Este blog descreve momentos da vida do Conjunto Académico "Os Tubarões", de Viseu, entre 1961 e 1968.
25 de Abril de 2011

 

Quase todos os dias, normalmente depois das aulas, passávamos pelo nosso clube de garagem o “TIC-TAC”. Aos Sábados tínhamos quase sempre audição de novos discos e por vezes baile com ensaios de passes para as danças das matinées do Clube de Viseu. Quanto ao Conjunto continuávamos a ensaiar na Casa do Adro. Como instrumentos tínhamos as duas violas holandesas Egmond Manhattan, uma viola acústica, a caixa de sapatos e, quando podíamos, uma bateria alugada ou emprestada, mesmo só com a tarola e um prato. A nossa “playlist” iniciou-se com alguns dos êxitos do Cliff Richard incluindo, entre outras, as seguintes músicas: Evergreen tree, The young ones, Bachelor boy, Living doll, A girl like you, When the girl in your arms. Dos Shadows, só soladas, como Perfídia, Apache, Guitar Tango, Peace Pipe, Dance On e Sleep Walk. Do Elvis ensaiávamos o It’s now or never, Tutti frutti, Be-bop-a-lula. E também outros êxitos da época como o Oh Carol do Neil Sedaka, América, La Bamba e o If I had a hammer do Trini Lopez, o Bye bye love, The Everly Brothers, When the saints go marching in, Louis Amstrong, Hello Mary Lou, Ricky Nelson, e o Derniers Baisers dos Les Chats Sauvages. Incluíamos ainda algumas outras músicas instrumentais como as Crianças do Pireu, e o Charlston que eram sempre bem acolhidas pelo público gerando sempre alguma animação na pista. Um pouco mais tarde as músicas dos Beatles.

Foi em Março de 1964 que a Radio Caroline, a mais famosa estação clandestina de rádio, iniciou as suas emissões a partir de um barco localizado em águas internacionais ao largo do Reino Unido. Foi criada com o objectivo de promover a novíssima música Pop e os novos conjuntos musicais que as Rádios tradicionais não passavam, e algumas até, boicotavam. A Radio Caroline lançou os novos conjuntos, discos, singles e elaborava uma classificação semanal dos êxitos através do seu Top Ten. Foi esta a rádio que promoveu os Beatles, os Rolling Stones, os Who, os Animals, os Searchers, os Kinks, os Manfred Man, os Hollies, os Birds e muitos outros, com os lançamentos antecipados dos seus novos singles. Tinha um tipo de locução muito viva e dinâmica que contrastava com a voz pautada e respirada da escola de rádio tradicional. E nós por cá sintonizávamos em FM o programa “a 23ªHora”, um programa da nova geração, dinâmico e com muita audiência junto das camadas jovens, e um pouco mais tarde o “Em Órbita”, no Rádio Clube Português. A música Pop ganhava definitivamente o estrelato.

Em Abril reiniciaram-se as matinées quinzenais no Clube de Viseu, sempre aos domingos, agora organizadas pelo grupo Arranha Teddy Twist Club (Os Xibos) liderados pelo O.Martins, F.Matos, Palhoto e J.Barreiros. Era o Grupo mais próximo do nosso, cerca de um ano lectivo mais adiantados, e que acompanhavam à distância as notícias sobre a evolução do Conjunto. Surgiu então a ideia de se organizar uma matinée dançante para a apresentação pública de Os Tubarões junto do seu público alvo. Aconteceu a 26 de Abril com instrumentos e aparelhagens emprestados, em que ainda um dos nossos Rádios serviu de amplificador da viola ritmo do Victor, uma Egmond Manhattan. Foi uma tarde memorável, um grande sucesso com sala esgotada, que gerou uma boa receita a qual permitiu o arranjo do gira-discos do Clube, que já apresentava sinais de algum cansaço. Fizémos dois takes de cerca de uma hora cada com um intervalo e, no final, alguns encore, naturalmente a pedido do público. Dessa data e para a posteridade ficou esta foto com o nosso primeiro grupo de Amigas, Fãs e Admiradores. Na foto podem ver-se: (Superior, esq/dir.) Sá, António Júlio Valarinho, Tó Fernandes, Tito, Eduardo Pinto, Cristiano e mais atrás o Luis Mesquita e o Carlos Alberto ao tempo do Conjunto “Os Ases” com quem partilhámos alguns instrumentos e equipamentos; (meio, e/d) Zé Sacadura, Luis Dutra, Vitó, Zé Merino e Frederico; (em pé) Lena Viegas, Graça Ébil, Anita, Manuela, Helena, Teresa Guerra, Alcina e Dulce. Este sim foi para nós o nosso verdadeiro baptismo de palco, o nosso primeiro concerto para o nosso público, num Palco de boas memórias onde voltámos a actuar inúmeras vezes.

