Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
01 de Maio de 2014

A estreia oficial do conjunto ocorreu a 26 de Abril de 1964 no Salão Nobre do Clube de Viseu.
50 anos depois, correspondendo a um convite da Direcção do Clube de Viseu e do seu Presidente Dr. Francisco Mendes da Silva, decorreu uma cerimónia no mesmo Salão Nobre que incluiu uma Sessão Evocativa (I), uma exposição da vida dos Tubarões com fotos e reportagens, cartazes, programas, discos editados, instrumentos e trajes originais do conjunto (II) a que se seguiu a inauguração de uma vitrine com o espólio do conjunto relacionado com a vida deste naquele Clube (III).

A Sessão Evocativa (I) foi presidida pelo Dr. Francisco Mendes da Silva, Presidente da Direcção do Clube de Viseu, que salientou a razão de ser da cerimónia e os antecedentes que levaram à sua realização. 

 

 

 

Sobre a carreira musical do conjunto e algumas vicissitudes particulares vividas pelo grupo falou quem as viveu por dentro: José António Sacadura: 

 

 

 

"Reunimo-nos hoje para assinalar 50 anos do 1º concerto dos Tubarões, nesta sala do Clube de Viseu.

 

Pessoalmente estou aqui por uma razão muito simples: Amizade. 

Mas uma amizade que nada tem com o popular ditado que diz serem os amigos para as ocasiões, porque para mim, os amigos são para sempre. E como diria outro amigo que partiu recentemente” Um verdadeiro amigo é alguém que pega a sua mão e toca o seu coração. “(Gabriel García Márquez)

 

Estou certo que a maioria dos presentes recorda o trajecto percorrido pelos Tubarões. Muitos tiveram oportunidade de conhecer detalhes das peripécias vividas na época, graças à leitura do Livro “Viseu Anos 60”,que o Eduardo Pinto deu á estampa.

 

Por isso mesmo, não vou repetir factos ali retratados. Limitar-me-ei a evocar, muito sucintamente, alguns aspectos que ajudem a compreender o que esteve na origem, deste grupo de “afoitos infantes”.

 

No início dos anos 60, na juventude visiense predominava um grupo de mais velhos, digamos do 5ºano do liceu para cima, que por já usarem barba, nós, do grupo dos mais novos, passámos a designar” carinhosamente” por Xibos.

 

Esse grupo, aos domingos à tarde, promovia, aqui no Clube de Viseu, matines dançantes.

 

Nós, os mais novos, que já frequentávamos o Clube de Viseu, começamos a assomar á porta desta sala e alguns aventuraram-se a dar o seu pé de dança.

 

A condescendência dos mais velhos, lá permitia a nossa presença, embora sem voto na escolha das músicas postas a tocar no gira-discos.

 

Mas, para este grupo dos mais novos, as matines sabiam a pouco.

 

De alguma maneira influenciados pelas notas musicais que abalavam estruturas e traziam cheiro de novos tempos, e querendo fugir aos olhares “do Regime rigido”, a que no Clube estavam sujeitos, procuraram uma solução alternativa, que lhes desse mais liberdade.

 

E, a solução pensada apontava para criar o que viria a ser um precursor das Bandas de Garagem, neste caso,  um  orgulhoso “clube de garagem”.

 

Porém, um problema subsistia, onde conseguir uma garagem?

 

É então que o Vitor Barros, Vitó para os amigos, consegue convencer seus pais a autorizar que o sonho se tornasse realidade.

 

Assim, não propriamente na garagem, mas, na cave de sua casa em Massorim, nasceu o clube “Só +2”. Mais tarde viria a evoluir e passou a designar-se por “Tic-Tac”.

 

Ali realizávamos matines dançantes às quartas e sábados, com acesso muito restrito e sem mirones.

 

Não se pense que era um Clube qualquer, pois em réplica do Clube de Viseu, também tínhamos lanches e sala de jogo.

 

Para o nosso grupo de então entra um recém-chegado a Viseu, vindo de Moçambique, o António Fernandes, Tó Fifas para os amigos.

 

O Tó Fifas aporta ao grupo novos conhecimentos, que muito contribuíram para o seu fortalecimento.

 

Desde logo, e por graça o refiro, uma nova forma de assobiar, que passámos a usar nas nossas deambulações nocturnas e que peço ao Fifas para exemplificar.

 

Mas o mais interessante foi ter-nos revelado o seu lado artístico, tocando viola e harmónica na perfeição.

 

Daí nasce a ideia de formar um conjunto,” uma Banda de Garagem”, pois  na época banda, só a dos Bombeiros Voluntários ou a de Quadrazais.

 

E para formar esse almejado conjunto havia apenas que ultrapassar um pequeníssimo problema: Nenhum de nós sabia tocar qualquer instrumento.

 

Para que o Fifas, constituído e arvorado em Mestre, pudesse exercer o seu papel,

era preciso seleccionar quem tivesse aptidões para a coisa e arranjar uns instrumentos para iniciar as lições.

 

Tudo isto parecia fácil, até porque para cantor, o Zé Merino preenchia os requisitos, como agora se diz, e não precisava de aprender a tocar. Um dos poucos que se salvava, no meio da harmoniosa desarmonia.

 

Depois de conseguidas duas violas de empréstimo, só ficava a faltar o local para os ensaios.

 

Pois é, mais uma vez a solução passou por casa do Vitó.

