Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
24 de Fevereiro de 2011

 

O Carnaval de 1968 foi a 27 de Fevereiro. Fomos contratados para fazermos o Canaval na Neve pelo Clube Nacional de Montanhismo. Foi um óptimo contrato objecto de leilão entre as várias propostas que nos surgiram, e que se fechou com um

cachet no valor de 30.000$00 mais a estadia.

Saímos de Viseu no Sábado de manhã à frente de uma grande comitiva com vários carros e muitos amigos. Estava um dia muito frio, chovia muito, e por isso optámos pelo trajecto Viseu, Guarda, Covilhã, Torre. Nevava quando chegámos à Covilhã, onde nos concentrámos e almoçámos. A subida para a Serra foi muito difícil porque caía um grande nevão e havia uma grande fila de trânsito nos dois sentidos. Na frente seguia a D. Urraca (a nossa carrinha VW pão de forma) com o Rogério Dourado e o Victor Barros, carregada com os instrumentos. Subia muito lentamente e começou a patinar. As horas passavam e não se avançava. Pedimos ajuda à GNR que, com dois jeeps, conseguiu fazer chegar a D. Urraca ao Clube de Montanhismo, já rebocada e com o motor gripado.

Com o Salão completamente esgotado, nessa noite a festa começou  pouco mais tarde mas animou muito e foi até às tantas.

Foi o Carnaval mais divertido da história do Conjunto.

Cá fora a neve caía incessantemente e as estradas continuavam bloqueadas. O Carnaval da Neve realizava-se nas Penhas da Saúde na Colónia Infantil da Montanha, um edifício grande que além do Salão da Festa tinha várias camaratas. Como ninguém podia sair a Organização disponibilizou as camaratas, divididas em feminina e masculina com os tradicionais beliches, separadas por meias paredes que não chegavam ao tecto. Muito tarde e a más horas, depois de o Baile acabar, começavam os diálogos entre os casais separados na busca dos artigos de higiene, que propiciavam comentários cruzados, oportunos, com muito humor e a gargalhada era geral. O Vató andava muito inspirado e saía-se com cada àparte que não deixava ninguém dormir. E como era Carnaval …

Foi de morrer a rir!

 

 Na foto, da tarde de 25 de Fevereiro de 1968, o José Merino, o Carlos Assunção (Os Corsários) e o Carlos Alberto Loureiro brincam na neve frente à Colónia. Pode ainda ver-se o Cooper do Assunção estacionado junto à Colónia.

 

 

 

 

 

 

 

Por Eduardo Pinto, extracto das memórias de Os Tubarões.

 

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publicado por os tubaroes, Viseu às 22:31
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23 de Fevereiro de 2011

 

Imprensa em 1968

A imprensa comenta o nosso disco:

“Eles são seis. Carlos Alberto, Vitor Barros, Luis Dutra, José Alexandre, Valdemar António e Eduardo Pinto formam «Os Tubarões». Viseu orgulha-se do seu jovem conjunto. E eles sabem prestigiar a cidade onde vivem. O seu primeiro disco, agora editado pela Alvorada, tem atrás de si quatro anos de preparação, que foi o tempo que «Os tubarões» deram a si próprios para estruturar o conjunto. E o disco, o EP-60-999, com dois trechos em inglês e outros dois em português da autoria dos elementos do sexteto, dá conta do nível atingido pelo conjunto de Viseu."



publicado por os tubaroes, Viseu às 00:28
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21 de Fevereiro de 2011

Quarta feira dia 21 de Fevereiro de 1968 alguém nos avisa que o nosso disco estava nas montras da Casa Torres e Torres na Rua Alexandre Lobo, Viseu. E largámos tudo para o ir ver e ouvir.

Gravado em Novembro de 1967 num Estúdio na Calçada de Santana estranhávamos nunca termos sido chamados para ouvirmos as provas com a pós-produção acordada, nem darem informações sobre o lançamento do disco. A Editora invocava o trabalho de inclusão dos efeitos especiais em algumas músicas como razões para o atraso. Pretendia-se alguma pós-produção cuidada já que as gravações feitas em Lisboa, pressuponham uma revisão e mistura cuidadas e também previam a inclusão de sons externos, essencialmente no Poema do Homem-rã. O Vató, Autor da música, pretendia que fossem incluídos sons do mar, e sons de um mergulhador a entrar na água a descer ao fundo misturados no refrão balanceado da música, nas partes onde, na gravação editada, se podem ouvir assobios e pequenos gritos. E é de notar que o disco era composto por 4 títulos originais completamente desconhecidos do público, o que naquele tempo, era completamente original pois as práticas correntes dos conjuntos como o nosso era editarem “covers” de êxitos internacionais. O exposto releva a importância que para nós tinha este trabalho de pós-produção, devidamente explicado aos Técnicos do Estúdio, pois iria ser uma inovação adicional que seguramente provocaria alguma reacção no público e nas Rádios (principal veículo de promoção naquele tempo).

No Carnaval o disco aparece nas montras, sem qualquer publicidade e, para grande espanto nosso, sem a pós-produção combinada, facto que causou grande perplexidade e desagrado.

E foi assim a 1ª audição do nosso disco. Ouvimos exactamente o que gravamos directamente para a Tape. Nada foi feito, mexido ou corrigido.

 

Eduardo Pinto

os.tubaroes.viseu@gmail.com

publicado por os tubaroes, Viseu às 21:01
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Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
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