 ‘.’ Extracto do livro porViseu'60s. - Retratos de Viseu nos 60's, e da vida musical do Conjunto Académico Os Tubarões, a editar em breve.

05 de Junho de 2010

Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários

(Feira de S. Mateus, Setembro de 1960)

 

Nos terrenos da Feira de S. Mateus foi construído nos anos 30’s um bonito edifício de arquitectura modernista, cujas traseiras davam para a Central Eléctrica localizada na rua da Ponte de Pau. Tratava-se do Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários de Viseu (BVV), seguramente o maior e o mais bonito edifício, o de maior destaque e prestígio no recinto da Feira de S. Mateus, com um piso único elevado ao estilo de uma “mezzanine”. Tratava-se de um amplo Salão com duas frentes rasgadas para o recinto da Feira de S. Mateus e que durante o período da feira, todo o mês de Setembro até às vésperas da data de início do ano escolar a 6 de Outubro(+-), era utilizado pelos Bombeiros Voluntários de Viseu para a prestação de serviços de restauração servindo o montante apurado como reforço de fundos tão necessários ao suporte das suas actividades totalmente voluntárias.

 

Os Bombeiros Voluntários de Viseu sempre tiveram muito valor, um enorme prestígio na cidade e eram um foco de entusiasmo e adesão de muita juventude que, voluntariamente e com grande orgulho, aderia a tão nobre e justa causa de ajuda à comunidade. Além das suas actividades voluntárias de socorro às populações os BVV tiveram no passado uma grande intervenção cultural nomeadamente através de um Grupo de Teatro Amador que levou à cena no Teatro Viriato várias peças algumas delas acarinhadas pela nossa conterrânea Mirita Casimiro.

 

Pois durante a Feira de S. Mateus, nos anos 60’s, o Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários era o local mais “chique” e mais cobiçado da Feira. O espaço tinha atributos únicos como os disputadíssimos “toilletes” (uma fragilidade no “adn” da Feira que se mantém), as mesas viradas à rua que permitiam observar e comentar os passeantes e visitantes, assistir aos espectáculos, gincanas e outras iniciativas como se se estivesse num camarote de um teatro. Havia serviços de chá com torradas ou farturas, o branco a copo, ou o famosíssimo Caldo Verde com a broa fresca de Vildemoinhos. Além destes serviços directos este Pavilhão também era o mais seguro refúgio sempre que a chuva pregava as suas partidas, o que não era tão raro quanto isso.

Todo o serviço no Salão de chá era feito pelos bombeiros voluntários nos seus tempos livres, com o traje azul de bombeiro e os seus reluzentes botões de latão amarelo. O Salão, à esquerda de quem entrava, tinha um enorme e altíssimo balcão de serviço, com vista e controlo de todo o espaço. À direita deste, no canto frontal à entrada, o estrado para a Orquestra. À esquerda uma entrada que dava acesso aos famosos “toilletes” e ainda a uma Copa mais recatada e só para “Maiores” onde se podia beber um copo (branco, tinto, cerveja, Bussaco ou pirolito), acompanhado por um petisco (pasteis de bacalhau, panados, enguias, empadas ou rissóis, …).

 

Nos dias principais da Feira havia uma cerrada disputa pelas mesas viradas à rua e não era raro assistir-se à marcação presencial com horas de antecipação.

 

E aos Sábados?

Aos Sábados havia “Chá Dançante” no Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários de Viseu (tempos houve que eram às 4ªs e sábados). Eram quatro bailes com grande procura, quase sempre esgotados que punham a cidade numa grande agitação. Os cabeleireiros entupiam, os sapateiros engraxavam, os perfumes esgotavam, e as mais jovens debutavam numa grande comoção. Ir ao Baile dos Bombeiros era uma grande emoção!!!

 Ao princípio os bailes eram animados pelas orquestras locais como a Orquestra do Cine Jazz, a orquestra do Mário Costa, Os Diamantes, entre outras. Na época de maior sucesso já eram as principais Orquestras Nacionais como a de Shegundo Galarza, Toni Hernandez, Costa Pinto, e até o Conjunto Italiano Manino Marini, que fez várias épocas em Portugal com os grandes sucessos românticos e únicos da música italiana.

 

E hoje, Viseu, o que é feito de tamanha animação?

 

 

Os chás dançantes dos Bombeiros Voluntários foram, para mim, uma das fontes de inspiração para o que é hoje o conceito de “Os Melhores Anos”.

 

Eduardo Pinto

www.myspace.com/tubaroes

 

 

(O nosso Bem Haja: F.Matos, B.V.V. e "Foto Germano").

 

 Com a devida vénia ao "Made in Viseu", onde este original foi publicado.

 

 

 

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Que belas noitadas para n... Ver maisós os mais no...
Olá Tubarões!Que belos momentos vividos, e como se...
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