Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1963 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1963 and 1968.
26 de Agosto de 2010

 

A 30 de Abril de 1966 realizou-se a Final do Concurso Ié Ié que teve a presença de 8 conjuntos: 4 de Lisboa (Claves, Ekos, Jets e Chinchilas), os Espaciais do Porto, os Rocks de Angola, os Night Stars de Moçambique e os Tubarões de Viseu. Foi uma longa jornada após 7 meses de eliminatórias onde nos cruzámos com alguns dos melhores conjuntos da época: Sheiks, Galãs, Kzares, Jovens do Ritmo, Químicos, Jets, Claves, Cometas Negros, Monstros e Krawas. Muito trabalho, muitos ensaios, muitas canseiras, e uma grande alegria: A Final !

O Grande Casino Peninsular voltou a chamar-nos em 66, animado que ficou com os resultados do ano anterior e com a recuperação do público jovem, que tão arredado andava das suas salas. Assim a 15 de Maio lá fomos fazer a Matinée de apresentação da Época de 1966, e que anunciava os Conjuntos contratados: Shegundo Galarza, Orquestra de José Santos Rosa e o Trio Juan Ferret.

 

E nós, logo que nos libertámos dos compromissos escolares e após três noites de sucesso na Boîte “A Cabana” nas Festas de S.Pedro do Sul, iniciámos nova época no Grande Casino Peninsular da Figueira da Foz.

A logística da estadia e alimentação ficou a cargo de um dos fornecedores habituais do Casino, a Residencial “O Júlio”, com óptima cozinha regional, muito cúmplice e tolerante com os nossos horários sempre desregrados.

O Casino tinha um programa de Animação geral muito variado que procurava atingir todos os públicos. Todas as noites apresentava Variedades no Salão de Café e Baile no Salão Nobre, por vezes animados com a Eleição de Misses, Tômbolas e outras promoções. As tardes eram destinadas aos públicos mais Jovens com Matinées Dançantes, Garraiadas, Matinées Infantis, Teatro Infantil, Concursos, etc. e ainda organizava Torneios de Bridge e outros, além das Exposições na sua Galeria de Arte.

 

 

ORQUESTRA de JOSÉ SANTOS ROSA - As Variedades começavam às 22H30 no Salão de Café após as quais abria o Baile no Salão Nobre. No ano de 1966 as Variedades tiveram o suporte musical da Orquestra de José Santos Rosa composta por excelentes músicos profissionais, alguns deles elementos de Bandas Militares, ao tempo grandes escolas de músicos. Além do excelente Maestro, lembramo-nos do José Estêvão na bateria, do Floriano Silva no baixo, e do Sousa Galvão que veio a ter o seu próprio Conjunto. E a nós impressionava-nos a rapidez e facilidade com que esta Orquestra pegava nas pautas dos Artistas e em pouco tempo ensaiava, compunha ou refazia os arranjos musicais. E à noite tudo saía perfeito. Fantástico, pensávamos nós.

 

Angel Peiró – O Casino tinha também contratado um exímio pianista que tanto tocava peças sózinho como acompanhava alguns Artistas e por vezes integrava a própria Orquestra. Era um Artista de grande qualidade e gosto musical. E foi um grande amigo nosso que procurava sempre ouvir-nos com atenção fazendo várias sugestões que nós considerávamos muito úteis. De aqui o nosso Bem haja Peiró!

 

SHEGUNDO GALARZA   – É compreensível o nervoso e a responsabilidade que sentimos quando começámos a alternar com um dos melhores Conjuntos Portugueses como era o de Shegundo Galarza. Ao tempo o quarteto era composto pelo Maestro, pelo Carlos Menezes, mestre em viola, pelo José Manuel ( o Baby Rock) no Baixo e pelo Eduardo Esteves na bateria. Eram uns Senhores e muito aprendemos a vê-los, a ouvi-los e a assistirmos aos seus ensaios. O mais trabalhador era sem dúvida o Carlos Menezes que chegava sempre uma hora mais cedo para aquecer os dedos, fosse para o ensaio, actuação ou mesmo que não tivesse nada para fazer. Estava sempre a “estudar” viola, como dizia, com a sua simpatia e simplicidade. E também aprendemos com estes profissionais que para tocarem tinham de ensaiar sempre e muito. E isso nunca era esquecido e foi um bom exemplo que procurámos seguir, de forma menos regular do que eles, é certo.

