Este blog descreve momentos da vida da banda de rock "Os Tubarões", de Viseu, Portugal entre 1961 e 1968. This blog describes rock band moments of life "Os Tubaroes", Viseu, Portugal between 1961 and 1968
29 de Março de 2016

Sarau no Liceu de Viseu

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(Os Tubarões acompanham a actuação de uma aluna finalista)

 

 No Liceu Nacional de Viseu as tradições académicas vividas nos anos 60 incluíam as festas de despedida dos alunos que terminavam o 3º ciclo - o 7º ano - normalmente nas idades entre os 16 e os 18 anos. No início do ano lectivo era eleita uma Comissão de Festas que organizava e promovia as festas de fim de “curso” que incluíam uma ou outra serenata, um Baile de Finalistas, um Sarau, uma tarde desportiva e a edição do livro de finalistas.

Após aprovação do respectivo calendário as festas tinham início com dois momentos especiais: a deslocação a Lisboa da Comissão de Festas para contratação dos Conjuntos para o Baile, o que era sempre uma grande aventura, e as serenatas que tinham forçosamente de começar no Lar do Sagrado Coração de Jesus, da Rua Alexandre Herculano, 214, normalmente ainda no mês de Dezembro.

 

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Em regra a cronologia dos eventos apontava o baile de finalistas para o 1º fim de semana de Janeiro e, duas semanas depois, realizava-se o Sarau no Ginásio do Liceu. Os restantes eventos ocorriam durante o resto do tempo do 2º período, que ia até à Páscoa.

Os Saraus de Finalistas incluíam Canto Coral, Teatro, jograis e récitas terminando com uma parte musical. Tudo isto feito com a prata da casa, ou seja, estudantes finalistas.

Atendendo a que alguns de seus elementos também eram finalistas, “Os Tubarões” participaram nos Saraus de 1967 e 1968 tendo também actuado nos respectivos Bailes de Finalistas, em 1967 com o “Quinteto Académico” e em 1968 com “Os Sheiks”.

 

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 A 21 de Janeiro de 1967 realizou-se o Sarau do 7º ano (66/67). Foi um grande Sarau com um cartaz excelente, uma cuidada apresentação que incluía uma arrojada e muito conseguida adaptação teatral do "Fidalgo Aprendiz" dirigida pelo Dr. Osório Mateus, Professor do 7ºano

( Mais aqui sobre o que foi aquele "O FIDALGO APRENDIZ ).

 

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 Nós, "Os Tubarões", além de termos participado na peça de Teatro com uma interpretação instrumental acompanhámos musicalmente alguns dos “Artistas” e encerrámos o Sarau com um espectáculo próprio.

Vivíamos um dos períodos de maior destaque na nossa carreira musical com solicitações de todo o País tocando práticamente todos os fins de semana com cachets elevados mas havia algum tempo que o público de Viseu não nos ouvia.

Desconhecendo-se até hoje se terá sido uma coincidência fortuita, nos dias que antecederam o Sarau gerou-se algum borburinho no meio estudantil por ter sido divulgada a opinião de uma professora do Liceu que considerava pornográfica a letra do grande êxito musical dos Rolling Stones “Satisfaction”, música que fazia parte da nossa playlist com muito sucesso. Começou a gerar-se alguma expectativa sobre se nós iríamos incluir tal êxito na nossa actuação. Nós nada dissemos e deixámos ao José Merino, nosso vocalista, o critério de a interpretar no final da actuação se fosse pedido algum encore. E foi o que aconteceu. Após as 4 músicas previstas muito aplaudidas o “Zé” virou-se para trás e disse: “Vamos ao “Satisfaction”.

De imediato o Victor arrancou da sua Fender Stratocaster vermelha os acordes iniciais do "Satisfaction" e o público mais jovem, ainda surpreso, começava a acompanhar-nos com palmas vibrando e saltando com excitação crescente ao ouvir a voz do Zé Merino a cantar:

"I can't get no satisfaction

I can't get no satisfaction

'Cause I try and I try and I try and I try

I can't get no, I can't get no ..."

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 (José Merino e Victor Barros com a Fender Stratocaster vermelha)

 

Mas foi sol de pouca dura. Alguns minutos depois todo o Ginásio ficou às escuras.

O Reitor tinha mandado cortar a luz. Durante alguns minutos o José Merino ainda continuou a cantar o refrão do “Satisfaction” acompanhado pela bateria e um coro de entusiastas no público mas o destino estava traçado. O Reitor veio à frente do Palco dar-nos a ordem para terminarmos a actuação.

E assim terminou o Sarau de 1967 muito comentado nos dias seguintes por toda a cidade e considerado um grande sucesso.

Ainda se especulou que aos elementos do Conjunto alunos do Liceu seria levantado um processo disciplinar, facto que nunca veio a acontecer.

 

Fontes: “infância em terra pequena” de Luis Canavarro.

Agradecimento ao Fernando Matos.

 

porep

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04 de Janeiro de 2016

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 (Fotos da Foto Germano)

 

O nosso Verão musical em 1964 foi passado nas Termas de S.Pedro do Sul. Foram umas férias fantásticas de convívio, muita amizade e um verdadeiro estágio musical. Tocámos em 3 Palcos: Na FNAT em espectáculos de encerramento dos turnos quinzenais, no Casino Rainha D. Amélia onde realizámos os nossos primeiros bailes com cachet, e na MÓ, a 1ª e mais original Boîte das Termas que se localizava na cobertura de um velho moinho na margem norte do Rio Vouga no início da ponte.

Retomadas as aulas entrou para o Conjunto o Carlos Alberto Loureiro (teclados) e saiu o António Fernandes (viola solo) por ter ido estudar para Lisboa. O Pai do Carlos Alberto, o Senhor António Xavier de Sá Loureiro, passou a ser o nosso Empresário gerindo a nossa carreira. A nossa sede para contactos era na Rua 5 de Outubro, 103-2º, casa do Alberto Carrilho nosso Relações Públicas.

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Estava acordado irmos animar as festas do Clube de Viseu – Baile de fim do ano e matinée dançante no dia 1.

Naquele ano, 1964, tinha sido inaugurado o Hotel Grão Vasco o que foi um grande acontecimento na cidade.

