música compostas propositadamente para tal fim. O disco ficou com 4 títulos originais completamente desconhecidos do público, o que naquele tempo não era vulgar pois as práticas dos conjuntos como o nosso era editarem “covers” de êxitos internacionais. O exposto releva a importância que para nós tinha este trabalho cuidado de pós-produção.

O resto da tarde estava reservada para uma sessão fotográfica mas o mau tempo obrigou ao seu adiamento para a manhã seguinte. Este adiamento permitiu dar apoio aos desalojados das cheias em Alverca com a Associação dos Estudantes de Económicas, da qual o Fernando Pascoal de Matos, nosso representante em Lisboa, era membro.

Na manhã de 30/11 fomos até à beira rio em Belém tirar as fotos para a capa do disco. A foto seleccionada foi uma das tiradas junto ao Monumento dos Descobrimentos, coladinhos à sua base, com o Victor com os joelhos encolhidos para todos aparentarmos a mesma estatura. Com a excepção do Vató (1º esquerda) e do Luis Dutra (penúltimo), vestíamos as nossas casacas inspiradas no modelo do Sargeant Peppers.

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 (e-d) Vató, Eduardo Pinto, José Merino, Victor Barros, Luis Dutra e Carlos Loureiro.

 

         Regressámos a Viseu sexta-feira 1 de Dezembro confiantes no entusiasmo da equipa técnica que bem anotou o que pretendíamos na pós-produção e no resultado que a inclusão dos sons do mar no “Poema do homem-rã” iria provocar.

Pretendia-se que o disco viesse a ser editado no Natal mas tal só veio a acontecer no Carnaval de 1968. Quando o ouvimos a 1ª vez o disco numa casa de discos de Viseu constatámos, com grande tristeza, o incumprimento contratual da Editora no pós-produção do disco. Disco B.jpg

 

Andámos sempre bem acompanhados. O nosso Bem Haja aos amigos:

Alberto Martins Carrilho, António Matos, António Xavier de Sá Loureiro, Camané Serpa, Fernando Pascoal de Matos, José Sacadura, Maurício de Sousa e Rogério Dourado.

porep

fonte: (*) Blog IÉ-IÉ

publicado por os tubaroes, Viseu às 23:42
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25 de Abril de 2017

Joaquim Guimarães dos Santos (Quim Guimarães)

(C.V. Musical, Viseu anos'60s)

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- Do Avô herdou uma guitarra portuguesa mas a sua inspiração e admiração vieram do Pai, visto que o via e ouvia horas sem par a dedilhar a sua viola, e pelos 10 anos já o acompanhava em harmónica de boca.

Este dueto, Pai e Filho, chegou a gravar melodias que aos domingos iam para o Ar na antena da Rádio Caramulo com um repertório baseado no folclore nacional. A fama alastrou pelo bairro com a vizinhança a sintonizar bem alto a Rádio Caramulo e as transmissões dos arranjos musicais do Senhor Abel e seu filho Quinzinho. Aos 12 anos, ensinado pelo Pai, aprendeu os primeiros acordes na viola mas o que verdadeiramente despertou o seu talento foi o filme “Rock Around the Clock” do Bill Haley and his Comets, que viu da Geral do nosso AVENIDA TEATRO na Avenida Emídio Navarro (sensívelmente onde hoje está o Restaurante Casablanca).

 


"Teria uns doze/treze anos qundo pedi ao meu pai para me ensinar a tocar viola. Ele disse-me: olha Quim, eu ensino-te os tons e tu praticas... vai ser difícil ao principio e tens que ter os dedos da mão esquerda calejados. Ensinou-me a colocar a mão esquerda e a posição do pulso no braço da viola para abranger as cordas todas, e deu-me instruções para colocar os dedos da mão direita nas cordas para tocar. O que ninguém sabe é que aprendi a pôr os dedos da mão direita na viola de uma maneira incorreta... assim o dedo que deveria ser na corda mi pu-lo na corda sol e troquei a posição. Na viola eléctrica tocava com palheta mas na viola acústica sempre toquei técnicamente incorreto... ainda hoje!!!!" (... QG)


 

 

Não mais largou a viola e em 1960 foi convidado a participar no acampamento da Mocidade Portuguesa actividade incluída no evento da inauguração do monumento aos Descobrimentos em Belém. Neste encontro da juventude da Mocidade Portuguesa de todos os Continentes, os serões musicais eram encontros geracionais que animavam e uniam os jovens portugueses vindos de todos os cantos do Mundo.

