Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
25 de Abril de 2017

 

Sarau de Finalistas: 27/1/1968 

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 No ano lectivo de 1967-1968 dois dos elementos do conjunto eram finalistas do Liceu Nacional de Viseu: O José Merino (vocalista) e o Victor Barros (viola ritmo). Esta circunstância levou à sua participação nas festas do fim de curso e, por arrasto, o conjunto foi também envolvido em tais actividades, facto que já acontecera, pelos mesmos motivos, na edição anterior (1966-1967).

As festas dos finalistas tinham várias ocasiões importantes: A eleição da Comissão de Finalistas; a colagem dos cartazes; a serenata às colegas de curso e namoradas; o Baile de Finalistas e o Sarau. O Baile e a Matinée tinham ocorrido a 6 e 7 de Janeiro de 1968 com o Sheiks e Os Tubarões, restando o último grande evento, o Sarau de Finalistas, marcado para Sábado, dia 27 de Janeiro e que envolvia todos os alunos procurando cada um deles demonstrar as suas qualidades artísticas.

 

Vivia-se a 2ª metade dos 60’s. Diversos movimentos despontavam pelo Mundo: Os hippies contra a guerra fria e a guerra do Vietname, a favor dos negros vivia-se o movimento black power, experiências com drogas, a minissaia, os movimentos estudantis invadiam as ruas em contestação e vivia-se o apogeu da influência universal da música dos Beatles com Dylan e os Stone’s por perto, entre outros.

Mesmo numa cidade do interior como Viseu vivia-se uma atmosfera de mudança com reflexos numa juventude mais participativa e o envolvimento de jovens Professores com uma postura de maior proximidade com os seus alunos, como veio a acontecer nesta edição das festas estudantis.

 

Liderados pelo professor Dr. Gustavo Barosa que tinha a seu lado o Dr.José Coelho dos Santos e a D.Sílvia Ribeiro Simões foi preparado um grande Sarau com um enorme cartaz que incluiu:

  • Teatro: “O Doido e a morte”, peça em 1 acto de Raul Brandão;
  • A Poesia de Fernando Pessoa;
  • Dança;
  • Variedades;
  • Fados de Coimbra.

Veja aqui o Programa do Sarau:

 

 Como se pode constatar o programa era ambicioso e foi um sucesso que teve repercussões.

 

Imprensa da época - Jornal da Beira de 2/2/1968

 

 Com a devida vénia transcrevemos excertos reportagem do Jornal da Beira a 2/2/1968:


" Assinalando o centenário do nascimento de Raul Brandão, ocorrido em 1967, foi apresentada a curiosa e divulgada peça “O Doido e a Morte”, em que bem se patenteia o talento polifacetado do autor, que nos legou múltiplas produções literárias, quer como romancista, jornalista e historiador, quer como dramaturgo.A encenação e direcção da mesma peça deve-se à reconhecida competência e dedicação do Prof. Dr. Gustavo Barosa; os ensaios estiveram a cargo de outro mestre, o Sr. Dr. José Coelho dos Santos.

Particularmente boa a interpretação do papel de Milhões, a cargo de José Merino. José Girão, na figura de Governador, ressentiu-se bastante dos trabalhos de preparação, traíndo-o, por vezes, a entoação da voz.

Não quiseram os Finalistas deixar de consagrar um momento de poesia ao grande génio que foi Fernando Pessoa. Numa cuidada selecção, a assembleia foi brindada com a audição de algumas das melhores produções do grande poeta. Disseram-nos: Aurora, Conceição, Isabel, Guida, Natércia, Tita e José Rui. Pouco antes, já os mesmos jovens haviam apresentado produções poéticas de A. Herculano, Florbela Espanca e José Régio.

Uma classe de dança, sob a direcção da Profª. D. Sílvia Simões exibiu-se seguidamente e colheu fortes aplausos.