 

" Em 1964 Viseu tinha como oferta turística hoteleira várias Pensões: André (hoje Rossio/Parque), Central (muito popular por ter lançado o primeiro snack bar na cidade, A Gruta, com o famoso prego com ovo a cavalo), Ramboia, Bocage, Ideal, Passarinho, S. Lázaro, Preto, Viriato, Lusitana, Parreira do Minho, e eventualmente outras. Mas Hotel só havia o Avenida justificando-se plenamente um novo Hotel na cidade. Pertencente à Família Ferreira dos Santos, Família muito conhecida e de prestígio na cidade, donos da Estalagem Viriato localizada junto à Ponte de Fagilde a caminho de Mangualde, o Hotel Grão Vasco foi construído no espaço do antigo Quartel e tinha como seu Director Geral o João Ferreira dos Santos que quis organizar uma festa no 1º fim de ano do Hotel ...".

 

João Ferreira dos Santos entrou em contacto com o Sr. António Xavier Loureiro para nos contratar para irmos animar o fim do ano no Hotel. O contrato com o Hotel foi fechado pelo cachet de 4.000$00.

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O Baile do fim de ano realizou-se no Salão do Hotel frontal à recepção e o nosso Palco ficou instalado por baixo da zona das escadas para o 1º piso. Foi a nossa prova de fogo na cidade. Começámos pelas 23H00 e foi até às 04H00 da manhã, só nós, com poucos intervalos pois não havia outro sistema de som. Salão esgotado com a presença dos hóspedes do Hotel e também muitas famílias da cidade que não quiseram faltar a tão importante evento no lugar mais chique de Viseu. Para nós foi a primeira apresentação pública na cidade e, como é natural nestas situações, fomos alvo de um apertado escrutínio com todos os presentes a opinarem sobre o nosso desempenho: “São geitosos” deve ter sido a frase mais ouvida na noite a nosso respeito.

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 A formação que actuou no Hotel Grão Vasco no fim do ano de 1964 (e-d): Victor Barros, viola ritmo, José Merino, voz, Luis Dutra, viola baixo, Eduardo Pinto, bateria e Carlos Alberto Loureiro, teclados.

 

A partir de 1965 o Hotel Grão Vasco passou a ser uma verdadeira sala de visitas da cidade de Viseu. Davam-se os primeiros passos no fomento do Turismo em Portugal e, com o novo Hotel Grão Vasco, a cidade passou a ser incluída nos roteiros turísticos de Portugal. Começaram a chegar autocarros com excursões de turistas de várias origens, com preponderância para os Franceses e os Brasileiros. Geralmente chegavam às 3ªs ou 4ªs feiras pelas 19H00, instalavam-se, jantavam e dormiam. Na manhã do dia seguinte visitavam a cidade (a Rua Formosa, Mercado 2 de Maio, Rua do Comércio e Centro Histórico e Rua Direita) e seguiam para outras paragens.

Em 1966, após a final do Concurso IÉ-IÉ, o nosso amigo Germano fez um conjunto de fotografias no átrio do Hotel e de uma delas, um postal ilustrado que era vendido nos Agostinhos, no Café Rossio e em várias tabacarias da cidade e consta que foi um sucesso comercial.

 

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Em 1967 voltámos a actuar no Hotel Grão Vasco dando suporte a uma série de passagens de Modelos da Woolmark que acompanhámos em várias partes do País.

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Hotel Grão Vasco, 1967 (e-d): José Merino, voz; Carlos Loureiro, teclados, Victor Barros, viola ritmo, Eduardo Pinto, bateria e Luis Dutra, viola baixo. 

 

Agradecimentos: Foto Germano;

Citação: porViseu 60's

porep

 

 

11 de Julho de 2015

Old Lady é um tema musical criado pelo José Merino em 1966 com nítida influência “Beatles”. O Zé vivia o seu período mais fértil em criatividade e, soubesse ele tocar algum instrumento, mais títulos musicais teríamos hoje em carteira. Sempre a cantarolar Beatles, rapidamente introduzia variações nos temas que trauteava nascendo um novo trecho musical que posteriormente desenvolvia.

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    - Estávamos no início do ano lectivo 1966/67, primeiros dias  do  Outono.

O Zé Merino vivia em Santo Estêvão e o pai tinha um armazém de lanifícios no nº 36 da Praça D. Duarte, onde hoje está instalada a loja de antiguidades Secopiorum. Todas as manhãs a família chegava de carro pelas 08H45 à Praça D. Duarte, onde nos encontrávamos, e os dois seguíamos juntos para o Liceu pelo trajecto Rua do Comércio, Rua Formosa, Rossio, Parque e Liceu. A Rua Formosa tinha trânsito desde a Praça de Santa Cristina até ao Rossio e o Mercado 2 de Maio era um rebuliço àquela hora cheio de gente.

Quando seguíamos na Rua Formosa no passeio do lado do mercado, apercebemo-nos de que, em frente ao Horta, uma velhinha tentava atravessar a rua com alguma dificuldade devido ao trânsito automóvel que a assustava. O Zé não hesitou e atravessou a rua pegando no braço da Sra. ajudou-a a dirigir-se para o seu destino que era o Mercado. Logo após este gesto, no resto do trajecto para o Liceu o Zé começou a trautear a música e a criar a letra desta sua 1ª composição que tem como título “Old Lady”.

  

 

 

Ao tempo ensaiávamos no Salão Nobre do CLUBE de VISEU, onde tínhamos os instrumentos montados.

Gravador-grundig-tk141.jpgFazia da parte da Direcção o Dr. João Lima, prestigiado Advogado da cidade, que muito nos apoiava e várias vezes referia a necessidade de gravarmos um disco. Um fim de semana em que ensaiávamos o Dr. João Lima apareceu muito entusiasmado com o novo e fantástico gravador Grundig estereofónico que tinha adquirido e que poderíamos utilizar para gravarmos umas músicas.

Dito e feito. Um belo fim de semana lá fomos para o Clube de Viseu ensaiar. O Dr. João Lima e o Rogério Dourado montaram o gravador mesmo no meio do Salão com o microfone dirigido para o Palco. Fizeram-se vários ensaios para estudar o melhor local para a localização do fantástico microfone, também ele estéreo com duas cabeças de registo de som e lá fizemos a nossa primeira gravação de três originais que foram editados pela GROOVIE RECORDS   em 2013.