 

Ali, na sala de jantar se juntavam o Vitó, o Eduardo, o Luis Dutra, o Zé Merino e o Fifas. Eu, que nem para tocar ferrinhos tinha queda, ( aliás,  meu instrumento de eleição), permanecia de espectador atento, dando apoio moral, e tentando perceber do aproveitamento dos alunos.

 

As violas lá iam contribuindo para o avanço dos instruendos, mas pior estava o baterista Eduardo, que tinha de se contentar com umas caixas de sapatos, uns testos de panelas e uma baquetas, ou melhor canetas da famosa marca BIC.  Assim, se escreveu, literalmente , o primeiro capítulo da história musical do conjunto.

 

E desta forma simples, mas com muito trabalho e dedicação e ultrapassando difíceis obstáculos, o Mestre Fifas conseguiu, com os seus dotes, aproveitar os talentos dos companheiros: Vitó, Luis, Eduardo e Zé.

 

E o melhor corolário foi o espectáculo dado nesta sala em 26 de Abril de 1964, há precisamente 50 anos. Quem diria que os penetras das matines de domingo” esses afoitos infantes”, viriam abafar o gira-discos e os Xibos dançariam ao som das suas tocadelas?

 

Depois de tão prometedor começo, surge a evolução com a entrada dos talentosos Carlos Alberto Loureiro, e mais tarde a do Quim Guimarães.

 

E a carreira lá vai continuando.

 

Mas o zénite chegou com a participação no famoso concurso ié-ié no Monumental em Lisboa, onde assisti a todas as eliminatórias, e para onde mobilizei amigas e amigos daquela época para um apoio forte. Lembrem-se que era um conjunto de província, desconhecido da juventude da capital.

 

A participação foi excelente e o resultado final ninguém o pode explicar, pois em nada correspondeu ao valor de cada um.

Por esta ocasião entra para o lugar do Quim o Valdemar, Vató para os amigos.

 

Pessoalmente e sem qualquer facciosismo posso garantir que os Tubarões mereciam o 2º ou  3º lugar e que o 1º deveria ter sido para os Sheiks, embora o resultado final não tenha explicação plausível. Mistérios do Movimento Nacional Feminino.

 

 Mas para que esta evolução se tivesse tornado realidade foi peça chave, o Exm Senhor Xavier Sá Loureiro, pai do Carlos Alberto, que deu o suporte financeiro indispensável para aquisição de novos instrumentos, supervisionava o dia a dia e toda a logística dos concertos .

 

Como corolário daquela participação, alcançaram a almejada meta: Gravar um disco.

 

Vivendo os Tubarões em Viseu e sendo necessário promover o disco pelas rádios em Lisboa, coube-me a mim e ao Fernando Pascoal de Matos, então já a viver em Lisboa,

dar as entrevistas a esses programas, de que recordo 23ªHora na RR. e PBX na Comercial.

 

Concluirei, afirmando claramente que sem o talento do Fifas, o extraordinário casal Barros, verdadeiros visionários e apoiantes incondicionais, deste grupo, os Tubarões não “teriam saído ao mar”.

 

Sem o suporte financeiro e controlo activo do Sr. Xavier Sá Loureiro, os Tubarões não teriam “nadado até outros mares”.

 

Tendo também, bem presente na memória, o Sr. Sá Loureiro, e  os amigos que tão cedo nos deixaram, Zé Merino e Luis Dutra. Mas quem é lembrado, nunca desaparece.

 

 Quero aqui prestar uma especial e singela homenagem à  Exmª  Senhora Dª Margarida Barros, que felizmente ainda se encontra entre nós e de boa saúde.

 

A Senhora Dª Margarida Barros, mãe do Vitó, foi de facto uma senhora  que  manifestou uma compreensão da juventude dos anos 60, acompanhou este movimento libertário, muito para além dos padrões praticados, pela sociedade de então.

 

 Enternecedora, na forma como acompanhava as nossas iniciativas, o carinho com que nos recebia em sua casa, será sempre recordada com muito afecto por todos os que a frequentaram.

 

E porque uma das singularidades da vida é não o “adeus”, mas o “ reencontro”, peço, para todos os que acabo de evocar, aqueles que partiram e para  os amigos de sempre, aqui presentes, Vitó, Fifas, Eduardo e Carlos Alberto  peço, dizia eu, uma calorosa salva de palmas.

 

Obrigado"

 

Apoios: José António Sacadura, Fotógrafo José Alfredo.

porep 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 00:24
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17 de Dezembro de 2013

 A estreia oficial do conjunto ocorreu a 26 de Abril de 1964 numa Matinée no Clube de Viseu. Foi a nossa casa de ensaios até 1966. Lá guardávamos os nossos instrumentos, ensaiávamos e gravámos três temas inéditos no Salão Nobre, em Outubro de 1966 (Gravador Grundig, live on tape, som ambiente, sem pós produção).


Aproveitando o lançamento do livro "Portugal Eléctrico-Contracultura Rock 1955-1982" de Edgar Raposo e Luis Futre que inclui um disco com os nossos 3 temas gravados no Clube, decidimos entregar os nossos arquivos relacionados com o CLube de Viseu àquela Instituição num Acto Público que ocorreu dia 13/12 pelas 18H30. 