Na rubrica Variedades, actuou um “respeitável conjunto de bigodes”, com Abel Boavida em vocalista. A parte musical continuou com a actuação de “Os Tubarões” (conjunto académico yé-yé, bem conhecido em Viseu e mesmo fora) e de um grupo de meninas (Raquel, Romy, Luzia e Lucy), vindo o espectáculo a terminar com Fados de Coimbra, em que se exibiram Victor e Luis Gonçalves, à guitarra e à viola, e Abel Boavida, como cantor-solista." 


 

 Nós, "Os Tubarões", estivemos envolvidos nos ensaios e preparação do Sarau além de uma actuação própria. Ensaiámos com três bonitas finalistas a interpretarem outros tantos êxitos da época:

          Na foto (e-d): Luzia Sampaio, Rosa Figueiredo Lopes e Lúcia Vasco.

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No Palco do Ginásio do Liceu, Rosa Figueiredo Lopes interpreta ADIOS AMORE,

 podendo ver-se ainda na foto o Victor Barros (v.ritmo) e o Luis Dutra (v.baixo)

 

 Na nossa actuação apresentámos pela primeira vez em público dois temas inéditos de nossa autoria e que integram o nosso disco EP-60-999, o qual só sairia para o mercado no mês de Fevereiro seguinte: Foram eles BABY IT HURTS e o POEMA do HOMEM RÃ, sendo este tema o 1º poema de um Poeta português consagrado a ser musicado por um conjunto POP.

 

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Fados de Coimbra no encerramento do Sarau: Abel Boavida acompanhado à guitarra pelo Victor Gonçalves e à viola Luis Gonçalves e com a presença no Palco do Ginásio dos Finalistas com as sua Cpas e Batinas.

 

  Foi um agradável Sarau do Liceu que mobilizou de forma entusiasmante os jovens da época e até serviu de inspiração para a criação de um Movimento cultural chamado Geração de 60 que chegou a publicar um Jornal.

 

 

 

  

 Pelo nosso lado mal poderíamos imaginar que a nossa agradável participação no Sarau de Finalistas do Liceu Nacional de Viseu de 1967-1968 viria a ser a nossa última actuação pública em Viseu. Estreámos o nosso disco e nunca mais actuámos na nossa cidade. Continuámos a nossa intensa actividade musical em festas de finalistas, espectáculos, no Casino da Figueira da Foz durante o Verão e, em Setembro, no Baile da Festa das Vindimas em Nelas, anunciámos o fim da carreira musical de “Os Tubarões” pois começámos a ser chamados para cumprirmos o Serviço Militar Obrigatório.

E nós, como tantos outros, lá fomos … e por lá andámos: por África e não só ...

 

porep

Agradecimentos: Rosa Figueiredo Lopes e Jorge Vicente.

publicado por os tubaroes, Viseu às 17:43
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Joaquim Guimarães dos Santos (Quim Guimarães)

(C.V. Musical, Viseu anos'60s)

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- Do Avô herdou uma guitarra portuguesa mas a sua inspiração e admiração vieram do Pai, visto que o via e ouvia horas sem par a dedilhar a sua viola, e pelos 10 anos já o acompanhava em harmónica de boca.

Este dueto, Pai e Filho, chegou a gravar melodias que aos domingos iam para o Ar na antena da Rádio Caramulo com um repertório baseado no folclore nacional. A fama alastrou pelo bairro com a vizinhança a sintonizar bem alto a Rádio Caramulo e as transmissões dos arranjos musicais do Senhor Abel e seu filho Quinzinho. Aos 12 anos, ensinado pelo Pai, aprendeu os primeiros acordes na viola mas o que verdadeiramente despertou o seu talento foi o filme “Rock Around the Clock” do Bill Haley and his Comets, que viu da Geral do nosso AVENIDA TEATRO na Avenida Emídio Navarro (sensívelmente onde hoje está o Restaurante Casablanca).