 

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(e) Foto da bobine original dos temas gravados no Salão Nobre do Clube de Viseu em 1966.

 

 

 

 

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(d) Capa e disco com foto original no palco do Clube de Viseu em 1966

 

 

 

 

 

 

Foram gravados 3 temas originais: Old Lady (José Merino); A girl for me (José Merino e Luis Dutra) e Come back (José Merino e Victor Barros), editados em 2013 e ainda à venda na Editora GROOVIE RECORDS com a referência A PE00001-13.

 

 

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23 de Abril de 2015

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Os Tubarões no palco do Cine-Rossio a 23/4/1967 (e-d): Carlos Loureiro, Victor Barros, José Merino, Luis Dutra e Eduardo Pinto.

 

1967 foi um dos melhores anos da carreira musical dos Tubarões quer na vertente musical, projecção nacional e número de concertos/actuações. E dele haveremos de contar alguns dos episódios mais significativos.

Após a Passagem do Ano no Grande Hotel da Figueira da Foz seguiu-se o Baile de Finalistas do Liceu de Viseu em que partilhámos o palco com o Quinteto Académico a 7 de Janeiro no Cine Rossio.

O CINE-ROSSIO era a única casa de espectáculos em funcionamento em Viseu: cinema, alguns espectáculos e bailes no salão de festas localizado no piso -1, salão que foi também a nossa sala de ensaios durante os anos de 1965 e 1966 a troco de uma permuta com a realização de alguns espectáculos.

Durante a matinée dos finalistas, a 8 de Janeiro, o Sr. Severo, Gerente do Cine-Rossio, abordou o Sr. António Xavier de Sá Loureiro, nosso Produtor, manifestando o desejo para a concretização de mais um espectáculo respondendo às inúmeras solicitações que lhe chegavam do público da cidade.

Ponderadas várias alternativas e tendo em conta a nossa agenda musical programámos um espectáculo de variedades comemorando o nosso de 3º aniversário no mês de Abril. Decidimos convidar para cabeça do cartaz a grande atracção nacional do momento TONICHA que tínhamos conhecido no Casino da Figueira da Foz e estava no auge da sua carreira.

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Para a primeira parte do espectáculo só convidámos Artistas de Viseu:

A apresentação e condução do espectáculo ficou a cargo do Jorge Martins (família Antas de Barros), profissional da Rádio, locutor do Clube Asas do Atlântico (Santa Maria Açores) que se encontrava em Viseu e convivia muito connosco no Snack-Bar Alvorada. Convidámos também o Rui Correia, (o irmão mais novo da Família Correia proprietária da Tinturaria Belcor), nosso benjamim que arrebatava o público a declamar o "Cântico Negro" e não só como aconteceu num Sarau do Liceu, o Conjunto “Os Corsários” e Viçoso Caetano (o poeta de Fornos de Algodres), recém chegado de Moçambique onde viveu um grande êxito da sua carreira musical com a versão portuguesa da Balada dos Boinas Verdes (Ballad of the Green Berets) hino das Forças Especiais Norte Americanas e que passou a ser o hino oficioso dos Paraquedistas portugueses, de que foi Autor. 

 

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Rui Correia a declamar com Luis Dutra na viola baixo.

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   Viçoso Caetano - Com a devida vénia a "No Bairro do Vinil"

 

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Os Tubarões na 1ª parte da festa do 3º aniversário (e-d) Victor Barros, Luis Dutra e Eduardo Pinto

 

Na 2ª parte actuámos nós e a grande atracção TONICHA, que encerrou o espectáculo com muito sucesso e dois "encore".

 

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        Com a devida vénia ao Clube de fãs da Tonicha 

 

Quando contactámos a Tonicha levantou-se a questão de quem a iria acompanhar musicalmente, pois era uma estrela e estava habituada a ser acompanhada por orquestras conhecidas. Como nos conhecia musicalmente de nos ouvir no Casino da Figueira da Foz enviou-nos pelo correio as partiruras das músicas que pretendia cantar e nós comprámos os discos com tais músicas para as tirarmos de ouvido, pois de pautas, só conhecíamos as do Liceu quando íamos saber as notas…

A 23 de Abril realizou-se um grande espectáculo no Cine-Rossio, completamente esgotado e que deu brado na cidade.

Foi assim a comemoração do nosso 3º Aniversário que culminou reunindo todos os Artistas num um fantástico jantar no Hotel Avenida.

 

 


Rui Correia 2.jpg(Testemunho de RUI CORREIA):

“Desse famoso dia 23 de Abril recordo-me:

- Da ternura com todos vocês me rodearam.

- Da importância que o pai do Loureiro me deu. Ele achava que era um jovem promissor...

- De ter entrado, sem querer, e talvez num momento impróprio, no camarim da Tonicha...

- Daquele famoso jantar no Hotel Avenida.

- De as minhas colegas me gozarem pelo meu 3º aniversário. (Veja-se o Cartaz...)

Mas, sobretudo, de ser considerado um parceiro próximo dos Tubarões...”


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 Os Tubarões agradecem os aplausos do público que esgotou o Cine-Rossio a 23/4/1967 (e-d): Carlos Loureiro, Victor Barros, José Merino, Luis Dutra e Eduardo Pinto.

publicado por os tubaroes, Viseu às 02:43
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16 de Março de 2015

Joaquim Guimarães dos Santos (Quim Guimarães)

(C.V. Musical, Viseu anos'60s)

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- Do Avô herdou uma guitarra portuguesa mas a sua inspiração e admiração vieram do Pai, visto que o via e ouvia horas sem par a dedilhar a sua viola, e pelos 10 anos já o acompanhava em harmónica de boca.

Este dueto, Pai e Filho, chegou a gravar melodias que aos domingos iam para o Ar na antena da Rádio Caramulo com um repertório baseado no folclore nacional. A fama alastrou pelo bairro com a vizinhança a sintonizar bem alto a Rádio Caramulo e as transmissões dos arranjos musicais do Senhor Abel e seu filho Quinzinho. Aos 12 anos, ensinado pelo Pai, aprendeu os primeiros acordes na viola mas o que verdadeiramente despertou o seu talento foi o filme “Rock Around the Clock” do Bill Haley and his Comets, que viu da Geral do nosso AVENIDA TEATRO na Avenida Emídio Navarro (sensívelmente onde hoje está o Restaurante Casablanca).