Em 1961 num Sarau dos Alunos da Escola Comercial e Industrial de Viseu (actual Escola Secundária Emídio Navarro) teve a primeira formação musical com Gualter, que cantava “You are my destiny” e “Diana” grandes êxitos de Paul Anka, com o Fausto que tocava acordeão e o Quim Guimarães que já solava êxitos dos Shadows como “Os Cavaleiros do Céu” e o “Apache”.

 

- Anunciados como o Conjunto “Os Petas” a sua actuação foi considerada um grande sucesso e o início de uma carreira musical destes três jovens músicos que durante alguns anos animaram várias festas em Viseu em vários grupos musicais.

 

    (Os Petas) com (e-d) Desconhecido, Fausto, Gualter, Quim Guimarães e Desconhecido.

01 02 scan0008.jpg

 

 01 00 FB 539021_10200184076183227_133086078_n b.jpA evolução da música ligeira atraía cada vez mais a juventude e apareciam duos como “The Kings", trios vocais a cantar tirolês, Paul Anka, Conchas e, no Liceu, o Beto Gonçalves a cantar Elvis Presley. O Quim Guimarães passou a ser o “Viola” de serviço acompanhando todos eles na sua viola acústica, até que um jovem colega com muito geito para a electrónica inventou um microfone para a viola criando assim a sua primeira viola eléctrica inaugurada num famoso Sarau do Liceu.

 

 Mário Costa c.jpg

Ao tempo Viseu tinha um grande Mestre da música ligeira, Mário Costa, conhecido e apreciado a nível nacional que além de uma prestigiada Escola Musical de Acordeãos, desde os anos 50’s dirigia a Orquestra Cine JAZZ a qual, além de animar as festas e bailes que se realizavam pela cidade e arredores, acompanhava as grandes vedetas da Canção Nacional que muitas vezes actuavam no nosso famoso Avenida Teatro, acima referido. A idade de alguns elementos do Cine Jazz e os ventos da nova onda musical levaram Mário Costa a formar o seu próprio conjunto convidando o Quim Guimarães, o Gualter e o Fausto a juntarem-se ao Carlinhos da Sé, voz e bateria e alguns elementos vindos da Orquestra Cine Jazz.

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 Conjunto de Mário Costa com (e-d): Gualter (contra-baixo), Quim Guimarães (viola), António Correia (violino), Fausto (acordeão) e Mário Costa ao piano.

 

Em Janeiro de 1962 o famoso baile de finalistas do Liceu de Viseu teve como principal atracção o Conjunto italiano Andrea Tosi alternando com o Conjunto de Mário Costa. Para o Quim Guimarães foi a sua noite de sonho musical pois além de muito andar a aprender com os ensaios do Mário Costa pôde assistir ao vivo a uma actuação de outros músicos de grande craveira com quem também muito aprendeu. Motivos particulares levaram Mário Costa a sair da cidade. Camilo Costa, seu filho, ficou à frente da Escola de Acordeãos e o Conjunto Mário Costa deu origem a dois novos conjuntos em Viseu: Os Condes liderados por Camilo Costa e os Diamantes formados por Quim Guimarães (viola), Gualter (voz e contra-baixo), Fausto (piano e acordeão) e o Carlinhos da Sé (voz e bateria).

01 04 Diamantes copy.jpgOs Diamantes com (e-d): Norton, Fausto, Carlinhos da Sé e Gualter (Clube de Viseu, 1965).

 

Entretanto os Pais do Quim Guimarães deram-lhe um valioso presente: uma viola eléctrica.

Foi o momento da grande viragem da sua vida musical sentindo em definitivo que os seus verdadeiros companheiros de vida eram a música e a sua nova viola. Como perfeccionista que era, sempre se preocupou com o rigor da interpretação e a temática do som, uma disciplina não muito cuidada na região. Com a sua nova viola eléctrica entregou-se aos seus ensaios solitários, diários e de horas a fio. Objectivo: a perfeição !

 


"Nessa altura eu ensaiava muito, sózinho em casa. Por vezes passava horas a tocar viola e a praticar escalas. O Assunção, grande amigo meu, emprestou-me um gravador de fita com músicas novas, algumas do grupo francês "Les Chats Sauvages". Eles e outros grupos da altura inspiraram-me a adaptar "O Voo do Moscardo". Passei horas e dias a ensaiar sem parar, fiz muitos calos nas mãos, e finalmente usei o dedo mindinho que me ajudou muito na execução do Voo do Moscardo. A partir daí era capaz de executar qualquer música... não havia obstáculos para nada!!!”(... Q.G.)