 


"Teria uns doze/treze anos qundo pedi ao meu pai para me ensinar a tocar viola. Ele disse-me: olha Quim, eu ensino-te os tons e tu praticas... vai ser difícil ao principio e tens que ter os dedos da mão esquerda calejados. Ensinou-me a colocar a mão esquerda e a posição do pulso no braço da viola para abranger as cordas todas, e deu-me instruções para colocar os dedos da mão direita nas cordas para tocar. O que ninguém sabe é que aprendi a pôr os dedos da mão direita na viola de uma maneira incorreta... assim o dedo que deveria ser na corda mi pu-lo na corda sol e troquei a posição. Na viola eléctrica tocava com palheta mas na viola acústica sempre toquei técnicamente incorreto... ainda hoje!!!!" (... QG)


 

 

Não mais largou a viola e em 1960 foi convidado a participar no acampamento da Mocidade Portuguesa actividade incluída no evento da inauguração do monumento aos Descobrimentos em Belém. Neste encontro da juventude da Mocidade Portuguesa de todos os Continentes, os serões musicais eram encontros geracionais que animavam e uniam os jovens portugueses vindos de todos os cantos do Mundo.

Em 1961 num Sarau dos Alunos da Escola Comercial e Industrial de Viseu (actual Escola Secundária Emídio Navarro) teve a primeira formação musical com Gualter, que cantava “You are my destiny” e “Diana” grandes êxitos de Paul Anka, com o Fausto que tocava acordeão e o Quim Guimarães que já solava êxitos dos Shadows como “Os Cavaleiros do Céu” e o “Apache”.

 

- Anunciados como o Conjunto “Os Petas” a sua actuação foi considerada um grande sucesso e o início de uma carreira musical destes três jovens músicos que durante alguns anos animaram várias festas em Viseu em vários grupos musicais.

 

    (Os Petas) com (e-d) Desconhecido, Fausto, Gualter, Quim Guimarães e Desconhecido.

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 01 00 FB 539021_10200184076183227_133086078_n b.jpA evolução da música ligeira atraía cada vez mais a juventude e apareciam duos como “The Kings", trios vocais a cantar tirolês, Paul Anka, Conchas e, no Liceu, o Beto Gonçalves a cantar Elvis Presley. O Quim Guimarães passou a ser o “Viola” de serviço acompanhando todos eles na sua viola acústica, até que um jovem colega com muito geito para a electrónica inventou um microfone para a viola criando assim a sua primeira viola eléctrica inaugurada num famoso Sarau do Liceu.

 

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Ao tempo Viseu tinha um grande Mestre da música ligeira, Mário Costa, conhecido e apreciado a nível nacional que além de uma prestigiada Escola Musical de Acordeãos, desde os anos 50’s dirigia a Orquestra Cine JAZZ a qual, além de animar as festas e bailes que se realizavam pela cidade e arredores, acompanhava as grandes vedetas da Canção Nacional que muitas vezes actuavam no nosso famoso Avenida Teatro, acima referido. A idade de alguns elementos do Cine Jazz e os ventos da nova onda musical levaram Mário Costa a formar o seu próprio conjunto convidando o Quim Guimarães, o Gualter e o Fausto a juntarem-se ao Carlinhos da Sé, voz e bateria e alguns elementos vindos da Orquestra Cine Jazz.

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 Conjunto de Mário Costa com (e-d): Gualter (contra-baixo), Quim Guimarães (viola), António Correia (violino), Fausto (acordeão) e Mário Costa ao piano.

 

Em Janeiro de 1962 o famoso baile de finalistas do Liceu de Viseu teve como principal atracção o Conjunto italiano Andrea Tosi alternando com o Conjunto de Mário Costa. Para o Quim Guimarães foi a sua noite de sonho musical pois além de muito andar a aprender com os ensaios do Mário Costa pôde assistir ao vivo a uma actuação de outros músicos de grande craveira com quem também muito aprendeu. Motivos particulares levaram Mário Costa a sair da cidade. Camilo Costa, seu filho, ficou à frente da Escola de Acordeãos e o Conjunto Mário Costa deu origem a dois novos conjuntos em Viseu: Os Condes liderados por Camilo Costa e os Diamantes formados por Quim Guimarães (viola), Gualter (voz e contra-baixo), Fausto (piano e acordeão) e o Carlinhos da Sé (voz e bateria).