 


"Teria uns doze/treze anos qundo pedi ao meu pai para me ensinar a tocar viola. Ele disse-me: olha Quim, eu ensino-te os tons e tu praticas... vai ser difícil ao principio e tens que ter os dedos da mão esquerda calejados. Ensinou-me a colocar a mão esquerda e a posição do pulso no braço da viola para abranger as cordas todas, e deu-me instruções para colocar os dedos da mão direita nas cordas para tocar. O que ninguém sabe é que aprendi a pôr os dedos da mão direita na viola de uma maneira incorreta... assim o dedo que deveria ser na corda mi pu-lo na corda sol e troquei a posição. Na viola eléctrica tocava com palheta mas na viola acústica sempre toquei técnicamente incorreto... ainda hoje!!!!" (... QG)


 

 

Não mais largou a viola e em 1960 foi convidado a participar no acampamento da Mocidade Portuguesa actividade incluída no evento da inauguração do monumento aos Descobrimentos em Belém. Neste encontro da juventude da Mocidade Portuguesa de todos os Continentes, os serões musicais eram encontros geracionais que animavam e uniam os jovens portugueses vindos de todos os cantos do Mundo.

Em 1961 num Sarau dos Alunos da Escola Comercial e Industrial de Viseu (actual Escola Secundária Emídio Navarro) teve a primeira formação musical com Gualter, que cantava “You are my destiny” e “Diana” grandes êxitos de Paul Anka, com o Fausto que tocava acordeão e o Quim Guimarães que já solava êxitos dos Shadows como “Os Cavaleiros do Céu” e o “Apache”.

 

- Anunciados como o Conjunto “Os Petas” a sua actuação foi considerada um grande sucesso e o início de uma carreira musical destes três jovens músicos que durante alguns anos animaram várias festas em Viseu em vários grupos musicais.

 

    (Os Petas) com (e-d) Desconhecido, Fausto, Gualter, Quim Guimarães e Desconhecido.

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 01 00 FB 539021_10200184076183227_133086078_n b.jpA evolução da música ligeira atraía cada vez mais a juventude e apareciam duos como “The Kings", trios vocais a cantar tirolês, Paul Anka, Conchas e, no Liceu, o Beto Gonçalves a cantar Elvis Presley. O Quim Guimarães passou a ser o “Viola” de serviço acompanhando todos eles na sua viola acústica, até que um jovem colega com muito geito para a electrónica inventou um microfone para a viola criando assim a sua primeira viola eléctrica inaugurada num famoso Sarau do Liceu.

 

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Ao tempo Viseu tinha um grande Mestre da música ligeira, Mário Costa, conhecido e apreciado a nível nacional que além de uma prestigiada Escola Musical de Acordeãos, desde os anos 50’s dirigia a Orquestra Cine JAZZ a qual, além de animar as festas e bailes que se realizavam pela cidade e arredores, acompanhava as grandes vedetas da Canção Nacional que muitas vezes actuavam no nosso famoso Avenida Teatro, acima referido. A idade de alguns elementos do Cine Jazz e os ventos da nova onda musical levaram Mário Costa a formar o seu próprio conjunto convidando o Quim Guimarães, o Gualter e o Fausto a juntarem-se ao Carlinhos da Sé, voz e bateria e alguns elementos vindos da Orquestra Cine Jazz.

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 Conjunto de Mário Costa com (e-d): Gualter (contra-baixo), Quim Guimarães (viola), António Correia (violino), Fausto (acordeão) e Mário Costa ao piano.

 

Em Janeiro de 1962 o famoso baile de finalistas do Liceu de Viseu teve como principal atracção o Conjunto italiano Andrea Tosi alternando com o Conjunto de Mário Costa. Para o Quim Guimarães foi a sua noite de sonho musical pois além de muito andar a aprender com os ensaios do Mário Costa pôde assistir ao vivo a uma actuação de outros músicos de grande craveira com quem também muito aprendeu. Motivos particulares levaram Mário Costa a sair da cidade. Camilo Costa, seu filho, ficou à frente da Escola de Acordeãos e o Conjunto Mário Costa deu origem a dois novos conjuntos em Viseu: Os Condes liderados por Camilo Costa e os Diamantes formados por Quim Guimarães (viola), Gualter (voz e contra-baixo), Fausto (piano e acordeão) e o Carlinhos da Sé (voz e bateria).

01 04 Diamantes copy.jpgOs Diamantes com (e-d): Norton, Fausto, Carlinhos da Sé e Gualter (Clube de Viseu, 1965).

 

Entretanto os Pais do Quim Guimarães deram-lhe um valioso presente: uma viola eléctrica.

Foi o momento da grande viragem da sua vida musical sentindo em definitivo que os seus verdadeiros companheiros de vida eram a música e a sua nova viola. Como perfeccionista que era, sempre se preocupou com o rigor da interpretação e a temática do som, uma disciplina não muito cuidada na região. Com a sua nova viola eléctrica entregou-se aos seus ensaios solitários, diários e de horas a fio. Objectivo: a perfeição !

 


"Nessa altura eu ensaiava muito, sózinho em casa. Por vezes passava horas a tocar viola e a praticar escalas. O Assunção, grande amigo meu, emprestou-me um gravador de fita com músicas novas, algumas do grupo francês "Les Chats Sauvages". Eles e outros grupos da altura inspiraram-me a adaptar "O Voo do Moscardo". Passei horas e dias a ensaiar sem parar, fiz muitos calos nas mãos, e finalmente usei o dedo mindinho que me ajudou muito na execução do Voo do Moscardo. A partir daí era capaz de executar qualquer música... não havia obstáculos para nada!!!”(... Q.G.)


  

E a sua interpretação do “Voo do moscardo” começou a ser muito famosa e apreciada pois era a mostra do seu virtuosismo e um momento alto nas suas actuações. Só a interpretava quando sentia motivação e ambiente para tal.