  

E a sua interpretação do “Voo do moscardo” começou a ser muito famosa e apreciada pois era a mostra do seu virtuosismo e um momento alto nas suas actuações. Só a interpretava quando sentia motivação e ambiente para tal.

Os Diamantes lideraram as festas da cidade de Viseu e arredores entre 1962 e 1964 actuando por todo o Distrito de Viseu com uma playlist de músicas de baile composta por música tradicional portuguesa, brasileira e sul-americana, italiana e francesa. "Os Diamantes" evoluiram muito nesses dois anos e já se preocupavam com a sua apresentação cuidando a roupa com que actuavam e também a sua postura em palco.


“Tocámos muito, sempre juntos e aprendemos muito também, mas a nova música estava a chegar de Inglaterra... os guedelhudos!!! “Os Beatles!!!!! Twist and Shout”. Essa era a música que eu queria tocar. E um dia ouvi tocar um grupo novo de Viseu... “Os Tubarões”, e eles tocaram o Twist and Shout!!!!!!!!!!! Claro nessa altura “Os Tubarões” estavam a começar, mas notei logo muito potencial...” (... Q.G.)


 

Em meados de 1965, perante o desafio do Grande Concurso IÉ-IÉ, o Quim Guimarães foi convidado a integrar “Os Tubarões” como viola solo, missão que aceitou com alegria pois além de músicas dos consagrados Beatles e Rolling Stones "Os Tubarões" tocavam muitos êxitos dos conjuntos do momento destacando-se a música dos "The Animals", conjunto de Eric Burdon e Alan Price que se aventuravam em novos desafios instrumentais assentes nos blues e folk.

 


“... ... Começámos a ensaiar no Cine Rossio preparando a nossa participação no IÉ-IÉ. Nos ensaios, sempre que alguma música ou som não fosse do agrado do Quim, ele parava de tocar, saía do Palco e ia para a assistência ouvir-nos, esmiuçava todos os instrumentos e sons e obrigava-nos a repetir até perceber e levar-nos a corrigir o pormenor que não lhe soava bem. Com ele começámos a interpretar músicas de uma craveira musical mais exigente quer na vertente instrumental quer na vertente de vozes.” (...porViseu’ 60s.)


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Os Tubarões nos ensaios no Cine Rossio para Concurso IÉ-IÉ: Foto da esq.: 1ª Eliminatória (Out.1965); Foto dir.: 2: Semi-Final (Jan.1966). Formação: Voz: José Merino; Teclas: Carlos A. Loureiro; Viola Solo: Quim Guimarães; Viola Ritmo Victor Barros; Viola Baixo: Luis Dutra; Bateria: Eduardo Pinto.  


 

02 01Tub 65 11 31.jpg

 

 

A estreia de “Os Tubarões” com o Quim Guimarães ocorreu no “Jantar à Americana” no Grande Hotel Lisboa nas Termas de S. Pedro do Sul no final do mês de Setembro de 1965. 

 

 

 

Os Tubarões no Grande Hotel Lisboa- (e-d) Luis Dutra (Baixo), Victor Barros (Ritmo) e Quim Gui,marães (Solo) e José Merino (Vocalista).

 

 

A 9 de Outubro Os Tubarões apresentaram-se na 7ª Eliminatória do Grande Concurso IÉ-IÉ com “Os Sheiks” (Lisboa), “Os Galãs” (Porto), “Os Kzares” (Aveiro) e “Os Jovens do Ritmo” (Seixal). Juntamente com “Os Sheiks”, “Os Tubarões” foram apurados para a fase seguinte, as semi-finais.

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Concurso IÉ-IÉ: Os Tubarões no Palco do Teatro Monumental, Lisboa

 

 

- Entretanto em Portugal corria a moda dos Festivais IÉ-IÉ e também em Viseu se realizou uma tarde IÉ-IÉ numa matinée de domingo no Cine-Rossio com a participação de “Os Corsários” um conjunto também de Viseu e “Os Tubarões”, que as imagens documentam.

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Festival IÉ-IÉ em Viseu (1965): (e-d): Os Corsários (José Figueiredo, Carlos Assunção, Norton e Fernando Dias) e Os Tubarões (Luis Dutra, Quim Guimarães, José Merino, Eduardo Pinto e Carlos Lureiro.

 

- Em Dezembro os Tubarões foram notificados da sua passagem às meias-finais do IÉ-IÉ marcada para o dia 15 de Janeiro de 1966.


“Concurso IÉ-IÉ: Semi-final.

