Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
07 de Maio de 2014

No último trimestre de 1967 um dos mais famosos Alfaiates de Viseu, Álvaro Alfaiate, propôs-se fazer uma indumentária moderna para a qual só teríamos de pagar os tecidos a preço de custo. Em troca teríamos de divulgar a Alfaiataria autora de tais trajes, o que aqui também se faz.

 

 

   

E assim nasceram as famosas casacas à Beatles lançadas na capa do Álbum Sargeant Peppers Lonely Hearts Club Band a 1 de Junho de 1967, e que também foram grande sucesso nas nossas actuações. Eram 7 casacas com as cores Azul claro, Azul escuro, Preta, Rosa, Roxa, Verde e Vermelha que muito animavam a nossa presença em Palco.

Nos intervalos das nossas actuações as Casacas iam para a montra do Álvaro Alfaiate da Rua Alexandre Herculano, 179, acompanhadas de fotos e cartazes nos diversos Palcos por onde nós actuávamos.

 

Duas das Casacas originais, a preta do nosso vocalista José Merino e a vermelha do nosso teclista Carlos Alberto Loureiro, estiveram em exposição no Clube de Viseu no dia 26 de Abril de 2014 devidamente acompanhadas por duas das violas originais do Conjunto de 1966: uma Hofner cor de madeira e uma Vox branca (bacalhau); um microfone  Austríaco AKG original e uma coluna de som Dynacord. Por cima desta estava a maquete que serviu para a foto da capa do disco "Poema do Homem Rã" lançado em Fevereiro de 1968. A foto foi tirada em Novembro de 1967, tendo como fundo a parede lateral direita do Padrão dos Descobrimentos, numa manhã de um domingo encoberto, um dia após a gravação do disco.

 

 

  

Agradecemos o apoio do Fotógrafo José Alfredo

 

porep

publicado por os tubaroes, Viseu às 23:43
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01 de Maio de 2014

A estreia oficial do conjunto ocorreu a 26 de Abril de 1964 no Salão Nobre do Clube de Viseu.
50 anos depois, correspondendo a um convite da Direcção do Clube de Viseu e do seu Presidente Dr. Francisco Mendes da Silva, decorreu uma cerimónia no mesmo Salão Nobre que incluiu uma Sessão Evocativa (I), uma exposição da vida dos Tubarões com fotos e reportagens, cartazes, programas, discos editados, instrumentos e trajes originais do conjunto (II) a que se seguiu a inauguração de uma vitrine com o espólio do conjunto relacionado com a vida deste naquele Clube (III).

A Sessão Evocativa (I) foi presidida pelo Dr. Francisco Mendes da Silva, Presidente da Direcção do Clube de Viseu, que salientou a razão de ser da cerimónia e os antecedentes que levaram à sua realização. 

 

 

 

Sobre a carreira musical do conjunto e algumas vicissitudes particulares vividas pelo grupo falou quem as viveu por dentro: José António Sacadura: 

 

 

 

"Reunimo-nos hoje para assinalar 50 anos do 1º concerto dos Tubarões, nesta sala do Clube de Viseu.

 

Pessoalmente estou aqui por uma razão muito simples: Amizade. 

Mas uma amizade que nada tem com o popular ditado que diz serem os amigos para as ocasiões, porque para mim, os amigos são para sempre. E como diria outro amigo que partiu recentemente” Um verdadeiro amigo é alguém que pega a sua mão e toca o seu coração. “(Gabriel García Márquez)

 

Estou certo que a maioria dos presentes recorda o trajecto percorrido pelos Tubarões. Muitos tiveram oportunidade de conhecer detalhes das peripécias vividas na época, graças à leitura do Livro “Viseu Anos 60”,que o Eduardo Pinto deu á estampa.

 

Por isso mesmo, não vou repetir factos ali retratados. Limitar-me-ei a evocar, muito sucintamente, alguns aspectos que ajudem a compreender o que esteve na origem, deste grupo de “afoitos infantes”.

 

No início dos anos 60, na juventude visiense predominava um grupo de mais velhos, digamos do 5ºano do liceu para cima, que por já usarem barba, nós, do grupo dos mais novos, passámos a designar” carinhosamente” por Xibos.

 

Esse grupo, aos domingos à tarde, promovia, aqui no Clube de Viseu, matines dançantes.