O Dr. Francisco Mendes da Silva, Presidente da Direcção do CLube de Viseu presidiu à sessão com o seu Colega de Direcção Dr. Francisco Capele, estando na mesa quatro elementos do Conjunto (e-d) António N.Fernandes (V.solo), Carlos A.Loureiro (Teclas) Victor Barros (V.ritmo) e Eduardo Pinto (Baterista). 



O Palco do Salão Nobre do Clube de Viseu foi decorado com as Casacas originais do Conjunto pertencentes a (e-d) José Merino (Vocalista) e a Carlos A.Loureiro (Teclas), a maquete original que serviu para a fotocomposição da capa do disco, e a viola Vox Shadow de Victor Barros (uma relíquia). A sessão teve ainda, em projecção contínua, o arquivo fotográfico da vida e obra do conjunto com fundo musical dos 7 temas originais gravados pelos Tubarões.


A arquivo entregue ao Clube de Viseu é composto por 9 fotos, todas do Clube de Viseu dos anos de 1963 a 1967, um exemplar do livro "porViseu'60s - retratos de Viseu e da carreira musical de Os Tubarões" e um exemplar do livro "Portugal Eléctrico-Contracultura Rock 1955-1982". 


(e-d) António N.Fernandes (V.solo), Carlos A. Loureiro (Teclas), Eduardo Pinto (Baterista) e Victor Barros (V.ritmo).
publicado por os tubaroes, Viseu às 13:52
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28 de Agosto de 2013

Nicolau Breyner com Os Tubarões no Salão Nobre do Casino da Figueira, a 31/8/1967.

(e-d) Carlos Alberto Loureiro, Victor Barros, Nicolau Breyner, José Merino, Eduardo Pinto e Luis Dutra. Foto José Santos, Coimbra.

 

" Conhecemos o Nicolau Breyner no Casino da Figueira em Agosto de 1967.

Estreou a 29/8 como cantor, assistiu à nossa matinée desse dia, imediatamente antes do seu ensaio no Salão de Café a que também assistimos. E sentimos alguma proximidade entre nós pela mútua juventude e gosto musical.

O Nicolau com os seus 26 anos era uma vedeta do Teatro, Revista e Cinema e tinha iniciado a carreira de cantor a solo.

 

  Começámos a conviver nesse dia com muita empatia mútua. Ao serão e após a estreia ceámos juntos no Casino e houve logo noitada. O Nicolau, qual vedeta, estava instalado no Grande Hotel. Quando saíamos do Casino já estava tudo fechado na zona central e acabámos por ir até à Sacor, o único lugar ainda aberto às 3 da manhã. Depois de alguns copos e muita laracha divertida regressámos a pé da Sacor que ficava perto da Estação dos Caminhos de Ferro. Quando passávamos nas Docas estavam a entrar algumas traineiras cheias de sardinha, com um brilho único tão reluzente que o Nicolau não resistiu e encomendou duas caixas pedindo que as entregassem de manhã no Grande Hotel. Combinou-se logo uma grande sardinhada para o dia seguinte com o nosso compromisso de tratarmos da logística necessária. O pescador, atónito, lá aceitou o dinheiro e comprometeu-se a entregar as caixas ao outro dia de manhã no Grande Hotel, como veio a acontecer. Ainda antes das 10H00, madrugada para o Nico, toca o telefone da recepção. O Nicolau ainda a dormir perguntava: “Duas caixas de sardinha para mim? Para mim ??? Oh Homem sei lá, leve-as para a cozinha que depois logo se vê; Olhe, ofereça-as aos seus Clientes ao almoço.” E nunca mais se lembrou da sardinhada.

Como combinado encontrámo-nos à tarde no Casino. Entretanto mobilizámos algumas amigas e amigos, uns com carro, e o Zé Gordo preparado com o seu Peugeot, para irmos à sardinhada do Nicolau cujo local mais sossegado e apropriado seria o Cabo Mondego. Quando o Nicolau chegou ao Casino é que se lembrou da sardinhada combinada e do que tinha dito no Hotel. Lá se desfez em desculpas e nos descompôs em riso com as sua inúmeras histórias e graças que lhe saiam em catadupa, não dando tempo para mais alguém falar. Meia hora depois, já com o grupo mais reduzido, o Nicolau manifestou algum interesse em dar uma volta pela Figueira. Logo o Zé Gordo ofereceu os seus préstimos e uma das figueirenses presentes prontificou-se a ser a cicerone na Figueira da Foz e arredores. Foi uma volta longa que terminou tarde na Serra da Boa Viagem. À noite, o Zé Gordo, muito entusiasmado, acercou-se de nós dizendo que o Nicolau tinha uma proposta irrecusável aconselhando-nos a não dizermos que não. Ficámos expectantes pelas novidades que iriam aparecer. Após o Show o Nicolau propôs-nos produzirmos um espectáculo em que ele seria a atracção, nós faríamos sózinhos a 1ª parte e na 2ª acompanharíamos o Show do Nicolau. E não haveria problema pois em Setembro já poderíamos ir para Lisboa e começar os ensaios para em Outubro começarmos a tournée. Foi um projecto que nos agradou sem dúvida, mas … e os estudos, …

Ficou a ideia que a todos entusiasmou, e até o Zé Gordo estava disponível para fazer a cobertura fotográfica do evento de abrangência nacional. E tratámos logo de ensaiarmos uns toques que o Zé Gordo registou para a posteridade.