01 04 Diamantes copy.jpgOs Diamantes com (e-d): Norton, Fausto, Carlinhos da Sé e Gualter (Clube de Viseu, 1965).

 

Entretanto os Pais do Quim Guimarães deram-lhe um valioso presente: uma viola eléctrica.

Foi o momento da grande viragem da sua vida musical sentindo em definitivo que os seus verdadeiros companheiros de vida eram a música e a sua nova viola. Como perfeccionista que era, sempre se preocupou com o rigor da interpretação e a temática do som, uma disciplina não muito cuidada na região. Com a sua nova viola eléctrica entregou-se aos seus ensaios solitários, diários e de horas a fio. Objectivo: a perfeição !

 


"Nessa altura eu ensaiava muito, sózinho em casa. Por vezes passava horas a tocar viola e a praticar escalas. O Assunção, grande amigo meu, emprestou-me um gravador de fita com músicas novas, algumas do grupo francês "Les Chats Sauvages". Eles e outros grupos da altura inspiraram-me a adaptar "O Voo do Moscardo". Passei horas e dias a ensaiar sem parar, fiz muitos calos nas mãos, e finalmente usei o dedo mindinho que me ajudou muito na execução do Voo do Moscardo. A partir daí era capaz de executar qualquer música... não havia obstáculos para nada!!!”(... Q.G.)


  

E a sua interpretação do “Voo do moscardo” começou a ser muito famosa e apreciada pois era a mostra do seu virtuosismo e um momento alto nas suas actuações. Só a interpretava quando sentia motivação e ambiente para tal.

Os Diamantes lideraram as festas da cidade de Viseu e arredores entre 1962 e 1964 actuando por todo o Distrito de Viseu com uma playlist de músicas de baile composta por música tradicional portuguesa, brasileira e sul-americana, italiana e francesa. "Os Diamantes" evoluiram muito nesses dois anos e já se preocupavam com a sua apresentação cuidando a roupa com que actuavam e também a sua postura em palco.


“Tocámos muito, sempre juntos e aprendemos muito também, mas a nova música estava a chegar de Inglaterra... os guedelhudos!!! “Os Beatles!!!!! Twist and Shout”. Essa era a música que eu queria tocar. E um dia ouvi tocar um grupo novo de Viseu... “Os Tubarões”, e eles tocaram o Twist and Shout!!!!!!!!!!! Claro nessa altura “Os Tubarões” estavam a começar, mas notei logo muito potencial...” (... Q.G.)


 

Em meados de 1965, perante o desafio do Grande Concurso IÉ-IÉ, o Quim Guimarães foi convidado a integrar “Os Tubarões” como viola solo, missão que aceitou com alegria pois além de músicas dos consagrados Beatles e Rolling Stones "Os Tubarões" tocavam muitos êxitos dos conjuntos do momento destacando-se a música dos "The Animals", conjunto de Eric Burdon e Alan Price que se aventuravam em novos desafios instrumentais assentes nos blues e folk.

 


“... ... Começámos a ensaiar no Cine Rossio preparando a nossa participação no IÉ-IÉ. Nos ensaios, sempre que alguma música ou som não fosse do agrado do Quim, ele parava de tocar, saía do Palco e ia para a assistência ouvir-nos, esmiuçava todos os instrumentos e sons e obrigava-nos a repetir até perceber e levar-nos a corrigir o pormenor que não lhe soava bem. Com ele começámos a interpretar músicas de uma craveira musical mais exigente quer na vertente instrumental quer na vertente de vozes.” (...porViseu’ 60s.)