 

Nós, os mais novos, que já frequentávamos o Clube de Viseu, começamos a assomar á porta desta sala e alguns aventuraram-se a dar o seu pé de dança.

 

A condescendência dos mais velhos, lá permitia a nossa presença, embora sem voto na escolha das músicas postas a tocar no gira-discos.

 

Mas, para este grupo dos mais novos, as matines sabiam a pouco.

 

De alguma maneira influenciados pelas notas musicais que abalavam estruturas e traziam cheiro de novos tempos, e querendo fugir aos olhares “do Regime rigido”, a que no Clube estavam sujeitos, procuraram uma solução alternativa, que lhes desse mais liberdade.

 

E, a solução pensada apontava para criar o que viria a ser um precursor das Bandas de Garagem, neste caso,  um  orgulhoso “clube de garagem”.

 

Porém, um problema subsistia, onde conseguir uma garagem?

 

É então que o Vitor Barros, Vitó para os amigos, consegue convencer seus pais a autorizar que o sonho se tornasse realidade.

 

Assim, não propriamente na garagem, mas, na cave de sua casa em Massorim, nasceu o clube “Só +2”. Mais tarde viria a evoluir e passou a designar-se por “Tic-Tac”.

 

Ali realizávamos matines dançantes às quartas e sábados, com acesso muito restrito e sem mirones.

 

Não se pense que era um Clube qualquer, pois em réplica do Clube de Viseu, também tínhamos lanches e sala de jogo.

 

Para o nosso grupo de então entra um recém-chegado a Viseu, vindo de Moçambique, o António Fernandes, Tó Fifas para os amigos.

 

O Tó Fifas aporta ao grupo novos conhecimentos, que muito contribuíram para o seu fortalecimento.

 

Desde logo, e por graça o refiro, uma nova forma de assobiar, que passámos a usar nas nossas deambulações nocturnas e que peço ao Fifas para exemplificar.

 

Mas o mais interessante foi ter-nos revelado o seu lado artístico, tocando viola e harmónica na perfeição.

 

Daí nasce a ideia de formar um conjunto,” uma Banda de Garagem”, pois  na época banda, só a dos Bombeiros Voluntários ou a de Quadrazais.

 

E para formar esse almejado conjunto havia apenas que ultrapassar um pequeníssimo problema: Nenhum de nós sabia tocar qualquer instrumento.

 

Para que o Fifas, constituído e arvorado em Mestre, pudesse exercer o seu papel,

era preciso seleccionar quem tivesse aptidões para a coisa e arranjar uns instrumentos para iniciar as lições.

 

Tudo isto parecia fácil, até porque para cantor, o Zé Merino preenchia os requisitos, como agora se diz, e não precisava de aprender a tocar. Um dos poucos que se salvava, no meio da harmoniosa desarmonia.

 

Depois de conseguidas duas violas de empréstimo, só ficava a faltar o local para os ensaios.

 

Pois é, mais uma vez a solução passou por casa do Vitó.

 

Ali, na sala de jantar se juntavam o Vitó, o Eduardo, o Luis Dutra, o Zé Merino e o Fifas. Eu, que nem para tocar ferrinhos tinha queda, ( aliás,  meu instrumento de eleição), permanecia de espectador atento, dando apoio moral, e tentando perceber do aproveitamento dos alunos.

 

As violas lá iam contribuindo para o avanço dos instruendos, mas pior estava o baterista Eduardo, que tinha de se contentar com umas caixas de sapatos, uns testos de panelas e uma baquetas, ou melhor canetas da famosa marca BIC.  Assim, se escreveu, literalmente , o primeiro capítulo da história musical do conjunto.

 

E desta forma simples, mas com muito trabalho e dedicação e ultrapassando difíceis obstáculos, o Mestre Fifas conseguiu, com os seus dotes, aproveitar os talentos dos companheiros: Vitó, Luis, Eduardo e Zé.

 

E o melhor corolário foi o espectáculo dado nesta sala em 26 de Abril de 1964, há precisamente 50 anos. Quem diria que os penetras das matines de domingo” esses afoitos infantes”, viriam abafar o gira-discos e os Xibos dançariam ao som das suas tocadelas?