Os Diamantes lideraram as festas da cidade de Viseu e arredores entre 1962 e 1964 actuando por todo o Distrito de Viseu com uma playlist de músicas de baile composta por música tradicional portuguesa, brasileira e sul-americana, italiana e francesa. "Os Diamantes" evoluiram muito nesses dois anos e já se preocupavam com a sua apresentação cuidando a roupa com que actuavam e também a sua postura em palco.


“Tocámos muito, sempre juntos e aprendemos muito também, mas a nova música estava a chegar de Inglaterra... os guedelhudos!!! “Os Beatles!!!!! Twist and Shout”. Essa era a música que eu queria tocar. E um dia ouvi tocar um grupo novo de Viseu... “Os Tubarões”, e eles tocaram o Twist and Shout!!!!!!!!!!! Claro nessa altura “Os Tubarões” estavam a começar, mas notei logo muito potencial...” (... Q.G.)


 

Em meados de 1965, perante o desafio do Grande Concurso IÉ-IÉ, o Quim Guimarães foi convidado a integrar “Os Tubarões” como viola solo, missão que aceitou com alegria pois além de músicas dos consagrados Beatles e Rolling Stones "Os Tubarões" tocavam muitos êxitos dos conjuntos do momento destacando-se a música dos "The Animals", conjunto de Eric Burdon e Alan Price que se aventuravam em novos desafios instrumentais assentes nos blues e folk.

 


“... ... Começámos a ensaiar no Cine Rossio preparando a nossa participação no IÉ-IÉ. Nos ensaios, sempre que alguma música ou som não fosse do agrado do Quim, ele parava de tocar, saía do Palco e ia para a assistência ouvir-nos, esmiuçava todos os instrumentos e sons e obrigava-nos a repetir até perceber e levar-nos a corrigir o pormenor que não lhe soava bem. Com ele começámos a interpretar músicas de uma craveira musical mais exigente quer na vertente instrumental quer na vertente de vozes.” (...porViseu’ 60s.)


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Os Tubarões nos ensaios no Cine Rossio para Concurso IÉ-IÉ: Foto da esq.: 1ª Eliminatória (Out.1965); Foto dir.: 2: Semi-Final (Jan.1966). Formação: Voz: José Merino; Teclas: Carlos A. Loureiro; Viola Solo: Quim Guimarães; Viola Ritmo Victor Barros; Viola Baixo: Luis Dutra; Bateria: Eduardo Pinto.  


 

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A estreia de “Os Tubarões” com o Quim Guimarães ocorreu no “Jantar à Americana” no Grande Hotel Lisboa nas Termas de S. Pedro do Sul no final do mês de Setembro de 1965. 

 

 

 

Os Tubarões no Grande Hotel Lisboa- (e-d) Luis Dutra (Baixo), Victor Barros (Ritmo) e Quim Gui,marães (Solo) e José Merino (Vocalista).

 

 

A 9 de Outubro Os Tubarões apresentaram-se na 7ª Eliminatória do Grande Concurso IÉ-IÉ com “Os Sheiks” (Lisboa), “Os Galãs” (Porto), “Os Kzares” (Aveiro) e “Os Jovens do Ritmo” (Seixal). Juntamente com “Os Sheiks”, “Os Tubarões” foram apurados para a fase seguinte, as semi-finais.

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Concurso IÉ-IÉ: Os Tubarões no Palco do Teatro Monumental, Lisboa

 

 

- Entretanto em Portugal corria a moda dos Festivais IÉ-IÉ e também em Viseu se realizou uma tarde IÉ-IÉ numa matinée de domingo no Cine-Rossio com a participação de “Os Corsários” um conjunto também de Viseu e “Os Tubarões”, que as imagens documentam.

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Festival IÉ-IÉ em Viseu (1965): (e-d): Os Corsários (José Figueiredo, Carlos Assunção, Norton e Fernando Dias) e Os Tubarões (Luis Dutra, Quim Guimarães, José Merino, Eduardo Pinto e Carlos Lureiro.

 

- Em Dezembro os Tubarões foram notificados da sua passagem às meias-finais do IÉ-IÉ marcada para o dia 15 de Janeiro de 1966.


“Concurso IÉ-IÉ: Semi-final.

… Fomos chamados para a 2ª semi-final que se realizou a 15 de Janeiro no Teatro Monumental com os seguintes conjuntos: os Saints (futuros Claves), que vieram a ganhar na final do Concurso, os Jets, os Cometas Negros de Castelo Branco, os Kímicos, e os Boys de Coimbra.

... Entrámos em palco vestidos com um bonito fato cinzento de trespasse feito na Alfaiataria Freitas em S. Pedro do Sul e começámos com o Satisfaction, um clássico com aceitação muito generalizada e a adesão foi muito boa. Seguiram-se os primeiros acordes do baixo do We gotta get out o this place, último êxito dos Animals, grupo que tinha uma configuração instrumental muito semelhante à nossa para além do timbre do Zé Merino lembrar o timbre do Eric Burdon. Ainda com os aplausos no ar o Quim arrancou com os inconfundíveis primeiros acordes do “I Feel Fine” e terminámos com uma fortíssima interpretação do Zé Merino no “It’s my life” dos Animals, uma música do final do ano de 1965 especialmente escrita para a voz do Eric Burdon, com uma construção musical forte iniciada pela viola baixo que sincroniza com a viola solo na segunda frase musical, e assim se mantêm durante partes da música, sempre em crescendo, e sobre a qual evolui um timbre forte de voz que nalgumas fases incita ao diálogo com os coros. Sem dúvida uma boa música que nós tocávamos muito bem. E a plateia foi ao rubro. Foi uma tarde memorável. Não conseguíamos sair do palco pois os aplausos não paravam. O público pedia mais uma música e não se cansava de aplaudir. Nós agradecíamos no Palco com o Zé a dizer estar rebentado da garganta. Então o Quim Guimarães virou-se para o Júri algures no Balcão à nossa direita, levantou o indicador direito e interrogou: “só mais uma?” e foi-nos dada autorização. Interpretámos o “voo do moscardo”, um instrumental clássico que o Quim tinha adaptado à viola eléctrica, e em que demonstrava todo o seu virtuosismo. Brilhou com todo o Monumental em pé quando colocou a viola no ombro direito e solava com a viola nas costas. Uma monumental tarde no Monumental! Durante esta música parti uma das baquetas que me feriu um dos dedos jorrando sangue pela bateria. Tocámos até ao final com o público em pé. Foi uma ovação!” (...porViseu’ 60s.)