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Os Tubarões nos ensaios no Cine Rossio para Concurso IÉ-IÉ: Foto da esq.: 1ª Eliminatória (Out.1965); Foto dir.: 2: Semi-Final (Jan.1966). Formação: Voz: José Merino; Teclas: Carlos A. Loureiro; Viola Solo: Quim Guimarães; Viola Ritmo Victor Barros; Viola Baixo: Luis Dutra; Bateria: Eduardo Pinto.  


 

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A estreia de “Os Tubarões” com o Quim Guimarães ocorreu no “Jantar à Americana” no Grande Hotel Lisboa nas Termas de S. Pedro do Sul no final do mês de Setembro de 1965. 

 

 

 

Os Tubarões no Grande Hotel Lisboa- (e-d) Luis Dutra (Baixo), Victor Barros (Ritmo) e Quim Gui,marães (Solo) e José Merino (Vocalista).

 

 

A 9 de Outubro Os Tubarões apresentaram-se na 7ª Eliminatória do Grande Concurso IÉ-IÉ com “Os Sheiks” (Lisboa), “Os Galãs” (Porto), “Os Kzares” (Aveiro) e “Os Jovens do Ritmo” (Seixal). Juntamente com “Os Sheiks”, “Os Tubarões” foram apurados para a fase seguinte, as semi-finais.

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Concurso IÉ-IÉ: Os Tubarões no Palco do Teatro Monumental, Lisboa

 

 

- Entretanto em Portugal corria a moda dos Festivais IÉ-IÉ e também em Viseu se realizou uma tarde IÉ-IÉ numa matinée de domingo no Cine-Rossio com a participação de “Os Corsários” um conjunto também de Viseu e “Os Tubarões”, que as imagens documentam.

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Festival IÉ-IÉ em Viseu (1965): (e-d): Os Corsários (José Figueiredo, Carlos Assunção, Norton e Fernando Dias) e Os Tubarões (Luis Dutra, Quim Guimarães, José Merino, Eduardo Pinto e Carlos Lureiro.

 

- Em Dezembro os Tubarões foram notificados da sua passagem às meias-finais do IÉ-IÉ marcada para o dia 15 de Janeiro de 1966.


“Concurso IÉ-IÉ: Semi-final.

… Fomos chamados para a 2ª semi-final que se realizou a 15 de Janeiro no Teatro Monumental com os seguintes conjuntos: os Saints (futuros Claves), que vieram a ganhar na final do Concurso, os Jets, os Cometas Negros de Castelo Branco, os Kímicos, e os Boys de Coimbra.

... Entrámos em palco vestidos com um bonito fato cinzento de trespasse feito na Alfaiataria Freitas em S. Pedro do Sul e começámos com o Satisfaction, um clássico com aceitação muito generalizada e a adesão foi muito boa. Seguiram-se os primeiros acordes do baixo do We gotta get out o this place, último êxito dos Animals, grupo que tinha uma configuração instrumental muito semelhante à nossa para além do timbre do Zé Merino lembrar o timbre do Eric Burdon. Ainda com os aplausos no ar o Quim arrancou com os inconfundíveis primeiros acordes do “I Feel Fine” e terminámos com uma fortíssima interpretação do Zé Merino no “It’s my life” dos Animals, uma música do final do ano de 1965 especialmente escrita para a voz do Eric Burdon, com uma construção musical forte iniciada pela viola baixo que sincroniza com a viola solo na segunda frase musical, e assim se mantêm durante partes da música, sempre em crescendo, e sobre a qual evolui um timbre forte de voz que nalgumas fases incita ao diálogo com os coros. Sem dúvida uma boa música que nós tocávamos muito bem. E a plateia foi ao rubro. Foi uma tarde memorável. Não conseguíamos sair do palco pois os aplausos não paravam. O público pedia mais uma música e não se cansava de aplaudir. Nós agradecíamos no Palco com o Zé a dizer estar rebentado da garganta. Então o Quim Guimarães virou-se para o Júri algures no Balcão à nossa direita, levantou o indicador direito e interrogou: “só mais uma?” e foi-nos dada autorização. Interpretámos o “voo do moscardo”, um instrumental clássico que o Quim tinha adaptado à viola eléctrica, e em que demonstrava todo o seu virtuosismo. Brilhou com todo o Monumental em pé quando colocou a viola no ombro direito e solava com a viola nas costas. Uma monumental tarde no Monumental! Durante esta música parti uma das baquetas que me feriu um dos dedos jorrando sangue pela bateria. Tocámos até ao final com o público em pé. Foi uma ovação!” (...porViseu’ 60s.)