 

Depois de tão prometedor começo, surge a evolução com a entrada dos talentosos Carlos Alberto Loureiro, e mais tarde a do Quim Guimarães.

 

E a carreira lá vai continuando.

 

Mas o zénite chegou com a participação no famoso concurso ié-ié no Monumental em Lisboa, onde assisti a todas as eliminatórias, e para onde mobilizei amigas e amigos daquela época para um apoio forte. Lembrem-se que era um conjunto de província, desconhecido da juventude da capital.

 

A participação foi excelente e o resultado final ninguém o pode explicar, pois em nada correspondeu ao valor de cada um.

Por esta ocasião entra para o lugar do Quim o Valdemar, Vató para os amigos.

 

Pessoalmente e sem qualquer facciosismo posso garantir que os Tubarões mereciam o 2º ou  3º lugar e que o 1º deveria ter sido para os Sheiks, embora o resultado final não tenha explicação plausível. Mistérios do Movimento Nacional Feminino.

 

 Mas para que esta evolução se tivesse tornado realidade foi peça chave, o Exm Senhor Xavier Sá Loureiro, pai do Carlos Alberto, que deu o suporte financeiro indispensável para aquisição de novos instrumentos, supervisionava o dia a dia e toda a logística dos concertos .

 

Como corolário daquela participação, alcançaram a almejada meta: Gravar um disco.

 

Vivendo os Tubarões em Viseu e sendo necessário promover o disco pelas rádios em Lisboa, coube-me a mim e ao Fernando Pascoal de Matos, então já a viver em Lisboa,

dar as entrevistas a esses programas, de que recordo 23ªHora na RR. e PBX na Comercial.

 

Concluirei, afirmando claramente que sem o talento do Fifas, o extraordinário casal Barros, verdadeiros visionários e apoiantes incondicionais, deste grupo, os Tubarões não “teriam saído ao mar”.

 

Sem o suporte financeiro e controlo activo do Sr. Xavier Sá Loureiro, os Tubarões não teriam “nadado até outros mares”.

 

Tendo também, bem presente na memória, o Sr. Sá Loureiro, e  os amigos que tão cedo nos deixaram, Zé Merino e Luis Dutra. Mas quem é lembrado, nunca desaparece.

 

 Quero aqui prestar uma especial e singela homenagem à  Exmª  Senhora Dª Margarida Barros, que felizmente ainda se encontra entre nós e de boa saúde.

 

A Senhora Dª Margarida Barros, mãe do Vitó, foi de facto uma senhora  que  manifestou uma compreensão da juventude dos anos 60, acompanhou este movimento libertário, muito para além dos padrões praticados, pela sociedade de então.

 

 Enternecedora, na forma como acompanhava as nossas iniciativas, o carinho com que nos recebia em sua casa, será sempre recordada com muito afecto por todos os que a frequentaram.

 

E porque uma das singularidades da vida é não o “adeus”, mas o “ reencontro”, peço, para todos os que acabo de evocar, aqueles que partiram e para  os amigos de sempre, aqui presentes, Vitó, Fifas, Eduardo e Carlos Alberto  peço, dizia eu, uma calorosa salva de palmas.

 

Obrigado"

 

Apoios: José António Sacadura, Fotógrafo José Alfredo.

porep 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 00:24
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27 de Junho de 2013

S. Pedro do Sul foi uma terra importante na carreira de “Os Tubarões” por influência da Família do Vitó (Victor Barros), especialmente dos seus Pais D. Margarida Barros e Sr. Francisco Barros que sempre nos acarinharam e trataram como filhos. A porta da casa de S.Pedro estava sempre aberta e foram inúmeras as vezes que por ali ficámos com cama, mesa e roupa lavada.

 

Pois nos finais de 1963 lá fomos tocar no Clube de S.Pedro com instrumentos emprestados. Tocámos meia dúzia de músicas que todos esqueceram, nem seriam para recordar.

Já em 1964, estagiamos nas Termas, actuámos na FNAT, na MÓ - a primeira discoteca da terra construída no cimo do edifício cilindríco de um antigo moinho localizado mesmo junto do rio com acesso pelo lado direito da ponte em frente à Pensão David e no então chamado Casino – localizado no primeiro andar do Balneário Rainha D. Amélia. Em 1965 e 1966 animámos diversas festas no Hotel Lisboa.