 

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Concurso IÉ-IÉ: Reportagem Jornal O Século de 16/01/1966 e anúncio dos Finalistas em Abril de 1966.

 


“Gostei imenso de tocar com a malta dos Tubarões... juntos vimos um progresso enorme em execução e adquirimos até fama nacional. Nunca me esquecerei da semi-final do concurso IÉ-IÉ no Teatro Monumental em Lisboa em Janeiro de 1966. Finalmente estávamos a fazer frente aos melhores conjuntos Portugueses da altura... foi um dos melhores dias da minha vida!!!! A gritaria era tanta que deixei de ouvir o que estava a tocar. Foi tudo por instinto... nessa altura não haviam sistemas de feedback. “Os Tubaroes” foram um sucesso enorme!

Foi também um dia muito triste da minha vida ... na audiência estava a minha namorada que me criticou muito porque eu só queria tocar a viola e ignorava os estudos. Foi um balde de água fria.

Assim acabou a minha jornada musical.” (... Q.G.)


Após esta semi-final "Os Tubarões" regressaram a Viseu, animaram o Carnaval do Clube de Viseu tendo sido a última actuação musical do Quim Guimarães que, face às pressões decidiu ir viver para Lisboa terminando assim uma carreira musical muito promissora e empobrecendo o panorama musical da nossa cidade. 

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Os Tubarões no Carnaval de 1966 no Clube de Viseu, última actuação pública do Quim Guimarães.

 

 O Quim Guimarães saiu de Viseu para Lisboa em Março de 1966, em 1967 foi chamado a cumprir o serviço militar obrigatório. Foi mobilizado para a Guiné em 1968 após o que se reuniu à Família em Moçambique. Iniciou a sua vida profissional e familiar, após 1974 radicou-se na Africa do Sul, tirou um curso de Marketing e começou a trabalhar na Coca Cola onde chegou a Director Geral de Vendas. De seguida agarrou uma oportunidade na Coca Cola Americana onde se afirmou atingindo o lugar de Director de Supply Chain na Divisao Corporativa de Marketing. Após uma carreira internacional e muitas viagens o Quim Guimarães, cidadão americano, goza hoje a sua reforma dedicando-se aos 5 filhos, amigos e à fotografia nunca perdendo de vista o piano e a sua inseparável viola. A Viseu tem vindo a espaços para estar com os Amigos que por cá deixou e ainda se lembram, com muitas saudades, do seu “voo do moscardo” do qual não há nenhuma gravação.

 

Porep.

Fontes: Quim Guimarães, porViseu’60s, “Os Tubarões”. (1) - Foto gentilmente cedida por Aires de Matos 

07 de Maio de 2014

No último trimestre de 1967 um dos mais famosos Alfaiates de Viseu, Álvaro Alfaiate, propôs-se fazer uma indumentária moderna para a qual só teríamos de pagar os tecidos a preço de custo. Em troca teríamos de divulgar a Alfaiataria autora de tais trajes, o que aqui também se faz.

 

 

   

E assim nasceram as famosas casacas à Beatles lançadas na capa do Álbum Sargeant Peppers Lonely Hearts Club Band a 1 de Junho de 1967, e que também foram grande sucesso nas nossas actuações. Eram 7 casacas com as cores Azul claro, Azul escuro, Preta, Rosa, Roxa, Verde e Vermelha que muito animavam a nossa presença em Palco.

Nos intervalos das nossas actuações as Casacas iam para a montra do Álvaro Alfaiate da Rua Alexandre Herculano, 179, acompanhadas de fotos e cartazes nos diversos Palcos por onde nós actuávamos.

 

Duas das Casacas originais, a preta do nosso vocalista José Merino e a vermelha do nosso teclista Carlos Alberto Loureiro, estiveram em exposição no Clube de Viseu no dia 26 de Abril de 2014 devidamente acompanhadas por duas das violas originais do Conjunto de 1966: uma Hofner cor de madeira e uma Vox branca (bacalhau); um microfone  Austríaco AKG original e uma coluna de som Dynacord. Por cima desta estava a maquete que serviu para a foto da capa do disco "Poema do Homem Rã" lançado em Fevereiro de 1968. A foto foi tirada em Novembro de 1967, tendo como fundo a parede lateral direita do Padrão dos Descobrimentos, numa manhã de um domingo encoberto, um dia após a gravação do disco.

 

 

  

Agradecemos o apoio do Fotógrafo José Alfredo

 

porep

04 de Maio de 2014

Com o apoio das fotos do Fotógrafo José Alfredo reproduzimos alguns momentos da evocação dos 50 anos da estreia de "Os Tubarões" no Clube de Viseu no dia 26 de Abril de 2014:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

porep

publicado por os tubaroes, Viseu às 04:43
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03 de Maio de 2014

Na busca de novos documentos relacionados com a vida do conjunto batemos à porta do Clube de Viseu para saber se no arquivo daquela instituição existiam algumas fotos ou outros documentos. Nada havia.

 

Decidimos então oferecer o espólio do Conjunto relacionado com as nossas actuações naquela Instituição, o que aconteceu num acto público de entrega que ocorreu a 13 de Dezembro último.

 

No seguimento desta oferta entendeu o Clube de Viseu fazer uma vitrine para a exposição deste material convidando-nos para a sua inauguração pelo Dr. Francisco Mendes da Silva, Presidente do Clube de Viseu, no passado dia 26/4, precisamente 50 anos depois de o conjunto se ter estreado no lindíssimo Salão Nobre daquela instituição.