(e-d) José Merino, Carlos Alberto Loureiro, Eduardo Pinto, Nicolau Breyner, Luis Dutra e Victor Barros. Foto José Santos, Coimbra.

  

Nunca conseguimos concretizar este projecto. O Nicolau somava êxitos sobre êxitos na arte de representar, e nós voltámos ao ano escolar, ainda um pouco meninos dos teen , em vésperas da guerra, marchar, marchar …

No ano seguinte viemos a reencontrar o Nicolau no Casino e, em simultâneo com o Toni de Matos, vivemos cenas absolutamente hilariantes.

 

Mais tarde, já a cumprir o serviço militar em Lisboa, voltámos a conviver com o Nicolau no Monumental em 1969/70, e ainda mais tarde, a partir de 1997 na RTP. Até hoje."

 

in porViseu'60s

          Programa do Casino da Figueira de 29/8 a 1/9 de 1967

 

                                           

                                   Licença da Inspecção Geral dos Espectáculos

publicado por os tubaroes, Viseu às 23:26
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26 de Agosto de 2013

A 26 de Agosto de 1966 AMÁLIA foi a grande atracção da noite no Casino da Figueira da Foz com lotação esgotada.

 

 No Palco do Salão de Café,(e-d) José Merino, Carlos Alberto Loureiro, Eduardo Pinto, Victor Barros e Luis Dutra.
(foto José Santos, Coimbra)

  
 
Programa do Casino de 26 de Agosto 1966  
 
  
 
Licença da Inspecção Geral dos Espectáculos 
 
No camarim onde se preparava para actuar, localizado mesmo por baixo do palco do Salão de Café, onde nós tocávamos, AMÁLIA ouviu-nos, quis conhecer-nos e sugeriu as fotos que o ZÈ GORDO, Fotógrafo do CASINO, registou.
 
(e-d) José Merino, Carlos Alberto Loureiro, Eduardo Pinto, Victor Barros e Luis Dutra.
(foto José Santos, Coimbra.)
 
 "Na época alta de Verão, aos fins de semana, o programa do Casino variava um pouco com a apresentação de uma atracção especial que actuava no Salão Nobre a partir das 00H30. Para 26 de Agosto foi anunciada a presença de Amália Rodrigues.
Num ano em que Amália Rodrigues recebeu o Prémio Pozal Domingos o Casino teve uma das maiores enchentes, mesmo com as entradas a 60$00. Após as variedades no Salão de Café o Casino teve de abrir, excepcionalmente, os dois Salões de Baile, Salão Nobre e Salão de Café, para o público dançar pois as pessoas não cabiam num só. O conjunto de Shegundo Galarza tocava no Salão Nobre e nós no Salão de Café. E mesmo assim ambos estavam cheios. Até nas galerias do Salão do Café se dançava.

Foi uma grande prova de fogo para nós pois tivemos de tocar toda a noite num dos Salões em concorrência com o Shegundo Galarza que tocava no Salão Nobre.

Tocámos a primeira parte entre o final das Variedades do Salão do Café e o início do concerto da Amália (23H15 às 00H30) e depois do concerto de Amália, já que a noite se prolongou até madrugada.

 

 

 Os Tubarões no palco do Salão de Café do Casino da Figueira a 26/8/1966

(e-d) Carlos Alberto Loureiro, José Merino, Eduardo Pinto, Victor Barros e Luis Dutra.

 

 A partir desta noite e até ao final da época, por sugestão da Administração do Casino, com o acordo de todos, passámos a tocar todas as noites alternando de hora a hora com o conjunto de Shegundo Galarza, facto que nos honrou. Atingimos a maioridade musical.

 

Os camarins do Casino situavam-se mesmo por baixo do palco do Salão de Café, onde Amália se preparava para a sua actuação às 00H30. Ouviu-nos tocar e manifestou agrado a quem a acompanhava de querer saber quem éramos. Quando subiu para entrar em cena, momentos antes da sua actuação, nós tínhamos acabado o nosso primeiro take e ainda nos encontrávamos no Palco do Salão do Café. Então Amália convidou-nos a tirar uma foto. Foi interessante, pois a Amália, nervosíssima, fumava cigarro atrás de cigarro, e nós estávamos incrédulos com tão honroso convite. E lá estávamos nós à frente da objectiva do Zé Gordo, fotógrafo oficial do Casino, simpático fanático da Briosa que logo descobriui o ramo de flores, e a Amália, virando-se para nós, "… vamos lá rapazes, isto é muito simples, eu abro os braços, e... já está". E ficaram as fotos para a nossa história.

 

 Muito simpática e conversadora quis saber mais sobre nós, conversou, tiramos outras fotos, e quando chegou a hora foi para o Salão Nobre para mais uma noite de retumbante sucesso. Surpreendeu-nos a simplicidade e franqueza, o tabaco e o nervoso de tão grande estrela. Marcou-nos, claro!

Nos anos seguintes de novo Amália voltou a esgotar o Casino com as suas empolgantes actuações, como em 1968.

   

 

Actuação de AMÁLIA no Salão Nobre do Casino da Figueira a 9 de Agosto de 1968. Lotação completamente esgotada, pista de dança invadida por espectadores sentados no chão e nem o Palco escapou à presença de espectadores que se juntaram aos músicos. Visível no Palcoo José Merino, Eduardo Pinto e Pascoale e outros elementos do Conjunto Pasquale con Franco Etti.
Noite de mais um triunfo de AMÁLIA.
  
in porViseu'60s
porep
 
 
publicado por os tubaroes, Viseu às 00:33
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22 de Julho de 2013

 

A D. Urraca.