Em 1967, no Cine-Teatro de S.Pedro do Sul demos um concerto de beneficência a favor dos Bombeiros Voluntários e acompanhámos a Lenita Gentil, actuámos nas Festas da Vila em Junho num Arraial Minhoto localizado nos Jardins do Palácio do Marquês de Reriz e em 1968 na Cabana, uma Boîte criada nos jardins da Vivenda Maria José, frontal ao jardim da Câmara Municipal.

As fotos reproduzem a nossa actuação nas Festas do S.Pedro na Cabana.

 

 Legenda (esq-dir): Carlos Alberto Loureiro (teclas), José Merino (voz), Victor Barros (v-ritmo), Eduardo Pinto (bateria) e Luis Dutra(v-baixo). Os exames retiveram o Vató no Colégio do Carregal do Sal, onde estudava, pelo que não participou na festa.

 

Estaríamos sem dúvida no auge da nossa carreira em termos musicais e instrumentais, como se comprova nas fotos.

 

 

Instrumentos: Orgão Farfisa Compact Duo; Violas Fender Stratocaster e Guild Starfire Bass.

 Amplificadores: VOX AC30; VOX UL460; VOX730 e Burns 6X2 120 para as vozes.

 

 E as Festas de S.Pedro em S.Pedro do Sul em 1968 foram um retumbante sucesso ainda hoje recordadas por muitos, como o descreve o Zé Pereira que as organizou e até aliciou o VItó conseguindo não só a nossa presença "Cabeça de Cartaz" como um reduzido cachet (três actuações com o cachet de duas) num lanche negocial animado que ele ainda hoje recorda. 

  

“  ...    V.Exª deverá recordar-se da importância que teve no ano de 1968 o contrato fechado com a famosa discoteca "A CABANA" com o qual esse grupo foi beneficiado a troco de umas cervejas pagas pelo Vitó nas negociações que ocorreram, no Café do ………, no largo frente á sua casa. 

O êxito então verificado ficou a dever-se em grande parte à promoção que fizemos nos meios de comunicação social nacionais e internacionais, o que chegou a ter a intervenção da PIDE e dos nossos amigos Legionários para controlar e fiscalizar o elevado número de entradas. O Comandante era nosso amigo pois diariamente se alimentava de bom vinho de Lafões tendo também ajudado sem problemas. A "grande enchente" feminina foi motivada pelos artistas, belos, garbosos e altamente coloridos, que tocaram e encantaram levando a referida população feminina a manifestar-se estrondosamente…

 

Com a colaboração de Zé Pereira.

 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 22:03
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05 de Abril de 2012


 
Com a devida vénia ao Semanário O Figueirense de 20120405, foto do dia 31/3 no Casino da Figueira.
Legenda (esq.dir.): Carlos Alberto Loureiro, teclados, Vató(Valdemar Ramalho), viola solo, Eduardo Pinto, bateria, Vitó(Victor Barros), viola ritmo e Luis Dutra, viola baixo.  

 
publicado por os tubaroes, Viseu às 23:16
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15 de Outubro de 2011

 

Foi no domingo, 9 de Outubro, que Os Tubarões se reuniram de novo em Gondemaria, na fantástica casa do Carlos Alberto, para uma confraternização especial motivada pela presença do Luso-Americano Quim Guimarães (Kim Senders) ex-Executivo da Direcção de Marketing da Coca-Cola, radicado em Atlanta, Estados Unidos. E para surpresa do Encontro apareceu um bolo feito pela filha do Rogério Dourado, a Filipa Dourado http://deliciasdapipas.blogspot.com/ que nos presenteou com um bolo com o formato da D.URRACA, com a decoração de 1968 - Preta e Cor de laranja.

Grande ambiente de confraternização que incluiu muito convívio, estórias, memórias e muita música.

Mais um grande momento de uma amizade nascida há 47 anos. É Obra !

Da esquerda/direita: Carlos Alberto, Luis Dutra, Fernando Pascoal de Matos, Teresa Merino, Tó Fernandes (Fifas), Eduardo Pinto e Quim Guimarães.

Grande dia, boa atmosfera e alegre convívio.

Um especial agradecimento aos anfitriões Irene e Carlos Alberto.