 

AMÁLIA - Aos fins de semana o Casino apresentava uma Atracção especial e o programa variava um pouco com a apresentação de uma 2ª parte de Variedades com a Atracção no Salão Nobre às 00H30. E assim aconteceu a 26 de Agosto de 1966 com a apresentação especial de Amália no Casino da Figueira da Foz. As entradas eram a 60$00 e nessa noite houve uma das maiores enchentes do Casino. Após as variedades no Salão de Café, excepcionalmente foram abertas as duas pistas de Dança, a do Salão Nobre e a do Salão de Café, pois não cabia tanta gente num único Salão. Shegundo Galarza tocava no Salão Nobre e nós no Salão de Café. E neste, até as galerias serviram de pista de dança. Foi uma noite única!</span></p>

Os Camarins do Casino situavam-se mesmo por baixo do palco do Salão de Café, onde Amália se preparava para a sua actuação às 00H30. Ouviu-nos tocar e manifestou agrado a quem a acompanhava. Quando subiu para entrar em cena falou connosco e convidou-nos a tirar uma foto. Foi interessante, pois a Amália, nervosíssima, fumava cigarro atrás de cigarro, e nós um pouco incrédulos com tão honroso convite. E ela, virando-se para nós, "… vamos lá rapazes, isto é muito simples, eu abro os braços, e... já está". E mais um beijinho a cada um e lá foi para o Salão Nobre para mais uma noite de retumbante sucesso. Surpreendeu-nos a simplicidade e franqueza, o tabaco e o nervoso de tão grande estrela. Marcou-nos, claro! 

 O Casino da Figueira: O Grande Casino Peninsular da Figueira da Foz era uma referência apreciada e visitada por muitos turistas nacionais e internacionais. Muito forte no Jogo, o Casino tinha também muito prestígio enquanto montra artística onde todos os Artistas da época procuravam actuar. Com uma Direcção muito dinâmica liderada pelo Senhor Mendes Pinto, o Casino era um pólo de atracção para os milhares de turistas que nos meses de Julho, Agosto e Setembro passavam pela Figueira da Foz. Nos bastidores do Casino sentia-se muita energia, e um ritmo constante de mudança de cenários e ambientes, com o nítido intuito de servir todos os públicos, do Infantil ao adulto, do amador ao jogador profissional. E tudo funcionava a preceito, sem falhas nem contratempos, e com um ritmo impressionante. Às quintas-feiras, no Salão de Café, era montado um Redondel com todos os atributos de uma Praça de Touros para a realização das Garraiadas Infantis, com gravita no chão, escotilhas, e valentes garraios que os mais jovens e atrevidos, durante a tarde, tentavam pegar. Mas à noite, à hora marcada, o Salão de Café estava de novo impecável para as Variedades que iam começar.

 

A Figueira da Foz estava na moda. Além dos habituais Conimbricenses por ali passavam comunidades das várias cidades do interior do País, de Norte a Sul, e uma grande comunidade Lisboeta. A maior Comunidade internacional era a Espanhola, língua das mais ouvidas no dia a dia e em todas as ruas, e nos anos 60 apareceram muitos holandeses, para além de turistas de todo o Mundo destacando-se os de língua francesa.

 

Artistas: Em 1966, além das Vedetas já referidas, cruzámo-nos no Casino da Figueira com os seguintes Artistas: José Viana, Paula Ribas, Anita Guerreiro, Tony de Matos, Valério Silva e Os Dinâmicos, Tonicha, Mara Abrantes, Florbela Queiroz, Ouro Negro, Os Espaciais, Natércia Maria, Ana Mónica, Badaró, Orquestra Sinfónica do Porto, Cidália Meireles, Lenita Gentil, Trio Guadiana, Cantinflas Junior, Alice Amaro, e muitos outros internacionais que não cabe aqui referir.

Por esta lista se vê a importância do Casino da Figueira para os Artistas portugueses, em 1966.

A 18 de Setembro o Salão Nobre encerrou a época de Verão e a 31 de Outubro foi a Festa de encerramento da Época de 1966.

Com muitas saudades e o nosso Bem Haja!

 

por eduardo pinto

 

 

 

 

publicado por os tubaroes, Viseu às 21:09
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Os Tubarões em livro: porViseu'60s.
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