 

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Concurso IÉ-IÉ: Reportagem Jornal O Século de 16/01/1966 e anúncio dos Finalistas em Abril de 1966.

 


“Gostei imenso de tocar com a malta dos Tubarões... juntos vimos um progresso enorme em execução e adquirimos até fama nacional. Nunca me esquecerei da semi-final do concurso IÉ-IÉ no Teatro Monumental em Lisboa em Janeiro de 1966. Finalmente estávamos a fazer frente aos melhores conjuntos Portugueses da altura... foi um dos melhores dias da minha vida!!!! A gritaria era tanta que deixei de ouvir o que estava a tocar. Foi tudo por instinto... nessa altura não haviam sistemas de feedback. “Os Tubaroes” foram um sucesso enorme!

Foi também um dia muito triste da minha vida ... na audiência estava a minha namorada que me criticou muito porque eu só queria tocar a viola e ignorava os estudos. Foi um balde de água fria.

Assim acabou a minha jornada musical.” (... Q.G.)


Após esta semi-final "Os Tubarões" regressaram a Viseu, animaram o Carnaval do Clube de Viseu tendo sido a última actuação musical do Quim Guimarães que, face às pressões decidiu ir viver para Lisboa terminando assim uma carreira musical muito promissora e empobrecendo o panorama musical da nossa cidade. 

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Os Tubarões no Carnaval de 1966 no Clube de Viseu, última actuação pública do Quim Guimarães.

 

 O Quim Guimarães saiu de Viseu para Lisboa em Março de 1966, em 1967 foi chamado a cumprir o serviço militar obrigatório. Foi mobilizado para a Guiné em 1968 após o que se reuniu à Família em Moçambique. Iniciou a sua vida profissional e familiar, após 1974 radicou-se na Africa do Sul, tirou um curso de Marketing e começou a trabalhar na Coca Cola onde chegou a Director Geral de Vendas. De seguida agarrou uma oportunidade na Coca Cola Americana onde se afirmou atingindo o lugar de Director de Supply Chain na Divisao Corporativa de Marketing. Após uma carreira internacional e muitas viagens o Quim Guimarães, cidadão americano, goza hoje a sua reforma dedicando-se aos 5 filhos, amigos e à fotografia nunca perdendo de vista o piano e a sua inseparável viola. A Viseu tem vindo a espaços para estar com os Amigos que por cá deixou e ainda se lembram, com muitas saudades, do seu “voo do moscardo” do qual não há nenhuma gravação.

 

Porep.

Fontes: Quim Guimarães, porViseu’60s, “Os Tubarões”. (1) - Foto gentilmente cedida por Aires de Matos 

publicado por os tubaroes, Viseu às 16:08
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18 de Abril de 2017

Sarau no Liceu de Viseu (1967)

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  No Liceu Nacional de Viseu as tradições académicas vividas nos anos 60 incluíam as festas de despedida dos alunos que terminavam o 3º ciclo - o 7º ano - normalmente nas idades entre os 16 e os 18 anos. No início do ano lectivo era eleita uma Comissão de Festas que organizava e promovia as festas de fim de “curso” que incluíam uma ou outra serenata, um Baile de Finalistas, um Sarau, uma tarde desportiva e a edição do livro de finalistas.

Após aprovação do respectivo calendário as festas tinham início com dois momentos especiais: a deslocação a Lisboa da Comissão de Festas para contratação dos Conjuntos para o Baile, o que era sempre uma grande aventura, e as serenatas que tinham forçosamente de começar no Lar do Sagrado Coração de Jesus, da Rua Alexandre Herculano, 214, normalmente ainda no mês de Dezembro.