 

 

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publicado por os tubaroes, Viseu às 03:27
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25 de Abril de 2011

 

Quase todos os dias, normalmente depois das aulas, passávamos pelo nosso clube de garagem o “TIC-TAC”. Aos Sábados tínhamos quase sempre audição de novos discos e por vezes baile com ensaios de passes para as danças das matinées do Clube de Viseu. Quanto ao Conjunto continuávamos a ensaiar na Casa do Adro. Como instrumentos tínhamos as duas violas holandesas Egmond Manhattan, uma viola acústica, a caixa de sapatos e, quando podíamos, uma bateria alugada ou emprestada, mesmo só com a tarola e um prato. A nossa “playlist” iniciou-se com alguns dos êxitos do Cliff Richard incluindo, entre outras, as seguintes músicas: Evergreen tree, The young ones, Bachelor boy, Living doll, A girl like you, When the girl in your arms. Dos Shadows, só soladas, como Perfídia, Apache, Guitar Tango, Peace Pipe, Dance On e Sleep Walk. Do Elvis ensaiávamos o It’s now or never, Tutti frutti, Be-bop-a-lula. E também outros êxitos da época como o Oh Carol do Neil Sedaka, América, La Bamba e o If I had a hammer do Trini Lopez, o Bye bye love, The Everly Brothers, When the saints go marching in, Louis Amstrong, Hello Mary Lou, Ricky Nelson, e o Derniers Baisers dos Les Chats Sauvages. Incluíamos ainda algumas outras músicas instrumentais como as Crianças do Pireu, e o Charlston que eram sempre bem acolhidas pelo público gerando sempre alguma animação na pista. Um pouco mais tarde as músicas dos Beatles.

Foi em Março de 1964 que a Radio Caroline, a mais famosa estação clandestina de rádio, iniciou as suas emissões a partir de um barco localizado em águas internacionais ao largo do Reino Unido. Foi criada com o objectivo de promover a novíssima música Pop e os novos conjuntos musicais que as Rádios tradicionais não passavam, e algumas até, boicotavam. A Radio Caroline lançou os novos conjuntos, discos, singles e elaborava uma classificação semanal dos êxitos através do seu Top Ten. Foi esta a rádio que promoveu os Beatles, os Rolling Stones, os Who, os Animals, os Searchers, os Kinks, os Manfred Man, os Hollies, os Birds e muitos outros, com os lançamentos antecipados dos seus novos singles. Tinha um tipo de locução muito viva e dinâmica que contrastava com a voz pautada e respirada da escola de rádio tradicional. E nós por cá sintonizávamos em FM o programa “a 23ªHora”, um programa da nova geração, dinâmico e com muita audiência junto das camadas jovens, e um pouco mais tarde o “Em Órbita”, no Rádio Clube Português. A música Pop ganhava definitivamente o estrelato.

Em Abril reiniciaram-se as matinées quinzenais no Clube de Viseu, sempre aos domingos, agora organizadas pelo grupo Arranha Teddy Twist Club (Os Xibos) liderados pelo O.Martins, F.Matos, Palhoto e J.Barreiros. Era o Grupo mais próximo do nosso, cerca de um ano lectivo mais adiantados, e que acompanhavam à distância as notícias sobre a evolução do Conjunto. Surgiu então a ideia de se organizar uma matinée dançante para a apresentação pública de Os Tubarões junto do seu público alvo. Aconteceu a 26 de Abril com instrumentos e aparelhagens emprestados, em que ainda um dos nossos Rádios serviu de amplificador da viola ritmo do Victor, uma Egmond Manhattan. Foi uma tarde memorável, um grande sucesso com sala esgotada, que gerou uma boa receita a qual permitiu o arranjo do gira-discos do Clube, que já apresentava sinais de algum cansaço. Fizémos dois takes de cerca de uma hora cada com um intervalo e, no final, alguns encore, naturalmente a pedido do público. Dessa data e para a posteridade ficou esta foto com o nosso primeiro grupo de Amigas, Fãs e Admiradores. Na foto podem ver-se: (Superior, esq/dir.) Sá, António Júlio Valarinho, Tó Fernandes, Tito, Eduardo Pinto, Cristiano e mais atrás o Luis Mesquita e o Carlos Alberto ao tempo do Conjunto “Os Ases” com quem partilhámos alguns instrumentos e equipamentos; (meio, e/d) Zé Sacadura, Luis Dutra, Vitó, Zé Merino e Frederico; (em pé) Lena Viegas, Graça Ébil, Anita, Manuela, Helena, Teresa Guerra, Alcina e Dulce. Este sim foi para nós o nosso verdadeiro baptismo de palco, o nosso primeiro concerto para o nosso público, num Palco de boas memórias onde voltámos a actuar inúmeras vezes.