… Fomos chamados para a 2ª semi-final que se realizou a 15 de Janeiro no Teatro Monumental com os seguintes conjuntos: os Saints (futuros Claves), que vieram a ganhar na final do Concurso, os Jets, os Cometas Negros de Castelo Branco, os Kímicos, e os Boys de Coimbra.

... Entrámos em palco vestidos com um bonito fato cinzento de trespasse feito na Alfaiataria Freitas em S. Pedro do Sul e começámos com o Satisfaction, um clássico com aceitação muito generalizada e a adesão foi muito boa. Seguiram-se os primeiros acordes do baixo do We gotta get out o this place, último êxito dos Animals, grupo que tinha uma configuração instrumental muito semelhante à nossa para além do timbre do Zé Merino lembrar o timbre do Eric Burdon. Ainda com os aplausos no ar o Quim arrancou com os inconfundíveis primeiros acordes do “I Feel Fine” e terminámos com uma fortíssima interpretação do Zé Merino no “It’s my life” dos Animals, uma música do final do ano de 1965 especialmente escrita para a voz do Eric Burdon, com uma construção musical forte iniciada pela viola baixo que sincroniza com a viola solo na segunda frase musical, e assim se mantêm durante partes da música, sempre em crescendo, e sobre a qual evolui um timbre forte de voz que nalgumas fases incita ao diálogo com os coros. Sem dúvida uma boa música que nós tocávamos muito bem. E a plateia foi ao rubro. Foi uma tarde memorável. Não conseguíamos sair do palco pois os aplausos não paravam. O público pedia mais uma música e não se cansava de aplaudir. Nós agradecíamos no Palco com o Zé a dizer estar rebentado da garganta. Então o Quim Guimarães virou-se para o Júri algures no Balcão à nossa direita, levantou o indicador direito e interrogou: “só mais uma?” e foi-nos dada autorização. Interpretámos o “voo do moscardo”, um instrumental clássico que o Quim tinha adaptado à viola eléctrica, e em que demonstrava todo o seu virtuosismo. Brilhou com todo o Monumental em pé quando colocou a viola no ombro direito e solava com a viola nas costas. Uma monumental tarde no Monumental! Durante esta música parti uma das baquetas que me feriu um dos dedos jorrando sangue pela bateria. Tocámos até ao final com o público em pé. Foi uma ovação!” (...porViseu’ 60s.)


 

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Concurso IÉ-IÉ: Reportagem Jornal O Século de 16/01/1966 e anúncio dos Finalistas em Abril de 1966.

 


“Gostei imenso de tocar com a malta dos Tubarões... juntos vimos um progresso enorme em execução e adquirimos até fama nacional. Nunca me esquecerei da semi-final do concurso IÉ-IÉ no Teatro Monumental em Lisboa em Janeiro de 1966. Finalmente estávamos a fazer frente aos melhores conjuntos Portugueses da altura... foi um dos melhores dias da minha vida!!!! A gritaria era tanta que deixei de ouvir o que estava a tocar. Foi tudo por instinto... nessa altura não haviam sistemas de feedback. “Os Tubaroes” foram um sucesso enorme!

Foi também um dia muito triste da minha vida ... na audiência estava a minha namorada que me criticou muito porque eu só queria tocar a viola e ignorava os estudos. Foi um balde de água fria.

Assim acabou a minha jornada musical.” (... Q.G.)


Após esta semi-final "Os Tubarões" regressaram a Viseu, animaram o Carnaval do Clube de Viseu tendo sido a última actuação musical do Quim Guimarães que, face às pressões decidiu ir viver para Lisboa terminando assim uma carreira musical muito promissora e empobrecendo o panorama musical da nossa cidade. 

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Os Tubarões no Carnaval de 1966 no Clube de Viseu, última actuação pública do Quim Guimarães.

 

 O Quim Guimarães saiu de Viseu para Lisboa em Março de 1966, em 1967 foi chamado a cumprir o serviço militar obrigatório. Foi mobilizado para a Guiné em 1968 após o que se reuniu à Família em Moçambique. Iniciou a sua vida profissional e familiar, após 1974 radicou-se na Africa do Sul, tirou um curso de Marketing e começou a trabalhar na Coca Cola onde chegou a Director Geral de Vendas. De seguida agarrou uma oportunidade na Coca Cola Americana onde se afirmou atingindo o lugar de Director de Supply Chain na Divisao Corporativa de Marketing. Após uma carreira internacional e muitas viagens o Quim Guimarães, cidadão americano, goza hoje a sua reforma dedicando-se aos 5 filhos, amigos e à fotografia nunca perdendo de vista o piano e a sua inseparável viola. A Viseu tem vindo a espaços para estar com os Amigos que por cá deixou e ainda se lembram, com muitas saudades, do seu “voo do moscardo” do qual não há nenhuma gravação.