 

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Em regra a cronologia dos eventos apontava o baile de finalistas para o 1º fim de semana de Janeiro e, duas semanas depois, realizava-se o Sarau no Ginásio do Liceu. Os restantes eventos ocorriam durante o resto do tempo do 2º período, que ia até à Páscoa.

Os Saraus de Finalistas incluíam Canto Coral, Teatro, jograis e récitas terminando com uma parte musical. Tudo isto feito com a prata da casa, ou seja, estudantes finalistas.

Atendendo a que alguns de seus elementos também eram finalistas, “Os Tubarões” participaram nos Saraus de 1967 e 1968 tendo também actuado nos respectivos Bailes de Finalistas, em 1967 com o “Quinteto Académico” e em 1968 com “Os Sheiks”.

 

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 A 21 de Janeiro de 1967 realizou-se o Sarau do 7º ano (66/67). Foi um grande Sarau com um cartaz excelente, uma cuidada apresentação que incluía uma arrojada e muito conseguida adaptação teatral do "Fidalgo Aprendiz" dirigida pelo Dr. Osório Mateus, Professor do 7ºano

( Mais aqui sobre o que foi aquele "O FIDALGO APRENDIZ ).

 

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 Nós, "Os Tubarões", além de termos participado na peça de Teatro com uma interpretação instrumental acompanhámos musicalmente alguns dos “Artistas” e encerrámos o Sarau com um espectáculo próprio.

Vivíamos um dos períodos de maior destaque na nossa carreira musical com solicitações de todo o País tocando práticamente todos os fins de semana com cachets elevados mas havia algum tempo que o público de Viseu não nos ouvia.

Desconhecendo-se até hoje se terá sido uma coincidência fortuita, nos dias que antecederam o Sarau gerou-se algum borburinho no meio estudantil por ter sido divulgada a opinião de uma professora do Liceu que considerava pornográfica a letra do grande êxito musical dos Rolling Stones “Satisfaction”, música que fazia parte da nossa playlist com muito sucesso. Começou a gerar-se alguma expectativa sobre se nós iríamos incluir tal êxito na nossa actuação. Nós nada dissemos e deixámos ao José Merino, nosso vocalista, o critério de a interpretar no final da actuação se fosse pedido algum encore. E foi o que aconteceu. Após as 4 músicas previstas muito aplaudidas o “Zé” virou-se para trás e disse: “Vamos ao “Satisfaction”.

De imediato o Victor arrancou da sua Fender Stratocaster vermelha os acordes iniciais do "Satisfaction" e o público mais jovem, ainda surpreso, começava a acompanhar-nos com palmas vibrando e saltando com excitação crescente ao ouvir a voz do Zé Merino a cantar:

"I can't get no satisfaction

I can't get no satisfaction

'Cause I try and I try and I try and I try

I can't get no, I can't get no ..."

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 (José Merino e Victor Barros com a Fender Stratocaster vermelha)

 

Mas foi sol de pouca dura. Alguns minutos depois todo o Ginásio ficou às escuras.

O Reitor tinha mandado cortar a luz. Durante alguns minutos o José Merino ainda continuou a cantar o refrão do “Satisfaction” acompanhado pela bateria e um coro de entusiastas no público mas o destino estava traçado. O Reitor veio à frente do Palco dar-nos a ordem para terminarmos a actuação.

E assim terminou o Sarau de 1967 muito comentado nos dias seguintes por toda a cidade e considerado um grande sucesso.

Ainda se especulou que aos elementos do Conjunto alunos do Liceu seria levantado um processo disciplinar, facto que nunca veio a acontecer.

 

Fontes: “infância em terra pequena” de Luis Canavarro.

Agradecimento ao Fernando Matos.

 

porep

publicado por os tubaroes, Viseu às 22:28
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