 

A logística das deslocações e do transporte dos equipamentos e amplificadores do conjunto implicava sempre mais do que uma viatura. Ia sempre a viatura do Sr.António Loureiro, algumas viaturas de amigos que nos acompanhavam e se ofereciam para o transporte de um ou outro equipamento, e um carro de aluguer "A" com uma mala grande onde eram transportados os maiores volumes de equipamentos.

Naquele tempo já tínhamos um Roadie. Tratava-se do Nogueira, amigo de infância do Zé Merino, muito bom rapaz, muito divertido, amigo e dedicado e o Fã nº 1 do conjunto. Acacompanhava-nos sempre e era o responsável pela logística do transporte e montagem dos equipamentos e aparelhagens. E ai de quem lhes tocasse! 

 

Por mera questão de oportunidade o Sr. António Loureiro comprou por 20.000$00 (100 €), em 2ª mão, uma carrinha VW, modelo pão de forma, azul, que baptizamos como D. Urraca, o mesmo nome da discoteca do Porto na altura muito na moda. 

Esta aquisição deu-nos uma maior independência nas nossas deslocações musicais e não só e uma segurança elevada para o transporte dos equipamentos.

Levantava-se um problema. Embora alguns de nós tivéssemos a carta de condução ninguém estava interessado em conduzir a D. Urraca quando nos tínhamos de deslocar, principalmente quando o regresso se seguia à actuação. Foi então que se consolidou a presença de um novo elemento do conjunto o Rogério Dourado, um amigo que já nos acompanhava no dia a dia, um fã da VW que treinava na condução do carocha do Pai nas inúmeras escapadelas que fazíamos ao serão ao Caramulo e outras redondezas para muitos e agradáveis serões de folia.

O Rogério Dourado passou a cuidar e a ser o responsável pela D. Urraca.

 

 

A D. Urraca passou a ser mais um excelente elemento do Conjunto responsável pela deslocação confortável dos nossos equipamentos e não só pois também foi muito aproveitada para sessões de autógrafos, lazer, divertimento e descanso. Acompanhou-nos até ao final da nossa carreira musical com algumas remodelações no motor, nas cores e na coreografia.

 

Bons companheiros e Amigos:

- O Nogueira que mais tarde foi até França e que nunca perdia um pé de dança em todas as festas mesmo a troco de uns autógrafos especiais, de quem temos muitas saudades e nenhumas notícias;

 

 

 

- O Rogério que está sempre no nosso coração;

 

 

- A D. Urraca, grande companheira de muitas viagens e inúmeras aventuras como o regresso da Festa na Nazaré ou as peripécias na Avenida da Liberdade, quando repentinamente virámos da R.Alexandre Herculano para o Maquês e o Luis Dutra foi projectaco pela porta lateral e ainda voou uns metros sem cair; a subida da Covilhã para a Serra da Estrela, no Carnavel na Neve de 1968, em que a D.URRACA mesmo ajudada pela GNR gripou o motor, para além dos autógrafos mais exclusivos e outros momentos mais aconchegados que se propiciaram em inúmeras ocasiões.  

 

Saudades !

 

in porViseu'60s.

porep 

publicado por os tubaroes, Viseu às 09:12
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12 de Julho de 2013

José Merino

 

José Alexandre Arriaga Merino (1948-2009)

 

O Zé Merino era o mais criativo de todos nós. Tinha uma voz poderosa que tanto cantava Tom Jones, Eric Burdon, Bécaud ou Bee Gees, nunca faltando os seus idolatrados Beatles de quem absorvia tudo, conhecia todas as músicas, e sabia quase todas as letras. E este pormenor muito contribuiu para a sua evolução enquanto vocalista e também fomentou a sua veia criativa. Tudo o inspirava para a criação de novos temas. O Zé, se tivesse tocado um instrumento, teria sido um criador musical único. Dos sete originais que temos registados esteve presente em 6 e foi o principal autor de 5. E mais não fez por se esquecer das muitas criações que lhe surgiam na cabeça e que mais tarde não conseguia reproduzir junto dos restantes membros do conjunto. Seguramente com um instrumento á mão tais criações não seriam esquecidas. O timbre da sua voz era uma das marcas do nosso conjunto.

(in porViseu’60s)

 

Homem de paixões, de exageros, de deveres e de obrigações, na família, na amizade, no trabalho, na lealdade e até no seu lazer.

Nada tinha meio termo. Nem o mau feitio.

Cresceu e viveu na Quinta da Pinheira, em Santo Estêvão, Viseu, seguramente a sua primeira paixão, e daí lhe ficou o seu amor à terra e à natureza, que sempre o acompanhou durante a vida.

No Liceu de Viseu encontrou-se com a música, a sua segunda paixão, os Beatles e as cantorias, e nos amores encontrou inspiração para as muitas melodias que criou, e cujas letras efectivamente sabia.

A tropa interrompeu o seu curso na Escola Agrícola de Coimbra e levou-o até Angola onde criou novos e bons Amigos, outra paixão que perdurou.

Cedo se assumiu responsável, cumpridor, honesto, trabalhador, intransigente na defesa dos mais fracos, sempre ao lado dos seus, e muito sensível às injustiças.