 ‘.’ Extracto do livro porViseu'60s. - Retratos de Viseu nos 60's, e da vida musical do Conjunto Académico Os Tubarões, a editar em breve.

publicado por os tubaroes, Viseu às 18:35
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24 de Fevereiro de 2011

 

O Carnaval de 1968 foi a 27 de Fevereiro. Fomos contratados para fazermos o Canaval na Neve pelo Clube Nacional de Montanhismo. Foi um óptimo contrato objecto de leilão entre as várias propostas que nos surgiram, e que se fechou com um

cachet no valor de 30.000$00 mais a estadia.

Saímos de Viseu no Sábado de manhã à frente de uma grande comitiva com vários carros e muitos amigos. Estava um dia muito frio, chovia muito, e por isso optámos pelo trajecto Viseu, Guarda, Covilhã, Torre. Nevava quando chegámos à Covilhã, onde nos concentrámos e almoçámos. A subida para a Serra foi muito difícil porque caía um grande nevão e havia uma grande fila de trânsito nos dois sentidos. Na frente seguia a D. Urraca (a nossa carrinha VW pão de forma) com o Rogério Dourado e o Victor Barros, carregada com os instrumentos. Subia muito lentamente e começou a patinar. As horas passavam e não se avançava. Pedimos ajuda à GNR que, com dois jeeps, conseguiu fazer chegar a D. Urraca ao Clube de Montanhismo, já rebocada e com o motor gripado.

Com o Salão completamente esgotado, nessa noite a festa começou  pouco mais tarde mas animou muito e foi até às tantas.

Foi o Carnaval mais divertido da história do Conjunto.

Cá fora a neve caía incessantemente e as estradas continuavam bloqueadas. O Carnaval da Neve realizava-se nas Penhas da Saúde na Colónia Infantil da Montanha, um edifício grande que além do Salão da Festa tinha várias camaratas. Como ninguém podia sair a Organização disponibilizou as camaratas, divididas em feminina e masculina com os tradicionais beliches, separadas por meias paredes que não chegavam ao tecto. Muito tarde e a más horas, depois de o Baile acabar, começavam os diálogos entre os casais separados na busca dos artigos de higiene, que propiciavam comentários cruzados, oportunos, com muito humor e a gargalhada era geral. O Vató andava muito inspirado e saía-se com cada àparte que não deixava ninguém dormir. E como era Carnaval …

Foi de morrer a rir!

 

 Na foto, da tarde de 25 de Fevereiro de 1968, o José Merino, o Carlos Assunção (Os Corsários) e o Carlos Alberto Loureiro brincam na neve frente à Colónia. Pode ainda ver-se o Cooper do Assunção estacionado junto à Colónia.

 

 

 

 

 

 

 

Por Eduardo Pinto, extracto das memórias de Os Tubarões.

 

os.tubaroes.viseu@gmail.com    http://ostubaroesviseu.blogs.sapo.pt/

 

www.facebook.com/tubaroes                  www.myspace.com/tubaroes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 22:31
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23 de Fevereiro de 2011

 

Imprensa em 1968

A imprensa comenta o nosso disco:

“Eles são seis. Carlos Alberto, Vitor Barros, Luis Dutra, José Alexandre, Valdemar António e Eduardo Pinto formam «Os Tubarões». Viseu orgulha-se do seu jovem conjunto. E eles sabem prestigiar a cidade onde vivem. O seu primeiro disco, agora editado pela Alvorada, tem atrás de si quatro anos de preparação, que foi o tempo que «Os tubarões» deram a si próprios para estruturar o conjunto. E o disco, o EP-60-999, com dois trechos em inglês e outros dois em português da autoria dos elementos do sexteto, dá conta do nível atingido pelo conjunto de Viseu."



publicado por os tubaroes, Viseu às 00:28
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Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
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