 

Porep.

Fontes: Quim Guimarães, porViseu’60s, “Os Tubarões”. (1) - Foto gentilmente cedida por Aires de Matos 

publicado por os tubaroes, Viseu às 16:08
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24 de Maio de 2012

 Orquestra Cine Jazz, Viseu (1942 - 1961)

 

 
Foto de 1942. Legenda (esq-dir.): António Correia - violino, Francisco (Chico Alfaiate) - bateria, Desconhecido - banjo, Desconhecida - piano, Patrocínio - trompete, Irineu Amaral - saxofone e Chaves - saxofone.
 
 
A Orquestra Cine Jazz de Viseu terá sido constituída nos anos 40's em Viseu, data da fotografia, e durante 20 anos foi um marco na música ligeira da cidade.
As suas actuações ocorriam no Orfeão de Viseu, no Café Rossio, na Feira de S. Mateus quer acompanhando os Artistas que ali actuavam no Palco principal quer animando os Bailes dos Bombeiros Voluntários às 4ªas e sábados, no Grémio (Clube de Viseu), Festas e Romarias por todo o Norte de Portugal, Queima das Fitas de Coimbra e apoiando os espectáculos no grandioso Avenida Teatro.
Na época Viseu tinha uma das melhores casas de espectáculo do País onde todos os grandes Artistas Nacionais desejavam actuar. Era o Avenida Teatro que fazia par com o Teatro Nacional de S.Carlos. Situado na Avenida Emídio Navarro o Avenida Teatro tinha sido inaugurado em 1921, com 2.000 lugares, 1.500 lâmpadas eléctricas, 2 Plateias, Geral, dois andares de Camarotes e ainda um Jardim exterior. Era uma Casa de Espectáculos de grande prestígio onde se realizavam os melhores espectáculos do País, quer de Teatro quer música ligeira. Por ali passaram as mais prestigiadas Companhias de Teatro Nacionais, foram transmitidos em directo vários espectáculos de Variedades como os Serões para Trabalhadores da Emissora Nacional, Os Companheiros da Alegria onde actuou o ilustre e romântico cantor Viseense Ulisses Sacramento, os espectáculos da Volta a Portugal, as grandes Revistas à Portuguesa tão populares na época.
 
A partir de 1947, ano em que o Maestro Mário Costa chegou à cidade, toda a animação cultural musical sofreu um grande impulso, sendo a Orquestra Cine Jazz um dos motores dessa dinamização. O Maestro Mário Costa terá iniciado as suas actuações a solo no Café Rossio aos fins de semana. O seu irrequieto e saudável modo de estar aliado com a sua dinâmica natural cedo começou a movimentar a vertente musical da cidade, assumiu a liderança da Orquestra Cine Jazz a qual começou a enfrentar novos desafios profissionais como a acompanhar grandes artistas nacionais.
 
Orquestra Cine Jazz no Avenida Teatro acompanhando a Maria de Fátima Bravo(esq) e Maria Amélia Canossa, anos 50's. A Orquestra, dirigida pelo Maestro Mário Costa, ao piano, com António Correia no violino, Patrício no trompete, Chaves ao saxofone, Manuel Pires ao rabecão e Martins na bateria.
 
 

 Maestro Mário Costa acompanha Luis Piçarra e numa pausa descontraída com Henrique Mendes.
 
 
 Actuação da Orquestra Cine Jazz, (+-1960), Festas dos Santos Populares no Académico de Viseu com (esq.dir): Carlinhos da Sé o vocalista, Patrocínio no trompete, Martins na bateria, Chaves no saxofone, Desconhecido no rabecão, António Correia no violino e Maestro Mário Costa ao piano.
 

 

 

 Ano 1960/61, Clube de Viseu, talvez a última formação da Orquestra Cine Jazz com a entrada de novos e jovens músicos (esq.dir.): Gualter no rabecão, Quim Guimarães na viola eléctrica, Martins na bateria, António Correia no violino, Fausto no acordeão e Maestro Mário Costa no piano.

Gualter, Quim Guimaães e Fausto, com o Carlinhos da Sé formaram a seguir Os Diamantes.

 

Agradecemos o apoio de Camilo Costa, Celso Soares Albergaria e João Correia dos Santos. Fotos do livro porViseu'60s e arquivo Foto Germano.

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 22:01
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Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
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