Autodidacta na Arquitectura revelou um traço único em vários e meticulosos projectos para os Amigos, a que se dedicou.

A quinta era a sua Amante e a ela dedicou todo o seu tempo, talento e tanta energia, que à noite recuperava em boa companhia e sempre com a melhor gastronomia.

 

Leu bastante, escreveu alguma coisa, e nada divulgou. Ficou em projecto.

Nobre no carácter, teimoso, possessivo, fértil e fiel na amizade e no amor.

Zé, Fazes falta.

 

porep

 

 

ABRAÇO. Saudades.

T&Tubarões.

publicado por os tubaroes, Viseu às 01:18
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27 de Junho de 2013

S. Pedro do Sul foi uma terra importante na carreira de “Os Tubarões” por influência da Família do Vitó (Victor Barros), especialmente dos seus Pais D. Margarida Barros e Sr. Francisco Barros que sempre nos acarinharam e trataram como filhos. A porta da casa de S.Pedro estava sempre aberta e foram inúmeras as vezes que por ali ficámos com cama, mesa e roupa lavada.

 

Pois nos finais de 1963 lá fomos tocar no Clube de S.Pedro com instrumentos emprestados. Tocámos meia dúzia de músicas que todos esqueceram, nem seriam para recordar.

Já em 1964, estagiamos nas Termas, actuámos na FNAT, na MÓ - a primeira discoteca da terra construída no cimo do edifício cilindríco de um antigo moinho localizado mesmo junto do rio com acesso pelo lado direito da ponte em frente à Pensão David e no então chamado Casino – localizado no primeiro andar do Balneário Rainha D. Amélia. Em 1965 e 1966 animámos diversas festas no Hotel Lisboa.

Em 1967, no Cine-Teatro de S.Pedro do Sul demos um concerto de beneficência a favor dos Bombeiros Voluntários e acompanhámos a Lenita Gentil, actuámos nas Festas da Vila em Junho num Arraial Minhoto localizado nos Jardins do Palácio do Marquês de Reriz e em 1968 na Cabana, uma Boîte criada nos jardins da Vivenda Maria José, frontal ao jardim da Câmara Municipal.

As fotos reproduzem a nossa actuação nas Festas do S.Pedro na Cabana.

 

 Legenda (esq-dir): Carlos Alberto Loureiro (teclas), José Merino (voz), Victor Barros (v-ritmo), Eduardo Pinto (bateria) e Luis Dutra(v-baixo). Os exames retiveram o Vató no Colégio do Carregal do Sal, onde estudava, pelo que não participou na festa.

 

Estaríamos sem dúvida no auge da nossa carreira em termos musicais e instrumentais, como se comprova nas fotos.

 

 

Instrumentos: Orgão Farfisa Compact Duo; Violas Fender Stratocaster e Guild Starfire Bass.

 Amplificadores: VOX AC30; VOX UL460; VOX730 e Burns 6X2 120 para as vozes.

 

 E as Festas de S.Pedro em S.Pedro do Sul em 1968 foram um retumbante sucesso ainda hoje recordadas por muitos, como o descreve o Zé Pereira que as organizou e até aliciou o VItó conseguindo não só a nossa presença "Cabeça de Cartaz" como um reduzido cachet (três actuações com o cachet de duas) num lanche negocial animado que ele ainda hoje recorda. 

  

“  ...    V.Exª deverá recordar-se da importância que teve no ano de 1968 o contrato fechado com a famosa discoteca "A CABANA" com o qual esse grupo foi beneficiado a troco de umas cervejas pagas pelo Vitó nas negociações que ocorreram, no Café do ………, no largo frente á sua casa. 

O êxito então verificado ficou a dever-se em grande parte à promoção que fizemos nos meios de comunicação social nacionais e internacionais, o que chegou a ter a intervenção da PIDE e dos nossos amigos Legionários para controlar e fiscalizar o elevado número de entradas. O Comandante era nosso amigo pois diariamente se alimentava de bom vinho de Lafões tendo também ajudado sem problemas. A "grande enchente" feminina foi motivada pelos artistas, belos, garbosos e altamente coloridos, que tocaram e encantaram levando a referida população feminina a manifestar-se estrondosamente…

 

Com a colaboração de Zé Pereira.

 

 

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06 de Julho de 2012

 

Orfeão de Viseu

 

Nas décadas de 1950/60 o Orfeão de Viseu tinha uma grande actividade cultural promovendo o Canto, Teatro, Poesia e Variedades.

Eram famosos os concertos dados pelo Orfeão de Viseu que se deslocava a várias localidade das regiões Centro e Norte do País.

 

Teatro no Orfeão de Viseu, 1950.
 

 

 

     Ulisses Sacramento, viseense de gema, iniciou as suas lides artísticas no Orfeão de Viseu na representação teatral e também no canto, actividade ao tempo orientada pelo Maestro Mário Costa. Ulisses Sacramento salientava-se quer na representação quer no canto e, com o seu grande à vontade, contagiava com a sua boa disposição e laracha todos os que o rodeavam.

 

                 Ulisses Sacramento, 1951.

 

 Os Companheiros da Alegria

 

Em 1951 a organização da Volta a Portugal desafia Igrejas Caeiro a organizar um espectáculo em cada localidade onde a Volta a Portugal chegava. Igrejas Caeiro aceitou o desafio e iniciou um projecto cultural de cariz popular muito inovador com o nome de “Os Companheiros da Alegria”.