 

Na vitrine podem ver-se 9 fotos de 1963 a 1967, o disco vinil e a bobine magnética original da gravação ao vivo de Old Lady, de Outubro de 1966, registo em sala (live on tape) dos seguintes originais: Old lady (José Merino), A girl for me (José Merino, Luis Dutra), Come back (José Merino, Victor Barros), e outros adereços do conjunto como carteiras profissionais, miniatura da D.Urraca (a carrinha pão de forma do conjunto onde se transportavam os instrumentos e equipamentos, etc …

  

 

 

 

 

  

 

 

 

- Agradecemos o apoio da CITAC - Iluminação que iluminou a vitrine;

 

- Agradecemos os apoios do Fotógrafo José Alfredo e as fotos do José Tomás;

- Agradecemos o apoio do Clube de Viseu 

porep
publicado por os tubaroes, Viseu às 16:11
 O que é? | | favorito
02 de Maio de 2014

No Salão do piano do Clube de Viseu foi montada uma exposição com a Memória do Conjunto “Os Tubarões”, composta por 5 paineis e uma mostra de trajes e instrumentos originais do conjunto nos 60’s.

Os 4 primeiros paineis retratavam a vida do conjunto nos anos 1964 a 1968 com a composição do Conjunto, fotografias, programas, cartazes e outros documentos originais de cada ano:

 

1964 e 1965

Os Tubarões 1964 e 1965:

Fotos da estreia do conjunto no Salão Nobre do Clube de Viseu a 26/4/1964. A rodagem nas Termas de S.Pedro Sul. A inauguração do Restaurante/Bar O Tubarão na Figueira da Foz; O Casino da Figueira, as carteiras profissionais. A entrada do Quim Guimarães e a participação no Concurso IÉ-IÉ:

 

1966

Nomeados Embaixadores de Viseu, a final do IÉ-IÉ, os espectáculos em Viseu, Brasil em Viseu, a Figueira da Foz, as fotos do Germano, o Verão no Casino, a foto com Amália, programas do Casino, a gravação do disco Old Lady no Clube de Viseu, a D.Urraca, o Estúdio na Alexandre Hercularo:

  

 

1967

Bailes de Finalisttas; Festa do III aniversário com Tonicha e os Corsários, actuação na Boite "O Caruncho" em Lisboa, o Verão no Casino, a gravação do disco, programas, minuta de contrato. Fotos com Simone de Oliveira e Nicolau Breyner no Casino Figueira. Recortes de imprensa.

 

 

1968

Bailes de Finalistas, o Carnaval na Neve, a saída do disco, de novo o Verão no Casino com Juan Manuel Serrat, Duo Dinãmico, o nosso Estúdio, Playlist, entrevistas, etc ...

 

 

IÉ-IÉ:

Eliminatoria de 10 de outubro de 1965; Meia Final a 15 de Janeiro de 1966 e Final a 30 de Abril 1966.

 

 

 Trajes e Instrumentos:

Casacas à Beatles de 1967, Viola Hofner de 1964 e viola Vox de 1965. microfone AKG, coluna Dynacord e maquete da capa do disco Poema do Homem Rã".

 

 

Com o nosso Bem Haja a José Tomás pelo apoio e fotos.

 

porep

01 de Maio de 2014

A estreia oficial do conjunto ocorreu a 26 de Abril de 1964 no Salão Nobre do Clube de Viseu.
50 anos depois, correspondendo a um convite da Direcção do Clube de Viseu e do seu Presidente Dr. Francisco Mendes da Silva, decorreu uma cerimónia no mesmo Salão Nobre que incluiu uma Sessão Evocativa (I), uma exposição da vida dos Tubarões com fotos e reportagens, cartazes, programas, discos editados, instrumentos e trajes originais do conjunto (II) a que se seguiu a inauguração de uma vitrine com o espólio do conjunto relacionado com a vida deste naquele Clube (III).

A Sessão Evocativa (I) foi presidida pelo Dr. Francisco Mendes da Silva, Presidente da Direcção do Clube de Viseu, que salientou a razão de ser da cerimónia e os antecedentes que levaram à sua realização. 

 

 

 

Sobre a carreira musical do conjunto e algumas vicissitudes particulares vividas pelo grupo falou quem as viveu por dentro: José António Sacadura: 

 

 

 

"Reunimo-nos hoje para assinalar 50 anos do 1º concerto dos Tubarões, nesta sala do Clube de Viseu.

 

Pessoalmente estou aqui por uma razão muito simples: Amizade. 

Mas uma amizade que nada tem com o popular ditado que diz serem os amigos para as ocasiões, porque para mim, os amigos são para sempre. E como diria outro amigo que partiu recentemente” Um verdadeiro amigo é alguém que pega a sua mão e toca o seu coração. “(Gabriel García Márquez)

 

Estou certo que a maioria dos presentes recorda o trajecto percorrido pelos Tubarões. Muitos tiveram oportunidade de conhecer detalhes das peripécias vividas na época, graças à leitura do Livro “Viseu Anos 60”,que o Eduardo Pinto deu á estampa.

 

Por isso mesmo, não vou repetir factos ali retratados. Limitar-me-ei a evocar, muito sucintamente, alguns aspectos que ajudem a compreender o que esteve na origem, deste grupo de “afoitos infantes”.

 

No início dos anos 60, na juventude visiense predominava um grupo de mais velhos, digamos do 5ºano do liceu para cima, que por já usarem barba, nós, do grupo dos mais novos, passámos a designar” carinhosamente” por Xibos.

 

Esse grupo, aos domingos à tarde, promovia, aqui no Clube de Viseu, matines dançantes.

 

Nós, os mais novos, que já frequentávamos o Clube de Viseu, começamos a assomar á porta desta sala e alguns aventuraram-se a dar o seu pé de dança.

 

A condescendência dos mais velhos, lá permitia a nossa presença, embora sem voto na escolha das músicas postas a tocar no gira-discos.

 

Mas, para este grupo dos mais novos, as matines sabiam a pouco.

 

De alguma maneira influenciados pelas notas musicais que abalavam estruturas e traziam cheiro de novos tempos, e querendo fugir aos olhares “do Regime rigido”, a que no Clube estavam sujeitos, procuraram uma solução alternativa, que lhes desse mais liberdade.

 

E, a solução pensada apontava para criar o que viria a ser um precursor das Bandas de Garagem, neste caso,  um  orgulhoso “clube de garagem”.

 

Porém, um problema subsistia, onde conseguir uma garagem?

 

É então que o Vitor Barros, Vitó para os amigos, consegue convencer seus pais a autorizar que o sonho se tornasse realidade.

 

Assim, não propriamente na garagem, mas, na cave de sua casa em Massorim, nasceu o clube “Só +2”. Mais tarde viria a evoluir e passou a designar-se por “Tic-Tac”.