Começou por ser um espectáculo de variedades de música ligeira com variados concursos que em cada um dos espectáculos procuravam envolver os
locais tornando o espectáculo interactivo. E em simultâneo com o espectáculo Igrejas Caeiro lançou também um programa diário de rádio transmitido pelo Rádio Clube Português.

 

“Os Companheiros da Alegria” tiveram um grande sucesso e formaram-se enquanto Companhia de Teatro que, mesmo após a Volta a Portugal, não parava com os espectáculos por todo o País.

Um grande sucesso nacional que com o passar do tempo enriqueceu o seu formato de espectáculo com a inclusão de rubricas de Teatro, Revista e Opereta, atraindo também os maiores nomes artísticos nacionais da época.

 

Os Companheiros da Alegria, 1953.

 

Os espectáculos integravam variados tipos de concursos, alguns dos quais destinados a descobrir novos Artistas como  “Tem um minuto para mostrar o que vale”. Na primeira vez que a Volta passou por Viseu com “Os Companheiros da Alegria”, Ulisses Sacramento foi desafiado por amigos a ir até ao Avenida Teatro assistir e participar nesse concurso. E a sua prestação foi tão eloquente que foi contratado por Igrejas Caeiro para integrar de imediato o elenco dos “Companheiros da Alegria”.

Ulisses Fernando, seu novo nome artístico, iniciou assim uma carreira profissional nos Companheiros da Alegria com a sua primeira actuação oficial no Cine Teatro da Guarda. Com a sua voz romântica de timbre muito harmonioso e bonito especializou-se na chansonnette francesa, tipo de música que dominava os êxitos da época, com grandes nomes do Musicall Francês como Edith Piaf, Maurice Chevalier, Charles Trenet, Gilbert Bécaud, entre outros.

E foram vários os sucessos interpretados por Ulisses Fernando como Bell Ami, Douce France, Bolero, Mademoiselle de Paris e Pigalle.

 

Ulisses Fernando (Sacramento) com Igrejas Caeiro e outros Artistas dos Companheiros da Alegria.

 

Ulisses Fernando Sacramento fez a sua carreira profissional como elemento efectivo dos Companheiros da Alegria onde fez Teatro, Revista e Opereta, cantou e encantou com as suas interpretações e ouviu muitos aplausos dos quais o que mais o marcaram foi uma das suas actuações no S.Luis onde foi ovacionado de pé por todo o público.

 

Em 1954 Igrejas Caeiro instala “Os Companheiros da Alegria” no Teatro da Trindade em Lisboa.

Com todos os espectáculos esgotados recebe uma nota da Inspecção Geral dos Espectáculos proibindo a continuação da sua actividade teatral. Segundo informações da época este facto deveu-se a uma entrevista de Igrejas Caeiro em que este Artista afirmava que “Nehru era o maior estadista daquela geração”.

Vivia-se em pleno a época salazarista e uma declaração destas era perturbadora para um regime que apreciava pouco tanto sucesso não controlável daquele grupo independente. E assim aproveitou este facto para encerrar as actividades da Companhia levando todos os seus Artistas para o desemprego. Ulisses Fernando foi assim apanhado nesta proibição que também o impediu de ir cumprir um excelente contrato para uma digressão acordada para Angola.

 

Ulisses Fernando regressou de novo a Viseu onde acabou por integrar como vocalista a Orquestra Cine Jazz dirigida pela Maestro Mário Costa vivendo alguns momentos de glória uma vez que além de cantor era um grande entertainer e apresentador que animava todas as festas da Região.

 

Actuação da Orquestra Cine Jazz com Mário Costa ao piano, Ulisses Sacramento vocalista, Carlinhos da Sé na bateria, António Correia no violino, Chaves no saxofone e Manuel Pires no rabecão.

 

              Ulisses Sacramento em palco.

 

Ulisses Fernando Sacramento, Artista ilustre de Viseu, tem hoje 89 anos e vive na sua cidade mais longe do nosso Rossio de que tanto gosta e do qual tem muitas saudades.

 

porep com a devida vénia de porViseu!

 

Com a colaboração de Teresa Merino e Celso Albergaria;

 

Apoios : FOTO GERMANO

              e Luis Costa

publicado por os tubaroes, Viseu às 17:34
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24 de Maio de 2012

 Orquestra Cine Jazz, Viseu (1942 - 1961)

 

 
Foto de 1942. Legenda (esq-dir.): António Correia - violino, Francisco (Chico Alfaiate) - bateria, Desconhecido - banjo, Desconhecida - piano, Patrocínio - trompete, Irineu Amaral - saxofone e Chaves - saxofone.
 