 

Ali realizávamos matines dançantes às quartas e sábados, com acesso muito restrito e sem mirones.

 

Não se pense que era um Clube qualquer, pois em réplica do Clube de Viseu, também tínhamos lanches e sala de jogo.

 

Para o nosso grupo de então entra um recém-chegado a Viseu, vindo de Moçambique, o António Fernandes, Tó Fifas para os amigos.

 

O Tó Fifas aporta ao grupo novos conhecimentos, que muito contribuíram para o seu fortalecimento.

 

Desde logo, e por graça o refiro, uma nova forma de assobiar, que passámos a usar nas nossas deambulações nocturnas e que peço ao Fifas para exemplificar.

 

Mas o mais interessante foi ter-nos revelado o seu lado artístico, tocando viola e harmónica na perfeição.

 

Daí nasce a ideia de formar um conjunto,” uma Banda de Garagem”, pois  na época banda, só a dos Bombeiros Voluntários ou a de Quadrazais.

 

E para formar esse almejado conjunto havia apenas que ultrapassar um pequeníssimo problema: Nenhum de nós sabia tocar qualquer instrumento.

 

Para que o Fifas, constituído e arvorado em Mestre, pudesse exercer o seu papel,

era preciso seleccionar quem tivesse aptidões para a coisa e arranjar uns instrumentos para iniciar as lições.

 

Tudo isto parecia fácil, até porque para cantor, o Zé Merino preenchia os requisitos, como agora se diz, e não precisava de aprender a tocar. Um dos poucos que se salvava, no meio da harmoniosa desarmonia.

 

Depois de conseguidas duas violas de empréstimo, só ficava a faltar o local para os ensaios.

 

Pois é, mais uma vez a solução passou por casa do Vitó.

 

Ali, na sala de jantar se juntavam o Vitó, o Eduardo, o Luis Dutra, o Zé Merino e o Fifas. Eu, que nem para tocar ferrinhos tinha queda, ( aliás,  meu instrumento de eleição), permanecia de espectador atento, dando apoio moral, e tentando perceber do aproveitamento dos alunos.

 

As violas lá iam contribuindo para o avanço dos instruendos, mas pior estava o baterista Eduardo, que tinha de se contentar com umas caixas de sapatos, uns testos de panelas e uma baquetas, ou melhor canetas da famosa marca BIC.  Assim, se escreveu, literalmente , o primeiro capítulo da história musical do conjunto.

 

E desta forma simples, mas com muito trabalho e dedicação e ultrapassando difíceis obstáculos, o Mestre Fifas conseguiu, com os seus dotes, aproveitar os talentos dos companheiros: Vitó, Luis, Eduardo e Zé.

 

E o melhor corolário foi o espectáculo dado nesta sala em 26 de Abril de 1964, há precisamente 50 anos. Quem diria que os penetras das matines de domingo” esses afoitos infantes”, viriam abafar o gira-discos e os Xibos dançariam ao som das suas tocadelas?

 

Depois de tão prometedor começo, surge a evolução com a entrada dos talentosos Carlos Alberto Loureiro, e mais tarde a do Quim Guimarães.

 

E a carreira lá vai continuando.

 

Mas o zénite chegou com a participação no famoso concurso ié-ié no Monumental em Lisboa, onde assisti a todas as eliminatórias, e para onde mobilizei amigas e amigos daquela época para um apoio forte. Lembrem-se que era um conjunto de província, desconhecido da juventude da capital.

 

A participação foi excelente e o resultado final ninguém o pode explicar, pois em nada correspondeu ao valor de cada um.

Por esta ocasião entra para o lugar do Quim o Valdemar, Vató para os amigos.

 

Pessoalmente e sem qualquer facciosismo posso garantir que os Tubarões mereciam o 2º ou  3º lugar e que o 1º deveria ter sido para os Sheiks, embora o resultado final não tenha explicação plausível. Mistérios do Movimento Nacional Feminino.

 

 Mas para que esta evolução se tivesse tornado realidade foi peça chave, o Exm Senhor Xavier Sá Loureiro, pai do Carlos Alberto, que deu o suporte financeiro indispensável para aquisição de novos instrumentos, supervisionava o dia a dia e toda a logística dos concertos .

 

Como corolário daquela participação, alcançaram a almejada meta: Gravar um disco.

 

Vivendo os Tubarões em Viseu e sendo necessário promover o disco pelas rádios em Lisboa, coube-me a mim e ao Fernando Pascoal de Matos, então já a viver em Lisboa,

dar as entrevistas a esses programas, de que recordo 23ªHora na RR. e PBX na Comercial.

 

Concluirei, afirmando claramente que sem o talento do Fifas, o extraordinário casal Barros, verdadeiros visionários e apoiantes incondicionais, deste grupo, os Tubarões não “teriam saído ao mar”.

 

Sem o suporte financeiro e controlo activo do Sr. Xavier Sá Loureiro, os Tubarões não teriam “nadado até outros mares”.

 

Tendo também, bem presente na memória, o Sr. Sá Loureiro, e  os amigos que tão cedo nos deixaram, Zé Merino e Luis Dutra. Mas quem é lembrado, nunca desaparece.

 

 Quero aqui prestar uma especial e singela homenagem à  Exmª  Senhora Dª Margarida Barros, que felizmente ainda se encontra entre nós e de boa saúde.

 

A Senhora Dª Margarida Barros, mãe do Vitó, foi de facto uma senhora  que  manifestou uma compreensão da juventude dos anos 60, acompanhou este movimento libertário, muito para além dos padrões praticados, pela sociedade de então.

 

 Enternecedora, na forma como acompanhava as nossas iniciativas, o carinho com que nos recebia em sua casa, será sempre recordada com muito afecto por todos os que a frequentaram.

 

E porque uma das singularidades da vida é não o “adeus”, mas o “ reencontro”, peço, para todos os que acabo de evocar, aqueles que partiram e para  os amigos de sempre, aqui presentes, Vitó, Fifas, Eduardo e Carlos Alberto  peço, dizia eu, uma calorosa salva de palmas.

 

Obrigado"

 

Apoios: José António Sacadura, Fotógrafo José Alfredo.

porep 

 

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