 
A Orquestra Cine Jazz de Viseu terá sido constituída nos anos 40's em Viseu, data da fotografia, e durante 20 anos foi um marco na música ligeira da cidade.
As suas actuações ocorriam no Orfeão de Viseu, no Café Rossio, na Feira de S. Mateus quer acompanhando os Artistas que ali actuavam no Palco principal quer animando os Bailes dos Bombeiros Voluntários às 4ªas e sábados, no Grémio (Clube de Viseu), Festas e Romarias por todo o Norte de Portugal, Queima das Fitas de Coimbra e apoiando os espectáculos no grandioso Avenida Teatro.
Na época Viseu tinha uma das melhores casas de espectáculo do País onde todos os grandes Artistas Nacionais desejavam actuar. Era o Avenida Teatro que fazia par com o Teatro Nacional de S.Carlos. Situado na Avenida Emídio Navarro o Avenida Teatro tinha sido inaugurado em 1921, com 2.000 lugares, 1.500 lâmpadas eléctricas, 2 Plateias, Geral, dois andares de Camarotes e ainda um Jardim exterior. Era uma Casa de Espectáculos de grande prestígio onde se realizavam os melhores espectáculos do País, quer de Teatro quer música ligeira. Por ali passaram as mais prestigiadas Companhias de Teatro Nacionais, foram transmitidos em directo vários espectáculos de Variedades como os Serões para Trabalhadores da Emissora Nacional, Os Companheiros da Alegria onde actuou o ilustre e romântico cantor Viseense Ulisses Sacramento, os espectáculos da Volta a Portugal, as grandes Revistas à Portuguesa tão populares na época.
 
A partir de 1947, ano em que o Maestro Mário Costa chegou à cidade, toda a animação cultural musical sofreu um grande impulso, sendo a Orquestra Cine Jazz um dos motores dessa dinamização. O Maestro Mário Costa terá iniciado as suas actuações a solo no Café Rossio aos fins de semana. O seu irrequieto e saudável modo de estar aliado com a sua dinâmica natural cedo começou a movimentar a vertente musical da cidade, assumiu a liderança da Orquestra Cine Jazz a qual começou a enfrentar novos desafios profissionais como a acompanhar grandes artistas nacionais.
 
Orquestra Cine Jazz no Avenida Teatro acompanhando a Maria de Fátima Bravo(esq) e Maria Amélia Canossa, anos 50's. A Orquestra, dirigida pelo Maestro Mário Costa, ao piano, com António Correia no violino, Patrício no trompete, Chaves ao saxofone, Manuel Pires ao rabecão e Martins na bateria.
 
 

 Maestro Mário Costa acompanha Luis Piçarra e numa pausa descontraída com Henrique Mendes.
 
 
 Actuação da Orquestra Cine Jazz, (+-1960), Festas dos Santos Populares no Académico de Viseu com (esq.dir): Carlinhos da Sé o vocalista, Patrocínio no trompete, Martins na bateria, Chaves no saxofone, Desconhecido no rabecão, António Correia no violino e Maestro Mário Costa ao piano.
 

 

 

 Ano 1960/61, Clube de Viseu, talvez a última formação da Orquestra Cine Jazz com a entrada de novos e jovens músicos (esq.dir.): Gualter no rabecão, Quim Guimarães na viola eléctrica, Martins na bateria, António Correia no violino, Fausto no acordeão e Maestro Mário Costa no piano.

Gualter, Quim Guimaães e Fausto, com o Carlinhos da Sé formaram a seguir Os Diamantes.

 

Agradecemos o apoio de Camilo Costa, Celso Soares Albergaria e João Correia dos Santos. Fotos do livro porViseu'60s e arquivo Foto Germano.

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 22:01
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24 de Abril de 2012

 

 

Rancho à Moda de Viseu, em Viseu de 28/4 a 1/5.

 

 

“Reza a história que, aquando da guerra entre liberais e absolutistas (1828-1834), o quartel de Viseu foi escalado para defender a linha do Buçaco e o comandante, consciente das suas responsabilidades, ordenou ao quarteleiro para se dirigir à despensa e, sem grandes economias, fornecer a cozinha com tudo o que tivesse ao dispor. Foi entregue ao cozinheiro carne de galinha, de porco, de vaca, enchidos, grão-de-bico, batatas, macarrão e couves e, com toda a riqueza calórica desta comida, lá partiram as tropas com a moral em grande, levando para o caminho o que do rancho sobrara”.

 

In Região de Turismo do Centro: http://www.turismodocentro.pt/pt/produtos_.4/rancho_a_moda_de_viseu_.a198.html

 

Nos anos 60's o Rancho mais famoso em Viseu era o do Quartel. Por vezes alguns eleitos conseguiam um convite especial para lá ir apreciar a iguaria cujos famosos cozinheiros eram um casal bem típico, ele um velho Cabo com uma vista perdida na Guerra e sua mulher. (Este famoso Casal de Cozinheiros eram também os responsáveis pela cozinha do Salão dos Bombeiros Voluntários durante a Feira de S. Mateus.)

 

Ainda durante os 60's houve um período em que, às 5ªs feiras, dia do Rancho no Quartel, o prato era disponibilizado à população por um preço moderado. Para tal a população deslocava-se ao Quartel pelas 11H00, munidos do necessário vasilhame, e em ordeira fila aguardava pelo fornecimento do prato. O certo é que tal "serviço" começou a ser muito conhecido e a fila a atingir tal comprimento que começou a perturbar os rituais militares e o serviço teve de ser suspenso. Mas pegou a moda do Rancho à quinta-feira.

 

Os Restaurantes mais famosos da cidade a servirem Rancho eram "A Viúva", situado na Rua da Cadeia (hoje Rua D.Duarte) mesmo defronte da Travessa de S. Domingos (liga a Rua do Comércio à Rua D.Duarte), e o Rancho do Caçador.

Durante a Feira de S. Mateus o Rancho mais famoso era o do Zé do Povo.

 

Saudamos esta boa iniciativa.

 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 23:37
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Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
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